Lendas nos 50 anos WRC no Rally de Portugal

Alguns dos mais conceituados pilotos da história do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) participaram, esta quarta-feira, numa conferência de imprensa, seguida de jantar de gala, no âmbito do 55.º Vodafone Rally de Portugal, já que a FIA escolheu precisamente o evento português para assinalar os 50 anos da competição.

(auto.look2010@gmail.com)

Walter Rohrl, Michèle Mouton e David Richards

Foram 15 as lendas dos ralis presentes na Conferência de Imprensa realizada no Media Centre do Rally de Portugal, na Exponor, entre elas, os Campeões do Mundo Walter Röhrl, Miki Biasion, Ari Vatanen, Petter Solberg. A estes, juntaram-se para o jantar de gala, Sébastien Loeb, Sébastien Ogier, Carlos Sainz, Marcus Gronholm e Ott Tanak. Entre todos, acumulam 28 títulos mundiais.

Para o jantar, foram recebidos por dirigentes FIA, incluindo o presidente, Mohammed Ben Sulayem, por representantes de várias provas do WRC, pelos organizadores portugueses do Automóvel Club de Portugal, membros do staff da organização do WRC, vários VIP e um lote restrito de membros dos media internacionais, num total de mais de 230 convidados.

Marcaram também presença outros nomes bem conhecidos do mundo dos ralis, como David Richards, campeão de Mundo de Navegadores, em 1981, ao lado de Ari Vatanen, e depois diretor de equipas como a Prodrive, por exemplo, o veterano team manager Nini Russo e ainda Tiziano Siviero, Robert Reid, Luis Moya e Christian Geistdörfer, todos campeões do Mundo de Navegadores.

Ari Vatanen e David Richards, 41 anos depois de se sagrarem campeões do mundo

Nota também para a presenças de várias mulheres, como as antigas vencedoras da Taça de Senhoras WRC, Isolde Holderied e Louise Aitken-Walker, da navegadora de vários campeões em várias disciplinas, Tina Thörner, e ainda de Michèle Mouton (vencedora do Rally de Portugal de 1982) e da sua navegadora, Fabrizia Pons.

Robert Reid é atualmente presidente Adjunto da FIA para o Desporto Motorizado e foi campeão do Mundo ao lado do malogrado Richard Burns, com um Subaru Impreza da Prodrive, de David Richards, em 2001.

Foi com gosto que recordou a última classificativa do Rally da Grã-Bretanha daquele ano: «Lembro-me que o David (Richards) estava na última especial com o quadro das diferenças intermédias de tempos e, se a memória não me falha, estava sentado nos destroços de uma velha carrinha, a meio do troço, garantindo que tínhamos a infirmação de que necessitávamos para concluir o trabalho. Tenho tantas memórias e é fantástico estar aqui com tantos dos melhores campeões para celebrar os 50 anos do WRC».

Sébastian Ogier, Walter Rohrl e Sébastian Loeb

Ari Vatanen foi campeão do Mundo em 1981, com um Ford Escort RS 1800, e veio a tornar-se uma grande estrela da era dos carros de Grupo B, antes de sofrer um terrível acidente no Rally da Argentina de 1985, aos comandos de um Peugeot 205 T16.

O primeiro piloto a receber o cognome de finlandês voador nos ralis refletiu sobre a carreira: «A vida é cheia de altos e baixos. Foi de certa forma uma surpresa ter vencido o campeonato. Só no final de uma longa classificativa do Rally RAC é que soubemos que ganhámos e tivemos aquela sensação de alívio. Há tantos momentos como esse. Mas há também outro momento e não foi no Campeonato do Mundo de Ralis. Foi no Paris-Dakar, na minha primeira corrida depois do acidente quase fatal. À partida, belisquei-me e perguntei-me, “serei mesmo eu que estou a começar uma segunda vida?”».

Sébastian Ogier e Carlos Sainz

Michèle Mouton ganhou quatro ralis do WRC e foi vice-campeã do Mundo, em 1982, atrás do campeão Röhrl. Está, atualmente, à frente da Comissão de Desporto Motorizado para as Mulheres da FIA.

Falou sobre a sua vitória em Portugal: «Aconteceu logo depois do meu primeiro triunfo, no Rally de Sanremo. Sempre disse que depois de vencermos uma vez, nos tornamos mais famintos. Não esperava ganhar em Portugal, mas consegui e, no final, todas as mulheres ao longo da estrada estavam a acenar para nós. Quando fazemos qualquer coisa, não o fazemos porque somos mulheres, mas porque somos pilotos. Mas a vitória em Portugal foi algo muito especial».

Röhrl foi Campeão do Mundo em 1980 e 1982, mas reconheceu que vencer o Rally de Monte Carlo foi sempre a sua prioridade: «O meu grande objetivo na vida era ganhar em Monte Carlo. Era a coisa mais importante para mim e tudo o resto era sempre algo divertido. Muitas pessoas perguntam-me qual é a sensação de ser duas vezes Campeão do Mundo e eu digo-lhes sempre que teve mais significado para mim vencer o Rally de Monte Carlo», disse o alemão.

«Foi também muito engraçada a luta com a Michèle, em 1982. Olhando para trás, tenho a sensação de que foi uma situação desafortunada. Teria sido muito melhor se a Michèle fosse campeã. Seria único na história da disciplina e não estou a ver que essa possibilidade torne a acontecer», concluiu Walter Röhrl.

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