Hamilton vence na Arábia e iguala Verstappen

É a terceira vitória seguida do piloto inglês, a oitava da temporada, que lhe permite igualar Max Verstappen na liderança de pilotos, ambos com 369,5 pontos. O título decide-se na última corrida, mas a vantagem é do neerlandês, que tem mais um triunfo.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

Tudo para decidir dentro de uma semana, no Abu Dhabi, depois de uma corrida, que teve duas interrupções, três fases de “Safety Car Virtual” (SCV) para a pista ser limpa dos destroços provocados pelos inúmeros “toques”, alguns bem violentos.

A prova na Arábia Saudita foi ganha pelo inglês Lewis Hamilton (Mercedes), com o neerlandês Max Verstappen (Red Bull/Honda) a terminar em segundo e o finlandês Valtteri Bottas (Mercedes) a conquistar, em cima da meta, o derradeiro lugar do pódio, à frente do francês Esteban Ocon (Alpine/Renault), com 0,102” a separá-los, depois de uma intensa luta entre os dois nas derradeiras voltas.

No fundo aconteceu aquilo que alguns temiam, uma vez que estávamos num circuito citadino, com os muros de protecção junto ao asfalto e sem escapatórias, pelo que qualquer embate podia provocar situações que levassem à neutralização da corrida.

E foi exactamente isso que aconteceu, com os três aparecimentos do SCV a acontecerem para os comissários puderem limpar a pista dos pedaços de carroçaria que ia caindo, em consequência dos “toques” que ocorreram.

Como consequência de ter vencido pela 103.ª vez, sétima na temporada, e ter garantido o ponto da volta mais rápida, Lewis Hamilton e Max Verstappen vão entrar, domingo, no Circuito Yas Marina, que encerra a temporada, empatados no comando do campeonato, com o neerlandês a ocupar a primeira posição por ter maior número de vitórias (9-8).

A corrida começou com os dois Mercedes a manterem as duas primeiras posições à frente de Max Verstappen, mas o despiste do alemão Mick Schumacher (Haas/Ferrari), na 10.ª volta, levou primeiro à entrada do “Safety Car” e quatro voltas depois à interrupção da corrida.

O neerlandês ocupou o primeiro lugar, à frente do inglês, por não ter trocado de pneus, com Esteban Ocon a beneficiar da paragem do finlandês para ascender ao terceiro lugar por também ele não ter trocado de pneus.

Na segunda partida foi a vez de Max Verstappen largar da “pole position”, com Lewis Hamilton ao seu lado, e com Esteban Ocon e Valtteri Bottas na segunda linha.

O inglês arrancou melhor que o seu adversário mas, na primeira curva, um desentendimento entre os dois permitiu ao piloto da Red Bull manter o comando, enquanto Esteban Ocon conseguia intrometer-se entre os dois candidatos ao título.

Só que um “toque” entre o monegasco Charles Leclerc (Ferrari) e o mexicano Sergio Perez (Red Bull/Honda) lançou a confusão no meio do pelotão, com o russo Nikita Mazepin (Haas/Ferrari) a entrar pela traseira do inglês George Russell (Williams/Mercedes), que tinha travado para evitar a confusão, o que levou à imediata interrupção da corrida.

E foi aí que aconteceu o impensável. De acordo com os regulamentos, quando uma corrida é interrompida é considerada a classificação da volta anterior, o que quer dizer que a grelha para a terceira partida devia ser a da segunda, por os pilotos não terem completado uma única volta.

Só que o director da prova, aparentemente sem consultar o Colégio de Comissários, propôs às equipas que fosse Esteban Ocon a largar da “pole”, com Lewis Hamilton a seu lado e Max Verstappen na terceira posição, por o holandês ser penalizado por ter excedido os limites da pista, na defesa do anterior ataque de Lewis Hamilton.

O director de prova deveria ter tomado uma decisão, ou seja, ter o acordo do Colégio de Comissários e comunicá-la às equipas, sem ter de obter o prévio acordo destas.

No terceiro arranque, Max Verstappen tirou partido do facto de ter optado por montar pneus médios e, logo na primeira curva, ascendeu ao comando, beneficiando do facto de Lewis Hamilton ter aberto o “buraco” por onde o neerlandês se infiltrou.

A partir daí assistiu-se a um duelo entre os dois, com os carros a chegarem a “tocar-se” e o inglês ficar com o suporte lateral direito da asa dianteira danificado, mas a acabar por garantir a vitória que adia a decisão do título de pilotos para a derradeira corrida.

Em termos de “Mundial” de Constutores, a Mercedes entra no Yas Marina, com 28 pontos de avanço sobre a Red Bull, graças ao terceiro lugar de Valtteri Bottas e ao abandono de Sergio Perez, com o finlandês a garantir, desde já, o degrau mais baixo do pódio final, e com o título de construtores a estar quase nas mãos da marca alemã.

Apesar de ter colocado os dois carros nos pontos, a australiano Daniel Riccardo (McLaren/Mercedes), em quinto, e o inglês Lando Norris (McLaren/Mercedes), em décimo, a marca de Woking viu o terceiro lugar do “Mundial” de Construtores ir para Maranello que com o sexto lugar do monegasco Charles Leclerc (Ferrari) e o sétimo do espanhol Carlos Sainz (Ferrari) garantiu o último lugar do pódio.

Ainda nos lugares pontuáveis classificaram-se o francês Pierre Gasly (Alpha Tauri/Honda), em sexto, e o italiano Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo/Ferrari), em nono, que nas derradeiras corridas quer mostrar a injustiça do seu afastamento da F1.

FICHA DA PROVA

Grande Prémio – STC Saudi Arabian Qatar Grand Prix

Circuito – Jeddah Corniche Circuit,

Extensão – 308,450 km = 50 x 6,174 km

“Pole position” – Lewis Hamilton (Mercedes W12/Mercedes), 1 volta (6,174 km), em 1’27,511” (253,984 km/h)

Grelha de partida1.ª linha: Lewis Hamilton (Mercedes W12/Mercedes), 1’27,511”; Valtteri Bottas (Mercedes W12/Mercedes), 1’27,622”; 2.ª linha: Max Verstappen (Red Bull RB16B/Honda), 1’27,653”; Charles Leclerc (Ferrari SF21/Ferrari), 1’28,054”; 3.ª linha: Sérgio Perez (Red Bull/Honda), 1’28,123”; Pierre Gasly (Alpha Tauri AT02/Honda), 1’28,125”; 4.ª linha: Lando Norris (McLaren MCL35/Mercedes), 1’28,180”; Yuki Tsunuda (Alpha Tauri AT02/Honda), 1’28,442”; 5.ª linha: Esteban Ocon (Alpine A521/Renault), 1’28,647”; Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo C41/Ferrari), 1’28,754”; 6.ª linha: Daniel Riccardo (McLaren MCL35/Mercedes), 1’28,668”; Kimi Raikkonen (Alfa Roneo C41/Ferrari), 1’28,885”; 7.ª linha: Fernando Alonso (Alpine A521/Renault), 1’28,920”; George Russell (Williams FW43B/Mercedes), 1’29,054”; 8.ª linha: Carlos Sainz (Ferrari SF21/Ferrari), 1’53,652”; Nicholas Latifi (Williams FW43B/Mercedes), 1’29,177”; 9.ª linha: Sebastian Vettel (Aston Martin AMR21/Mercedes), 1’29,198”; Lance Stroll (Aston Martin AMR21/Mercedes), 1’29,368”; 10.ª linha: Mick Schumacher (Haas VF-21/Ferrari), 1’29,464”; Nikita Mazepin (Haas VF-21/Ferrari), 1’30,473”

Comandantes sucessivos – Lewis Hamilton, da 1.ª à 10.ª volta; Max Verstappen, da 11.ª a 15.ª volta, Esteban Ocon, na 16.ª volta; Max Verstappen, da 17.ª à 42.ª volta; Lewis Hamilton, da 43.ª à 50.ª volta

Volta mais rápida – Lewis Hamilton (Mercedes W12/mercedes), 1 volta (6,174 km), em 1’30,734” (244,962 km/h)

Vencedor – Lewis Hamilton, 50 voltas (308,450 km), em 2.06’15,118” (146,587 km/h)

CLASSIFICAÇÃO

POS. PILOTO CARRO MOTOR TEMPO
1.º Lewis Hamilton Mercedes W12 Mercedes 2.06’15,118″
2.º Max Verstappen Red Bull 16B Honda a 11,825″
3.º Valtteri Bottas Mercedes Mercedes a 27,531″
4.º Esteban Ocon Alpine A521 Renault a 27,633″
5.º Daniel Ricciardo McLaren MCL35 Mercedes a 40,121″
6.º Pierre Gasly Alpha Tauri AT02 Honda a 41,613″
7.º Charles Leclerc Ferrari SF21 Ferrari a 44,475″
8.º Carlos Sainz Ferrari SF21 Ferrari a 46,606″
9.º Antonio Giovinazzi Alfa Romeo C41 Ferrari a 58,505″
10.º Lando Norris McLaren MCL35 Mercedes a 1’01,358″
11.º Lance Stroll Aston Martin AMR21 Mercedes a 1’17,2122
12.º Nicolas Latifi Williams FW43 B Mercedes a 1’23,249″
13.º Fernando Alonso Alpine A521 Renault a 1 volta
14.º Yuki Tsunoda Alpha Tauri AT02 Honda a 1 volta
15.º Kimi Raikkonen Alfa Romeo C41 Ferrari a 1 volta

CLASSIFICAÇÕES DOS “MUNDIAIS”

PILOTOS – 1.º, Max Verstappen, 369,5 pontos; 2.º, Lewis Hamilton, 369,5; 3.º, Valtteri Bottas, 218; 4.º Sérgio Perez, 190; 5.º, Charles Leclerc, 158; 6.º, Lando Norris, 154; 7.º, Carlos Sainz, 149,5; 8.º, Daniel Ricciardo, 115; 9.º, Pierre Gasly, 100; 10.º, Fernando Alonso, 77; 11.º, Esteban Ocon, 72; 12.º, Sebastian Vettel, 43; 13.º, Lance Stroll, 34; 14.º, Yuki Tsunoda, 20; 15.º, George Russell, 16; 16.º, Kimi Raikkonen, 10; 17.º, Nicholas Latifi, 7; 18.º, Antonio Giovinazzi, 3

CONSTRUTORES – 1.º, Mercedes-AMG Petronas F1 Team, 587,5 pontos; 2.º, Red Bull Racing Honda, 559,5; 3.º, Scuderia Ferrari Mission Winnow, 307,5; 4.º, McLaren F1 Team, 269; 5.º, Alpine Renault, 149; 6.º, Scuderia Alpha Tauri Honda, 120; 7.º, Aston Martin Cognizant F1 Team, 77; 8.º, Williams Mercedes, 23; 9.º, Alfa Romeo Racing Ferrari, 13

Próxima prova – Etihad Airways Abu Dhabi Grand Priz, no Yas Marina, dia 12 de Dezembro.

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