Joaquim Rodrigues Jr.: “Perdeu-se o espírito do Dakar”

Aos comandos de uma Hero, o motard português considerou que o facto de o Rali Dakar ser disputado integralmente no Peru desvirtua as origens da prova.

(auto.look2010@gmail.com)

«Isto não é o Dakar», referiu Joaquim Rodrigues Jr. no bivouac, em Arequipa, onde a caravana passou o dia de descanso da competição, aludindo ao facto de a prova decorrer integralmente no Peru, algo inédito na história da competição.

«Este não é o espírito original do Dakar. É duríssimo, é verdade, mas o espírito não é o mesmo e torna-se perigosíssimo. Enfrentamos rectas de 14 quilómetros, no meio de “fesh-fesh” (pó muito fino), de pedras e de “prego a fundo”. É só gente a cair», relatou o piloto minhoto.

Uma das vítimas da dureza do percurso foi precisamente o cunhado do piloto de Barcelos, Paulo Gonçalves (Honda), que foi transportado de helicóptero no decorrer da quinta etapa, na sexta-feira, após uma violenta queda que lhe provocou um ligeiro traumatismo craniano.

O piloto da Hero reconheceu ter ficado afectado pelo abandono de Paulo Gonçalves, mas ainda mais por voltar a passar no sítio onde sofreu a queda que ditou o abandono da prova em 2018, na primeira etapa, com uma fractura na coluna.

«Passámos no mesmo local onde caí, mas em sentido contrário. Não me lembro do acidente em si, mas subir aquilo (a duna) deu-me arrepios. Era uma altura tremenda», explicou, admitindo que só conseguiu relaxar «ao terminar a etapa».

Joaquim Rodrigues Jr. recordou a semana «cheia de problemas», como uma avaria na bomba de combustível, no segundo dia, uma queda, no terceiro, na qual perdeu o “road book”, retirando-o dos primeiros lugares.

«Na quinta etapa, também estava no meio do pó e depois de passar pelo meu cunhado, segui com calma», frisou Joaquim Rodrigues Jr. que chegou ao dia de descanso na 28.ª posição, a 2h37m53s do líder, o norte-americano Ricky Brabec (Honda). O objectivo agora «é terminar o que não consegui no ano passado e chegar ao final da prova», frisou o barcelense.

Mário Patrão (KTM), na 21.ª posição, é português mais bem classificado, a 1h52m45s do comandante. António Maio (Yamaha), o luso-alemão Sebastian Bühler (KTM), David Megre (KTM), Fausto Mota (Husqvarna) e Miguel Caetano (Yamaha) seguem, respectivamente, nos 30.º, 33.º, 44.º, 49.º e 88.º lugares.

Miguel Jordão (Can-Am) é o primeiro luso nos SxS, no oitavo lugar, 2h12m32s do líder, o chileno Rodrigo Piazzoli (Can-Am). Ricardo Porém (Can-Am) segue no 10.º lugar e Pedro Mello Breyner (Can-Am) no 19.º.

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