Krystof Kouble bisou na “lama das tormentas” em Góis

Ameaçada do contingente nórdico para chegar ao triunfo no GP de Portugal do Europeu de Enduro ficou-se pelas intensões, com o piloto checo a comandar, de fio-a-pavio, um “exército” destemido que lutou até à exaustão pela melhor posição no enlameado teatro das operações.

Carlos Sousa (carlos.sousa@autolook.pt) – Fotos: JOÃO DA FRANCA

A vila de Góis voltou a centrar as atenções além-fronteiras. Não é todos os fins-de-semana que os melhores pilotos do Velho Continente viajam até ao nosso país para esgrimir argumentos para integrar o restrito lote de vencedores do Campeonato da Europa de Enduro. Góis teve o privilégio, este fim-de-semana, de ser o cenário do Grande Prémio de Portugal da especialidade.

Na Quinta do Baião estiveram os melhores. Os pilotos, as equipas, os bombeiros as forças de segurança excelentemente bem conduzidas pelos militares da GNR e a estrutura organizativa. Todos, sem excepção, levaram o nome da vila goiense aos quatro cantos da Europa. O Góis Moto Clube puxou, uma vez mais, pelos galões e lutou, com galhardia, para notabilizar o território no mapa dos grandes eventos desportivos.

Foi uma luta com contornos gigantescos. Uma luta que mereceu rasgados elogios por parte de todos os pilotos e equipas envolvidas e que não deixou a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) indiferente. É com esta determinação que se combate a desertificação. É com este espírito de actuação do Góis Moto Clube que a vila ganha força e volume para “murar” o território e “prender” a comunidade para que esta não tenha o instinto de “fugir”.

Dirigentes e colaboradores do Góis Moto Clube voltaram à carga. Um verdadeiro “exército” que, contra tudo e contra todos, “derrubaram” barreiras e mostraram que, através de grandes eventos, a população duplica, triplica, quadruplica… enfim. Um mar de gente que ajuda fortemente a economia local. Quem não aparece nestas alturas e com responsabilidades acrescidas, está a cometer o maior erro e revela incapacidade para continuar a fazer parte deste “exército” de boas maneiras e práticas.

Naturalmente que este “exército” ganhava ainda mais força se tivesse um “general”, nem que fosse somente para entregar os prémios aos vencedores e vencidos no Grande Prémio de Portugal. Este “exército” merecia mais respeito. Quem não aparece nestes grandes eventos, não merece estar onde está. Quem fez tábua rasa do Grande Prémio de Portugal do Europeu de Enduro, que mobilizou em Góis centenas de pessoas em três dias para elevar o nome da vila, também não esta em condições morais para “abanar o capacete” de 30 de Maio a 2 de Junho durante o Rali de Portugal. Se o fizer, é hipocrisia, pura e dura.

 

KRYSTOF KOUBLE LEVA GÓIS

NO CORAÇÃO PARA A REPÚBLICA CHECA

Indifrente a todo este cenário esteve Krystof Kouble, em KTM. Inscrito na categoria Júnior 2/3, o jovem piloto checo repetiu o triunfo do dia anterior e saiu de Góis com a vitória absoluta, com o tempo total de2h01m38,8s. Confirmando o excelente andamento evidenciado na véspera, o piloto da República Checa foi ganhando paulatinamente frescura física e anímica, não dando a mínima hipótese aos seus mais directos opositores. Volta após volta, Krystof Kouble ampliou a vantagem até ser “chamado” ao pódio para ser declarado justo vencedor da prova do Góis Moto Clube, deixando um rasto de excelência aos comandos da moto austríaca.

Um triunfo algo sofrido devido ao estado do terreno e do mau tempo no primeiro dia e na parte final do segundo, que o próprio piloto fez questão de evidenciar, vincando que leva Góis no coração para a República Checa.

Sem argumentos para destronar o checo Krystof Kouble do lugar mais alto do pódio, Albin Elowson teve de se contentar com a segunda posição. O piloto sueco, o mais rápido com a Husqvarna na classe Over 250 4T, ficou a 1m22.33s do vencedor, mas com a satisfação de culminar a sua prestação à frente do finlandês Eemil Pohjola (TM), tanto à geral como na classe Over 250 4T, com este último a 1m55.27s do checo.

O também sueco Mikael Persson, em KTM, foi o quarto mais rápido em termos absolutos e terceiro na classe Over 250 4T, a distantes 3m04.37s do vencedor, depois de uma luta titânica com o britânico Jed Etcheles (Sherco), que fechou o “top five”, com a consolação de terminar em segundo a classe Júnior 2/3, embora a 3m16.47s de Krystof Kouble. O terceiro nesta classe foi o sueco Oskar Ljungstrom (Husqvarna), a 5m05.5s do vencedor.

Quem também repetiu a dose vitoriosa foi o sueco Max Ahlin. O piloto nórdico conduziu, sem apelo nem agravo, a Sherco ao lugar mais alto do pódio na classe Júnior Sub21, com o tempo total de 2h05m14.9s, mas a 3m53.4s do vencedor absoluto.

O compatriota Albin Norrbin, aos comandos de uma Husqvarna, finalizou a prova desenhada pelo Góis Moto Clube na segunda posição, a 1m22.8s do vencedor, relegando par a terceira posição o finlandês Peetu Juupaluoma, em moto idêntica, a 2m32,1s de Max Ahlin.

JUNIORES 1 FINLANDESES UNIRAM-SE PARA SUPLANTAR VIZINHO SUECO

Na classe Júnior 1, a vitória ficou na posse de Roni Kytonen. O piloto finlandês da Kytonen Motorsport conduziu a Husqvarna ao topo com o tempo total de 2h05m05.9s, menos 3m44.8s que o compatriota e companheiro de equipa Anti Hanninen, também aos comandos de uma moto da marca sueca. O lugar mais baixo do pódio foi para o “vizinho” sueco John Salomonsson, também numa Husqvarna, a longínquos 6m22.9s.

Na classe 250 2T, a vitória final sorriu ao eslovaco Thomas Hostinsky (Husqvarna), com o tempo de 2h10m55.3s. O lugar intermédio do pódio foi ocupado por Ukasz Kurowski (Yamaha), a 3m46.5s, enquanto no terceiro terminou o sueco Alexander Dahlen (Gas Gas), a 4m18.5s.

Já na Over 250 2T, foi o checo Jiri Hadek (KTM) a superiorizar-se, necessitando de 2h10m25.8s para concluir a prova, cabendo ao compatriota Jakub Hrones (Gas Gas) ocupar o lugar intermédio do pódio, separados por 3m17.6s, com o estónio Elary Talu, numa KTM, em terceiro, a 5m13.5s.

Nas 250 4T, o piloto da República Checa, Patrick Markvart, numa KTM, ao registar 2h07m11.7s, subiu ao lugar mais alto do pódio, com Edgars Silins, da Letónia, a conduzir a Husqvarna ao lugar intermédio, a distantes 6m34.9s, com relegando para o terceiro lugar o polaco Maciej Giemza, em moto idêntica, a 10m12.37s.

SUECA HANNA BERZELIUS TRIUNFOU ENTRE AS SENHORAS

A classe Sénior foi conquistada pelo finlandês Janne Mukkala, aos comandos de uma KTM, com o tempo total de 2h21m43.0s, com o segundo e terceiro lugar entregue ao polaco Sebastian Krywult, também aos comandos de uma moto da marca austríaca, e ao finlandês Santeri Enjala (Honda), a 3m23.4s e 3m56.8s, respectivamente.

Na classificação final das Senhoras, e com menos uma volta relativamente às classes anteriores, a sueca Hanna Berzelius conduziu a Husqvarna ao topo da classificação, com o tempo de 1h48m34.0s, seguida pela compatriota Nartina Reimander, em KTM, a 3m16.2s de diferença, com a piloto da República Checa, Zuzana Novackova, aos comandos de u a Husqvarna, a terminar na terceira posição, a 6m34.03s da vencedora-

LUÍS OLIVEIRA LIDEROU “ARMADA” LUSITANA

No Open Nacional a vitória sorriu a Luís Oliveira (KTM), com o tempo total de 42m36.9s, também com menos uma volta, com Ricardo Wilson (Gas Gas), a 10m29.8 de desvantagem, com o degrau mais baixo do pódio na posse de Gil do Carmo (Honda), a 13m16.7s. Fora dos lugares do pódio finalizou Rodrigo Belchior (KTM), a 14m19,5s do vencedor e a 1m02.8s de Gil do Carmo, com Mateus Cepa e Joana Gonçalves, ambos em Husqvarna, a 24m35.7s e 28m07.04, respectivamente.

Refira-se que grande parte do segundo dia de prova desenhada pelo Moto Clube de Góis foi disputada sem a aparição da chuva, que apenas aconteceu na fase final, mas o terreno enlameado e muito pesado estiveram na base de alguns abandonos de vulto. Apesar disso, muito boa gente soube andar a fundo, no meio de muita lama. Uns ficaram completamente atascada e, outros, “salvaram-se” em andamentos verdadeiramente infernais.

Para muitos foi preciso inventar trajectórias inverosímeis para não dar cabo das motos, por exemplo passando por cima da terra solta e da lama para evitar buracões ou criar “ribeiras” dentro do próprio percurso. O checo Krystof Kouble foi um dos “fugitivos” na lama das tormentas mas, ao reaparecer em Góis, fê-lo com autoridade e com os louros do triunfo.

 

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