Morreu o criador do “Road Book” Manuel Coentro

O automobilismo português está de luto com o desaparecimento de Manuel Coentro, de 84 anos, uma das figuras marcantes do desporto automóvel nacional.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com) – Foto: NUNO BRANCO/AUTOSPORT

Começou como piloto, mas seria no banco do lado direito que entraria na história do desporto automóvel nacional, como navegador de alguns dos melhores pilotos nacionais, como Jorge Nascimento, Francisco Romãozinho, Conde de Botelho, Christian Melville, Luís Netto, “Mêquêpê”, António Borges, José Pedro Borges. Navegaria, ainda, pilotos como Aurélio Santos Almeida e Rui Choças.

Foi um dos maiores lutadores pelo reconhecimento do papel dos navegadores, tendo criado a Associação de Navegadores De Automóveis de Ralis (ANDAR) e venceu cinco provas do Campeonato Nacional: Volta a S. Miguel (1970), Volta ao Minho e Grande Rali do Sporting (1971), Rali das Camélias e Rali às Antas (1973), as três primeiras ao lado de Jorge Nascimento (BMW 2002), as outras duas com Luís Netto (Fiat 124 Spyder).

Manuel Coentro fica para a história do desporto mundial como o criador do “Road Book”, hoje utilizado nos ralis, na versão A5, depois de ter começado na versão A4. Isso aconteceu como consequência de, desde muito cedo, ter passado a ser o braço direito de César Torres na elaboração do Caderno de Itinerário do Rali Internacional TAP, o qual lhe pediu, em 1972, que pensasse numa forma de o tornar mais perceptível.

Reza a história que, no meio da conversa, Manuel Coentro desenhou num papel a sua proposta, que César Torres levou à FIA, que a adoptou, tendo sofrido ligeiras adaptações ao longo dos tempos.

Fica a saudade de uma figura que pela sua imponência e boa disposição marcava o ambiente desses tempos, onde o convívio, entre todos os participantes, era muito importante.

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