O que já se viu no WRC 2019

Concluídas que estão as três primeiras provas do campeonato de 2019, já é possível perceber como se alinham os principais candidatos ao título. Numa fase que já contemplou asfalto e gelo (Monte Carlo), neve (Suécia) e terra (México), o campeonato mostra-se como uma luta a dois, entre Tanak e Ogier. Mas Neuville não está longe, pelo que é preciso esperar pelas próximas provas para ver quem aguenta o ritmo. A Córsega é a próxima e pode reservar surpresas: hoje houve temporal e neve na ilha!

A Toyota é a equipa mais forte, contando com 3 pilotos permanentes, rápidos e experientes. Não é, por isso, de estranhar que seja a líder dos campeonatos de marcas e de pilotos. Tanak é, provavelmente, o piloto mais rápido do momento pelo que, se o Yaris não desiludir, deverá ser o maior candidato ao título. Rapidíssimo no Monte Carlo, onde só um furo o impediu de lutar pela vitória, venceu na Suécia e no México fez o que tinha a fazer. É o líder do campeonato, pelo que na Córsega poderá tirar partido de ser o primeiro na estrada. Depois, se mantiver o comando, terá que aguentar a pressão de limpar o pó nas provas de terra que se seguirão. Meeke está a revelar-se extremamente regular. Resta saber se conseguirá manter a regularidade quando aumentar a velocidade, necessária para lutar pelas vitórias! Latvala está igual a si próprio: rápido e espectacular, mas muito dado a erros. Sendo o piloto com mais provas no mundial, já não será agora que vai mudar.

A Citroen é a única equipa que conta com apenas 2 carros, mas tem um aliado de peso: o campeão Ogier! O francês continua rapidíssimo e mostra que o C3 é uma excelente máquina. Já leva 2 vitórias e é sempre candidato ao título até porque, até prova em contrário, é o melhor piloto em actividade! Lappi está a mostrar boa habituação ao carro, mas também a evidenciar alguns erros. Se se consciencializar que é, naturalmente, o número 2 da equipa poderá libertar-se da pressão e brindar-nos com excelentes prestações. O incidente do México não passou disso mesmo, um incidente.

A Hyundai é a equipa mais heterogénea. Com a “despromoção” de Mikkelsen, Neuville será o único piloto da equipa a fazer todo o campeonato e, por isso, a única aposta da marca para o ataque ao título de pilotos. O belga está a revelar mais do mesmo: muito rápido e regular, mas um piloto a quem falta sempre “um bocadinho assim”. Se Tanak não errar, atendendo a que Ogier dificilmente o fará, Neuville não deverá ter andamento para os dois primeiros, principalmente, porque não é imune à pressão! Loeb está a fazer o que se esperava. É verdade que perdeu o pódio no Monte Carlo, mas foi para o piloto mais rápido em prova (Tanak) e numa altura em que mal conhecia do carro. Na Suécia teve a prestação possível, numa prova muito específica e onde já não participava desde 2013! Espera-se como expectativa a prestação do multi-campeão francês na Córsega e também no Chile (onde deverá ter mais mão no carro e beneficiará na ordem de partida no primeiro dia). Mikkelsen parece não conseguir recuperar o ritmo que mostrou na VW. O norueguês continua a acumular muitos erros e nem na Suécia, onde praticamente corria em casa, conseguiu um lugar no pódio. Se não inverter rapidamente a situação, dificilmente terá um lugar de fábrica no próximo ano. A despromoção, dentro da equipa, é prova disso. Sordo continua rápido. No México as coisas não correram de feição, mas foi a única prova que o espanhol ainda realizou este ano, pelo que não é possível fazer uma avaliação justa da sua prestação. Ainda assim, deverá ser uma mais-valia para a Hyundai na luta pelo título de marcas.

A Ford começou pessimamente, no Monte Carlo, mas mostrou que é uma equipa a ter em conta e de futuro.

Evans está a ter um excelente início de ano. Depois da desgraça que foi a prestação da M-Sport no Monte Carlo, o inglês efectuou duas grandes provas, na Suécia e no México. Não é expectável que consiga manter este ritmo em todas as provas, mas de tempos a tempos deverá levar bons resultados para os lados de Cumbria. Suninen não está com vida fácil! Depois das excelentes prestações em 2017 e de um 2018 muito regular, era de esperar o salto em frente em 2019. Na Suécia mostrou do que é capaz, mas no Monte Carlo e no México bateu demasiado cedo. É preciso dar tempo ao finlandês, pois conciliar rapidez e velocidade exigem tempo! Que o digam os actuais 3 primeiros classificados do campeonato: Tanak (2012 a 2016), Ogier (2009) e Neuville (2012 e início de 2013). Tidemand ainda mostrou pouco, mesmo na sua Suécia natal, onde deveria estar mais à vontade. Mas este ano será de aprendizagem, pelo que terá que ser paciente.

Este texto não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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