Moto Clube de Coimbra em acção de reflorestação

A chuva e o frio não impediram que um grupo de motards do Moto Clube de Coimbra viajasse até Ferraria de São João e passasse um domingo diferente a plantar árvores.

Carlos Sousa (carlos.sousa@autolook.pt)

A aldeia de Ferraria de São João, na fronteira entre Penela e Figueiró dos Vinhos, ganhou novos “inquilinos”, não para viver, mas para, de tempos-em-tempos, acompanhar o crescimento de um conjunto de árvores hoje plantadas. Se o frio ajudou a afugentar a bicharada, o aparecimento da chuva teve o condão de ligar as raízes ao solo em torno de Ferraria de São João, é uma pequena aldeia pertencente à freguesia de Cumeeira, no concelho de Penela.

A aldeia aglomera-se numa encosta exposta a poente, com largas vistas sobre um vale e protegido por uma crista quartzitica no lado oposto. O incêndio que chegou na madrugada de 18 de Junho de 2017, proveniente de Figueiró dos Vinhos pela serra a oeste da aldeia, provocou o caos na peculiar aldeia. A azáfama foi enorme, mas os sobreiros tiveram um papel importante em manter as casas intocáveis de 38 habitantes.

As chamas calcinaram tudo em redor, mas os habitantes da aldeia não se deixaram abater pelo flagelo, iniciando, desde logo, a “murá-la” por uma floresta autóctone, formada por árvores originárias do próprio território. Tem sido assim desde o fogo de 2017. Um grupo dinâmico e voluntarioso do Moto Clube de Coimbra associou-se às preocupações dos habitantes, escolhendo o dia de hoje para ajudar a formar o “muro de segurança”.

O grupo viajou de moto para Ferraria de São João e, já no local, logo pela manhã, novas árvores juntaram-se à floresta autóctone formada por árvores originárias do nosso país, como é o caso dos carvalhos, dos medronheiros, dos castanheiros, dos loureiros, das azinheiras, dos azereiros, dos sobreiros, entre outros.

Tratou-se de mais uma “obra divina” por pessoas activas que não ficaram indiferentes ao cenário negro que moldurou a aldeia viva de Xisto, agrupando-se à Associação de Moradores da Ferraria de São João para lhe “injectar” ainda mais alento.

Foi a pensar neste encorajamento que o Moto Clube de Coimbra convocou todos os seus sócios e amigos a passar um domingo diferente, colaborando com a Associação de Moradores da Ferraria de São João na implementação da Zona da Protecção da Aldeia (ZPA).

A jornada, que começou junto à área de serviço da GALP, na Fucoli, em que todos os participantes foram munidos de comida e bebida para um pic-nic partilhado, iniciou-se antes do almoço. Elementos do Moto Clube de Coimbra e Associação de Moradores da Ferraria de São João uniram esforços e reflorestaram o que puderam, até porque esta última estrutura associativa prossegue a sua caminhada na criação de uma ZPA com vários objectivos em mente.

“Valorização ambiental, conservação e fomento da biodiversidade da envolvente da aldeia”, “terminar a exploração florestal intensiva numa faixa de no mínimo 100 metros das casas”, “dar cumprimento das leis em vigor, especialmente o decreto-lei n.° 17/2009 de 14 Janeiro”, “dentro da ZPA eliminar eucaliptos e substituição por árvores com sobreiros e outras folhosas de forma correta e ordenada”, “gestão conjunta dos terrenos abrangidos na ZPA, incluindo cortes, plantações e limpezas, tentando desornar os proprietários dessa responsabilidade e custo”, “procurar encontrar medidas de compensação para os proprietários dos terrenos da ZPA, considerando os serviços de ecossistema prestados”, “criação de condições para a continuidade e incentivo de actividades tradicionais da aldeia como a pastorícia”, “encontrar as melhores soluções para compatibilizar o ecossistema da aldeia com a vida selvagem, como veados e javalis”, “encontrar um modelo sustentável de formalização do compromisso de adesão ao projecto de modo a assegurar a sua continuidade geracional” e “estabelecimento de parcerias com entidades e pessoas que possam garantir o correcto desenvolvimento técnico do projecto”.

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