Maria Germano abalroada a poucos metros da vitória

Líder do Campeonato de Portugal Karting foi impedida, deliberadamente, com a linha de meta à vista, sendo vítima do maior “assassinato” desportivo que há memória no automobilismo nacional.

(auto.look2010@gmail.com)

Maria Germano Neto, com apenas 8 anos de idade, «foi vítima da maior barbaridade» que alguma vez se viu numa prova de Karting. Foi «deplorável o que João Gouveia lhe fez (como documentam as fotos) na quarta prova do Campeonato de Portugal de Karting, disputada em Viana do Castelo, na qual a piloto de Guimarães se apresentou líder destacada do campeonato», adianta, em comunicado a equipa da jovem piloto.

«João Gouveia, como já não podia vencer, esperou por Maria Germano e abalroou-a quando a vimaranense se preparava para vencer. Mais gravoso é que João Gouveia é apoiado pelo Sport Lisboa e Benfica e pela Skywalker Young Guns, do piloto Tiago Monteiro, e que tem, entre outros, a Iveco como patrocinador», pode ler-se no comunicado.

Tudo isto, uma semana depois de Maria Germano Neto se ter tornado a primeira piloto portuguesa a ganhar uma prova no Campeonato de Espanha da Alevín, considerado um dos mais difíceis do mundo, onde alinham mais de 150 pilotos, distribuídos por seis categorias.

«Tirando o antetítulo, o título e a entrada deste comunicado, eu, Maria Germano, tentarei descrever, na própria pessoa, o meu estado de espírito depois do mais bárbaro atentado à minha integridade física de que fui alvo no passado domingo, em plena quarta e penúltima prova do Campeonato de Nacional de Karting que decorreu em Viana do Castelo», explicou a jovem piloto.

«Na minha ainda curta carreira de piloto de Karting já sofri acidentes aparatosos; num deles tive de receber tratamento hospitalar, mas as feridas deste episódio, do qual saí felizmente ilesa, foram mais profundas e serão mais difíceis de sarar. Dediquei uma época inteira em prol de um objectivo», prosseguiu.

«Esforcei-me muito, percorri milhares de quilómetros para evoluir em provas internacionais, de avião, de carro, de autocarro e de comboio, para participar em competições bem mais competitivas do que aquelas que se disputam em Portugal. Sacrifiquei a minha família e em especial o meu pai, que me acompanhou, quase sempre, para todo o lado. Venci no início deste ano, com todo o mérito, a Taça Bridgestone e o Open de Portugal; Venci as duas primeiras finais do Campeonato Nacional; Estava em primeiro na última volta da terceira final do campeonato nacional quando levei um pequeno toque que me fez terminar em terceiro», sublinhou a piloto vimaranense.

«Fui a piloto nacional mais nova de sempre a subir ao pódio no Campeonato de Espanha de Karting, em Chiva, Valência, para na prova seguinte, em Campillos, Málaga, alcançar a recompensa de ser a primeira piloto portuguesa e a mais nova de sempre a ganhar uma final do Campeonato de Espanha de Karting. E tudo isto foi graças ao meu esforço, ao meu empenho, à minha dedicação e à vontade enorme que tenho de ganhar e de ser cada vez melhor e, claro está, graças a todos aqueles que, de forma desinteressada, competente e profissional, e que fazem parte da estrutura da PPRT, me fizeram crescer e evoluir como piloto», continuou.

«Parti para esta última prova do campeonato nacional motivada e confiante, com legítimas expectativas de me sagrar já campeã nacional. Depois de obter ser 2.ª classificada na primeira manga, um rapaz que se diz piloto arrumou comigo na segunda manga quando eu estava em primeiro na última volta. Nada que me tivesse feito desanimar. Parti de nono para a corrida final e à segunda volta estava em primeiro. Esse rapaz, de nome João Gouveia, que tinha saído de pista, teve a cobardia e a indecência de esperar por mim na última volta. Quando me preparava para cortar a meta em primeiro lugar, esse miúdo, de forma deliberada, premeditada e propositada, veio na minha direcção com o único objectivo de me mandar para fora da pista. Um acto assassino, bárbaro, cruel, baixo e inqualificável fez com que eu e o meu colega Martim Marques fossemos projectados para fora de pista antes de cortarmos a linha da meta. Felizmente saí ilesa, mas destroçada, porque esse rapaz tirou-me os pontos que eu precisava, e que estavam a menos de três metros de distância, para entrar na última prova do campeonato suficientemente confortável», sublinhou a jovem piloto.

«Com esse comportamento deplorável esse rapaz, que é apoiado pela estrutura da Skywalker, fez com que o meu amigo Noah Monteiro passasse para a liderança do campeonato. Quero acreditar, com a ingenuidade própria de uma criança de 8 anos e para bem do desporto que tantas glórias e alegrias me tem dado, que não passa de uma mera coincidência».

«A esse rapaz quero dizer-lhe que sou muito melhor que ele por ter a família que tenho, de quem muito me orgulho nos ensinamentos, na educação e na formação que me têm incutido. Obrigada a todos eles por me incutirem princípios dignos, sérios, humildes, verdadeiros e por sempre me terem ensinado a respeitar os outros», adiantou.

«Aos pais desse rapaz, quero dizer-lhes que agradeço a Deus a sorte de não fazerem parte da minha família e, ainda assim, agradecer-lhes por, com comportamentos deste género, acabarem, de forma involuntária, por contribuírem para o meu sucesso, porque a vontade que tenho de continuar a ganhar é hoje maior do que era antes», finalizou Maria Germano Neto.

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