Paulo Gonçalves acelera nos corações do mundo

 O desporto motorizado nacional está de luto. O motociclismo internacional está de luto. O “Dakar” está de luto. Portugal está de luto. E quando isso acontece, tudo passa para segundo plano. Paulo Gonçalves partiu muito cedo. O piloto de Esposende participava no Dakar pela 13.ª vez com a paixão que sempre o moveu desde 2006, ano de estreia na prova. Portugal perdeu uma das suas maiores figuras do desporto motorizado. Os nossos pensamentos estão com os familiares e amigos do Paulo “Speedy” Gonçalves.

PEDRO RORIZ E CARLOS SOUSA (auto.look2010@gmail.com)

Uma vez mais, a prova mítica do todo-o-terreno mundial fez uma vítima, desta vez o português Paulo Gonçalves (Hero), que caiu ao km 276 do Sector Selectivo (SS), com o australiano Toby Price (KTM) e o argentino Kevin Benavides (Honda) a serem os primeiros a chegar e a ficarem junto do piloto português, de pronto socorrido, que estava em paragem cardíaca da qual não foi possível recuperar. Destroçado ficou, também, Joaquim Rodrigues Jr., piloto que, além de fazer equipa com Paulo Gonçalves na Hero, era cunhado do malogrado piloto.

O argentino acabaria por vencer o SS, ao ser-lhe retirado o tempo da paragem e em consequência do estado emocional em que ficaram os pilotos das duas rodas, que perderam um amigo e uma figura da disciplina, a organização decidiu anular a etapa de amanhã para as motos, que permanecerão em Wadi Al-Dawasir, onde a etapa começa e acaba.

Nos automóveis, o espanhol Carlos Sainz (Mini) foi o mais rápido no SS e aumentou a vantagem sobre os seus mais directos perseguidores, enquanto nos SSV o norte-americano Blade Hildebrand (OT3) a impor-se e o zimbabuano Conrad Rautenbach (PH-Sport), navegado pelo português Pedro Bianchi Prata, a subir para quinto.

AMBIENTE DE CONSTERNAÇÃO

NO BIVOUAC DE WADI AL-DAWASIR

O ambiente em Wadi Al-Dawasir é de enorme consternação, com todos os participantes a lamentarem, das mais diversas formas, a morte do piloto português, a exemplo do que sucedeu em Portugal, onde vários praticantes já expressaram a sua dor pela morte do companheiro de tantas provas.

A organização do Rali Dakar decidiu assim cancelar a oitava de 12 etapas para motos e quads, prevista para esta segunda-feira. A decisão foi tomada «em conjunto com equipas e pilotos» e surge devido à «consternação que afectou, sobretudo, os pilotos das motos», pois o português Paulo Gonçalves «era uma figura querida da prova, imensamente respeitado tanto pelos veteranos como pelos menos experientes pilotos que o admiravam e se sentiam inspirados por ele», escreveu a organização, em comunicado.

A anulação da etapa, com partida e chegada em Wadi Al Dawasir, surge «para dar tempo aos pilotos de fazerem o luto» pela morte do piloto português, em que a caravana homenageou Paulo Gonçalves esta noite, no acampamento da prova, reunindo todos os participantes.

Paulo Gonçalves faleceu na sétima etapa do Dakar 2020, o 13.º da sua carreira. O piloto de Esposende estreou-se naquela que muitos consideram ser a prova mais perigosa do mundo em 2006, alcançando o 25.º lugar. Somou quatro “top 10”, tendo alcançado o segundo lugar em 2015. Venceu três etapas (2016, 2015 e 2011), não tendo conseguido terminar a prova por cinco vezes (2010, 2011, 2014, 2016, 2019).

Faleceu este domingo, na sétima etapa do Dakar 2020, realizado na Arábia Saudita, sendo um dos pilotos que realizou o Dakar nos três continentes: África, América do Sul e Ásia.

DAVID CASTERA SALIENTOU

TENACIDADE DE PAULO GONÇALVES

O francês David Castera, director do rali Dakar, salientou a tenacidade de Paulo Gonçalves, que há poucos dias mudava o motor da sua moto e hoje morreu na sétima etapa da corrida: «O Paulo era meu companheiro, estava no Dakar há muito tempo, toda a gente o conhecia. Há cinco etapas estava a mudar o motor da sua moto, era muito tenaz. Conhecia os riscos de um rali, quando o pior acontece é muito difícil para todos», disse.

David Castera, que este ano substituiu Etienne Lavigne na direcção da mítica prova de todo-o-terreno, explicou, num vídeo divulgado pela organização e que homenageia o piloto português, não se saber muito sobre o acidente ao quilómetro 273.

«Não sabemos as circunstâncias, era um segmento rápido e foi onde o Paulo teve o acidente, os médicos tentaram reanimá-lo, mas, infelizmente, não conseguiram e ele morreu ao quilómetro 273 da sétima etapa», explicou.

O vídeo, publicado na página oficial da competição, fala em «dia negro no Dakar 2020» e mostra depoimentos de Ricky Braber, da Honda, por onde Paulo Gonçalves passou, ou dos campeoníssimos Stéphane Peterhansel e Carlos Sainz.

«Nunca sabemos o que vai acontecer, hoje perdemos um dos nossos, o Paulo Gonçalves», referiu Ricky Braber, enquanto Séphane Peterhansel falou das dúvidas que estas situações colocam em relação à importância da competição e Sainz falou na tristeza de todos.

A morte de Paulo Gonçalves, na sequência de uma queda este domingo no Rali Dakar, uniu vários desportistas, da canoagem, do andebol, judo, ciclismo ou futebol, em homenagem ao piloto português. Dezenas de figuras públicas, da política ao desporto, passando pelos mais diversos estratos sociais, já manifestaram a sua dor pelo fatídico acidente. O piloto de Esposende foi um piloto do Mundo que, durante vários anos, fez escala em Coimbra, na Motogomes.

8.ª ETAPA CANCELADA PARA AS MOTOS

Esta segunda-feira, as equipas de assistência permanecem em Wadi Al-Dawasir, com os concorrentes de automóveis e camiões a terem de enfrentar uma especial de 477 km, com os amantes da velocidade a terem uma recta de 40 km para acelerarem a fundo, mas haverá também 23% de dunas, que exigem a descoberta da forma das superar, para além de muita areia (58%) e terra (19%) num traçado onde a navegação volta a ser determinante. A oitava de 12 etapas para motos e quads, prevista para segunda-feira, foi cancelada devido à morte do português Paulo Gonçalves.

CLASSIFICAÇÕES

7.ª ETAPA (546 KM)

MOTOS – 1.º, Kevin Benavides (Honda), 4.36’22”; 2.º, Joan Barreda Bort (Honda), a 1’23”; 3.º, Matthias Walkner (KTM), a 4’17”; 4.º, Luciano Benavides (Honda), a 4’48”; 5.º, Ricky Brabec (Honda), a 4’52”; 6.º, Jose Cornejo (Honda), a 6’12”; 7.º, Toby Price (KTM), a 7’57”; 8.º, Pablo Quintanilla (Husqvarna), a 8’44”; 9.º, Andrew Short (Husqvarna), a 9’02”; 10.º, Franco Caimi (Yamaha), a 9’50”; …; 30.º, Mário Patrão (KTM), a 36’12”; …; 34.º, António Maio (Yamaha), a 39’42”; …; 38.º, Fausto Mota (Husqvarna), a 47’18”

AUTOMÓVEIS – 1.º, Carlos Sainz/Lucas Cruz (Mini), 4.16’11”; 2.º, Nasser Al-Attiyah/Mathieu Baumel (Toyota), a 2’12”; 3.º. Stéphane Peterhansel/Paulo Fiúza (Mini), a 2’53”; 4.º, Bernhard Ten Brinke/Tom Colsoul (Toyota), a 2’58”; 5.º, Yazzed Al-Rahji/Konstantin Zhiltsov (Toyota), a 7’36”; 6.º, Fernando Alonso/Marc Coma (Toyota), a 7’49”; 7.º, Giniel De Villiers/Alex Haro (Toyota), a 10’19”; 8.º, Jakub Przygonski/Timo Gottschalk (Orlen), a 12’47”; 8.º, Jakub Przygonski/Timo Gottschalk (Orlen), a 11’41”; 9.º, Orlando Terranova/Bernardo Graue (Mini), a 12’04”; 10.º, Yasir Seaidan/Kuzmich Alexy (Mini), a 13’32”; …;  57.º, Benediktas Vanagas/Filipe Palmeiro (Toyota), a 3.59’59”

SSV – 1.º, Blade Hildebrand/François Cazalet (OT3), 4.36’22”; 2.º, Casey Currie/Sean Berriman (Can-Am), a 11’15”; 3.º, Aron Donzala/Maciej Marton (Can-Am), a 13’16”; 4.º, Cyril Despres/Michael Horn (OT3), a 14’13”; 5.º, Austin Jones/Kellon Walch (Can-Am), a 14’42”; …; 10.º, Conrad Rautenbach/Pedro Bianchi Prata (PH-Sport), a 21’31”

GERAL

MOTOS – 1.º, Ricky Brabec (Honda), 28.25’01”; 2.º, Pablo Quintanilla (Husqvarna), a 24’48”; 3.º, Jose Cornejo (Honda), a 27’01”; 4.º, Toby Pryce (KTM), a 28’44”; 5.º, Joan Barreda Bort (Honda), a 29’29”; 6.º, Matthias Walkner (KTM), a 33’04”; 7.º, Luciano Benavides (KTM), a 38’58”; 8.º, Skyler Howes (Husqvarna) a 1.15’02”; 9.º, Franco Caimi (Yamaha), a 1.15’31”; 10.º, Stefan Svitko (KTM), 1.19’41”; …; 29.º, António Maio (Yamaha), a 4’47’02”; …; 34.º, Fausto Mota (Husqvarna), a 6’15’27”; …; 37.º, Mário Patrão (KTM), a 6.49’37”

AUTOMÓVEIS – 1.º, Carlos Sainz/Lucas Cruz (Mini), 27.49’14”; 2.º, Nasser Al-Attiyah/Mathieu Baumel (Toyota), a 10’00”; 3.º Stéphane Peterhansel/Paulo Fiúza (Mini), a 19’13”; 4.º, Yazzed Al-Rahji/Konstantin Zhiltsov (Toyota), a 44’24”; 5.º, Orlando Terranova/Bernardo Graue (Mini), a 55’58”; 6.º, Giniel De Villiers/Alex Haro(Toyota), a 1.05’58”; 7.º, Bernard Ten Brinke/Tom Colsoul (Toyota), a 1.15’56”; 8.º, Mathieu Serradori/Fabian Lurquin (Century), a 1.21’57”; 9.º, Yasir Seaidan/Kuzmich Alexy (Mini), a 2.13’43”; 10.º, Wei Han/Min Lião (Geely), a 3.08’30”; …; 20.º, Benediktas Vanagas/Filipe Palmeiro (Toyota), a 6.01’37”.

SSV – 1.º, Casey Currie/Sean Berriman (Can-Am), 34.40’04”; 2.º, Francisco Lopez/Juan Pablo Vinagre (Can-Am), a 32’03”; 3.º, Sergei Kariakin/Anton Vlasiuk (Can-Am), a 42’57”; 4.º, Jose Antonio Lopez/Diego Gil (Can-Am), a 58’49”; 5.º, Conrad Rautenbach/Pedro Bianchi Prata (PH-Sport), a 1.00’42”

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