Maire quer consolidar a aliança Renault-Nissan

Estratégia surge após o fracasso das negociações entre a Renault e o grupo Fiat Chrysler. O Estado francês está disposto a «reduzir a sua participação» de 15% no capital do grupo.

(auto.look2010@gmail.com)

Bruno Le Maire, ministro da Economia de França

O ministro da Economia de França diz que a prioridade é «consolidar a aliança» da Renault-Nissan antes de considerar uma reaproximação com outro fabricante, após o fracasso das negociações entre a Renault e o grupo italiano-americano Fiat Chrysler Automobiles.

De forma a «consolidar a aliança» da Renault-Nissan o Estado francês está disposto a «reduzir a sua participação» de 15% no capital do grupo francês, disse Bruno Le Maire, à AFP, à margem do G20, em Fukuoka, no sudoeste do Japão.

A Fiat Chrysler Automobiles anunciou na quarta-feira que desistiu da proposta de fusão com o Grupo Renault. O acordo que daria 50% de participação a cada um dos grupos, foi retirado pelo grupo italiano-americano que apontou não existirem «actualmente condições políticas em França para que essa fusão tenha sucesso».

O Governo francês garantiu, contudo, que as discussões com a Fiat não poderiam ter sucesso por falta de garantias quanto à preservação da aliança com a Nissan, parceira da Renault há 20 anos.

«Vamos colocar as coisas de volta nos trilhos», disse o ministro. Na ordem certa, «significa primeiro a consolidação da aliança (com a Nissan), e depois a consolidação (com outros parceiros), e não um antes do outro, porque senão corremos o risco de que tudo colapsar como um castelo de cartas», justificou.

Bruno Le Maire não exclui a possibilidade da retomada das negociações com a Fiat Chrysler Automobiles: «Estamos abertos a todas as possibilidades de consolidação, desde que todos os parceiros concordem», disse.

Em relação à parceria com a Nissan o ministro garantiu que a elevada participação do Estado na Renault não será um entrave e que a França está disposta a reduzi-la.

«Podemos reduzir a participação do estado no capital» da Renault, disse o ministro, acrescentando que «isso não é um problema, desde que, no final das contas, tenhamos uma aliança mais forte entre os dois principais fabricantes de carros, Renault e Nissan».

As relações entre os dois parceiros, Renault e Nissan, deterioraram-se drasticamente desde o caso de alegadas más práticas do ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn. O facto de a Renault não ter alertado o seu aliado japonês das discussões com a Fiat não ajudou em nada a parceria. A Renault atualmente detém 43% da Nissan. O fabricante japonês tem 15% da Renault, sem direito a voto, e 34% da Mitsubishi Motors.

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