O dia em que o Papamóvel foi salvo

Um incêndio na fábrica da SEAT em Barcelona colocou em risco a colecção histórica da marca, mas a resposta rápida e eficaz de funcionários e bombeiros evitou danos numa colecção que inclui um Papamóvel, o penúltimo 600 produzido ou o primeiro carro de rali oficial de Carlos Sainz.

(auto.look2010@gmail.com)

Faltavam apenas alguns dias para a visita do Papa João Paulo II a Barcelona e Madrid, em 1982, quando os responsáveis da SEAT receberam um telefonema do Vaticano. O veículo que o Papa utilizou nas suas visitas oficiais não cabia na porta do Camp Nou e de Santiago Bernabéu, os estádios onde se iam realizar os principais actos da viagem papal. Um novo modelo tinha de ser construído numa questão de dias.

Os engenheiros da SEAT responderam ao desafio. Em tempo recorde, adaptaram um Panda e transformaram-no num verdadeiro Papamóvel, usado por João Paulo II na sua visita a Espanha.

Esta peça histórica, guardada no armazém A122 da fábrica da Zona Franca, juntamente com o resto da colecção SEAT, estava prestes a desaparecer, a 11 de Fevereiro, no incêndio que afectou a fábrica de Barcelona. Todas as unidades foram salvas graças à acção rápida e decisiva dos funcionários da empresa, do Corpo de Bombeiros de Barcelona e de outras entidades que responderam ao sucedido.

«O fogo começou no pavilhão ao lado. O alarme funcionou perfeitamente. Começámos a conter o incêndio com as mangueiras instaladas para esta função e os serviços de Segurança e Emergência da SEAT e os Bombeiros de Barcelona chegaram rapidamente», afirmou Isidre López.

«Para mim, eles são heróis. A atitude de todas as equipas foi impressionante», acrescentou.

E qual foi o critério para salvar os carros da colecção?: «Primeiro tirámos os que estavam à entrada do pavilhão para criar um espaço aberto para que os bombeiros pudessem trabalhar assim que chegassem. Depois retirámos os carros de corrida maiores e depois tirámos o Papamóvel, que estava mesmo à frente do foco do incêndio. Não tendo um telhado, uma pessoa pode facilmente empurrá-lo», recorda.

Isso salvou as 317 unidades históricas da colecção. Desde o Papamóvel, ao primeiro carro de rali oficial de Carlos Sainz, ao penúltimo carro da série 600 e o eléctrico Toledo dos Jogos de Barcelona de 1992, este pavilhão guarda os testemunhos da história não só de uma marca, mas de todo um país. Agora, têm outra história com um final feliz para adicionar ao seu legado.

 

AS JÓIAS DA COLEÇÃO HISTÓRICA DA SEAT

1400 (1953): o primeiro SEAT.

O 1400 Visitas (1953): foi utilizado na inauguração da fábrica da Zona Franca.

O SEAT 1 Milhão (1969): era um SEAT 124.

Fórmula 1430 (1971): o modelo de competição mais antigo do edifício.

O primeiro 127 fabricado (1972): o terceiro modelo mais vendido depois do Ibiza e Leon.

A penúltima série 600 (1973): o carro que colocou um país sobre rodas.

Panda Group 2 (1982): o primeiro carro de rali oficial de Carlos Sainz.

Panda Papamóvel (1982): o carro de João Paulo II em Espanha.

Ronda (1982): o modelo que salvou a SEAT no Tribunal de la Conpetencia.

O primeiro Ibiza produzido (1984).

Ibiza Cabrio (1986), que nunca foi comercializado.

Ibiza Bimotor (1986).

Toledo para os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992): o primeiro eléctrico.

Ibiza Kit Car (1996, 1997 e 1998): tricampeão mundial de ralis na categoria de 2 litros.

Tango (2001): um concept de dois lugares.

Leon WTCC Campeão do Mundo (2008 e 2009).

IBX (2011): as linhas da futura gama SUV.

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