Paulo Gonçalves homenageado hoje no Dakar

Faz exactamente hoje um ano que o piloto Paulo Gonçalves faleceu, com 40 anos de idade. O fatídico acidente ocorreu da sétima etapa do Dakar 2020 motivado por uma queda aparatosa.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Um ano após a sua morte, o malogrado e saudoso Paulo Gonçalves vai ser hoje homenageado à partida da nona etapa do Dakar, em Neon. Trata-se de um tributo a um piloto que dispensa apresentações e que era muito respeitado por todos que integram ou integraram a caravana da prova mais dura de todo-o-terreno do mundo.

Recorde-se que o acidente ocorreu ao quilómetro 276 da sétima etapa, de um universo de 12, entre Riade e Wadi-al Dawasir, e que contemplava 546 quilómetros. Depois de vários anos a competir pela marca japonesa Honda, Paulo Gonçalves, de Esposende, participava, pela primeira vez, no Dakar pela indiana Hero, com a particularidade do seu cunhado, Joaquim Rodrigues Jr., ser seu companheiro de equipa. O piloto de Barcelos continua na mesma equipa, também com a missão de o homenagear com todas as suas forças.

Paulo Gonçalves estava a participar na sua 13.ª prova do Dakar. Foi o vencedor do Campeonato Mundial de Rally Cross-Country em 2015. O piloto, natural de Esposende, participava no Rali Dakar desde 2006 tendo ficado quatro vezes no top 10 da prova, tendo iniciado a carreira a participar em provas de motocross, passando vários anos pelo Team Suzuki Motogomes, equipa de Coimbra.

Foi em 2015 que o motociclista conseguiu o seu melhor resultado nesta prova quando terminou o Dakar no segundo posto, a 16m53s do vencedor, tempo de atraso causado pelos 17 minutos acumulados nas três penalizações que lhe foram impostas durante a corrida. Na altura, tinha 35 anos.

Em 2016, falava da vontade e ambição de conseguir ganhar a prova: «Vejo pilotos que ganham um Dakar com 40 e 50 anos, com performances incríveis. Se olhar para as idades dos pilotos de motas que estão em competição, tenho pelo menos mais 10 anos de Dakar pela frente. Continuo a acreditar que é possível, cada vez mais, e Portugal nunca esteve tão perto de o conseguir. É a minha grande motivação».

Paulo Gonçalves parou em 2016 para ajudar Matthias Walkner. O piloto português ficou junto do austríaco até a equipa médica chegar. Por causa disso perdeu perto de 11 minutos, que foram compensados posteriormente pela organização.

No mesmo ano, o piloto contava também sobre esta prova: «Bem, não me considero o senhor azar, porque tive a possibilidade de regressar sem problemas de maior. É um Dakar que teve partes muito positivas e uma parte menos boa, que foi o facto de não ter conseguido alcançar o resultado final ao qual me propunha. Ou pelo menos um que me satisfizesse. Fiz uma corrida de altos e baixos».

Paulo Gonçalves morreu a tentar alcançar o sonho de vencer uma das mais duras e perigosas provas de ralis do mundo, na qual foi sempre um digníssimo representante de Portugal.

Hoje, dia 12 de Janeiro, as lágrimas vão certamente “explodir” dos olhos de muita gente que faz parte da caravana do Dakar, versão 2021, inclusive o cunhado e amigo Joaquim Rodrigues Jr., bem como de Pedro “Barbaças” Almeida, o seu mecânico e amigo de vários anos, desempenhando hoje o papel de maneger e coordenador técnico da equipa oficial Monster Energy Yamaha Rally Official Team.

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