Miguel Cristóvão analisa o título LMP3

Piloto português somou este fim-de-semana mais um título para o seu palmarés, destacando-se no panorama europeu de automobilismo. Miguel Cristóvão conta na primeira pessoa o desafio de uma temporada que o levou à conquista do Campeonato de Pilotos LMP3 das Ultimate Cup Series.

(auto.look2010@gmail.com)

AUTOLOOK – Foi uma temporada exigente, dadas as circunstâncias em que vivemos presentemente. Esperavas ser tão competitivo desde o início?

Miguel Cristóvão – Sabia desde o primeiro momento que tinha de dar um passo em frente em termos de pilotagem. Estes carros são muito performantes, tecnicamente diferentes do que estava habituado devido à sua aerodinâmica apurada, tornando-os muito exigentes fisicamente. Tive de me preparar muito bem para poder estar num elevado nível. Não sou propriamente um jovem de 20 anos e foi preciso muita disciplina para alcançar esses objectivos. Para além disso, o nível nas Ultimate Cup Series é elevado, com muitos jovens que saem dos monolugares para esta competição, portanto, fui também obrigado a evoluir muito em termos de pilotagem. Trabalhámos muito para podermos ser competitivos logo na primeira corrida, mas há sempre algumas dúvidas. Foi bom e positivo começar com uma vitória.

AUTOLOOK – Para além da tua evolução, tiveste também de contar com uma equipa e colegas que te apoiassem e pudessem trabalhar para um objectivo conjunto…

Miguel Cristóvão – Sim, nada se consegue sozinho. A Team Virage mostrou ser uma equipa muito forte, competitiva e com grande capacidade estratégica. Tivemos sempre um carro muito fiável e rápido e isso é meio caminho andado para o sucesso, cabendo, depois aos pilotos alcançar o potencial à sua disposição. No Julian Wagg e no Alessandro Ghiretti tive dois colegas que me ajudaram bastante e foram sempre rápidos e consistentes. Nesta última corrida, o Alessandro não pôde estar presente, mas a equipa encontrou um substituto à altura, o Julien Falchero, que foi também muito rápido e ajudou-nos de forma determinante a conquistar o segundo lugar na prova de Paul Ricard e, por conseguinte, o título. Foi um verdadeiro esforço de equipa e é fantástico poder fazer parte de um grupo de pessoas como este. Este foi também um momento alto da temporada.

AUTOLOOK – O que significa este título de campeão de Pilotos LMP3 da Ultimate Cup Series?

Miguel Cristóvão – Este é o sétimo título e o mais importante da minha carreira! Já ando há longos anos no automobilismo e passei por diversas categorias desde os ralis até à velocidade. O ano passado conquistei o campeonato de pilotos das GT4 South European Series que foi um marco para mim, dado que tive de enfrentar pilotos muito fortes, mas os carros tinham performances muito próximas daquilo a que eu estava habituado. Nas Ultimate Cup Series tive de me adaptar a carros com prestações muito mais elevadas que aquelas a que estava acostumado, o que me obrigou a crescer enquanto piloto. Foi um grande esforço para bater pilotos muito competitivos num campeonato que tem muita projecção na Europa, sobretudo em França. É também um grande orgulho poder contribuir para um ano de ouro no automobilismo português, em que foram conquistados muitos títulos por diversos pilotos.

AUTOLOOK – Conquistaste dois títulos em dois anos consecutivos em carros muito distintos. Quais são os teus planos para a próxima temporada?

Miguel Cristóvão – Sim, em 2019 estive aos comandos de um Mercedes-AMG GT4 e em 2020 num Ligier JS P3. São duas máquinas muito distintas e com exigências bastante diferentes. O meu desejo é continuar nos LMP3 em 2021, existem campeonatos que me interessam, como as European Le Mans Series ou a Le Mans Cup, mas é ainda muito cedo e com a situação em que vivemos presentemente, devido à pandemia da Covid-19, a indefinição é muito grande. Penso que agora é tempo de celebrar e, depois, voltaremos ao trabalho para definirmos a próxima temporada.

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