Guarda Racing Days é a loucura de pai e filho

O desporto automóvel desfruta um alcance fora do comum que ultrapassa fronteiras. Uma prova pode originar grandes volumes de pessoas provenientes dos mais diversos locais. Naturalmente que não faltam histórias e peripécias para contar, muitas históricas e emocionantes.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Ruben e Norberto Leitão

A história mais recente passou-se na Guarda Racing Days, em que um pai e um filho posicionaram-se ao “fresco” de uma árvore na encosta junto ao Hotel Vanguarda para ver “in loco” pilotos e máquinas. Dois “loucos”, como carinhosamente foram apelidados, porque ocuparam o local privilegiado hora e meia antes do início do “warm-up”, marcado para as 10h00.

Ainda o ponteiro do relógio não marcava 8h30 e já os dois “exagerados” por chegar a tempo e a horas abriam as hostilidades na “bancada” natural do traçado da Guarda Racing Days para não perder pitada da iniciativa do Clube Escape Livre e Câmara Municipal da Guarda. Às primeiras horas tiveram direito a guarda de honra, com dois agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) a juntarem-se à sombra da já referida árvore e a preencher os primeiros metros quadrados de público.

Os desportos motorizados fazem parte do ADN de Norberto Leitão (pai) e Ruben Leitão (filho). Os dois combinaram no pretérito sábado para acompanhar a par e passo a Guarda Racing Days, mas para isso tiveram de percorre cerca de 45 km e cerca de 25 minutos, distância entre Vila do Carvalho, na Covilhã, até à cidade mais alta de Portugal.

Ruben e Norberto Leitão

Na véspera das grandes decisões da competição, Norberto Leitão, de 54 anos, que aceitou o repto do filho Ruben Leitão, de 20 anos, para esta peripécia, não pestanejou e lá foi preencher o espaço interior de uma geleira portátil com sandes, batatas fritas, minis e panachés, munidos de duas cadeiras, importantes para descansar o corpo durante horas a fio.

«Quando temos oportunidades não faltamos às competições motorizadas», começou por confidenciar Norberto Leitão, trabalhador da construção civil, sobretudo na reparação das instalações da Telepizza, empresa espanhola com grande participação no mercado português, embora opere em toda a Europa.

«Os desportos motorizados é um fascínio de garoto», sublinhou o progenitor, recebendo a resposta de imediato do descendente, afirmando, com um sorriso nos lábios, que «o encanto por esta modalidade nasceu ainda na barriga daminha mãe, quando os meus pais iam ver o Rali de Portugal».

Ruben e Norberto Leitão

Sobre a presença na Guarda Racing Days, Ruben Leitão declarou que «em 2019 tinha sido um sucesso e, por isso, este ano quis testemunhar se era verdade ou não, e posso afiançar que estou a adorar, com apenas um reparo: faltam aqui as motos para que a cereja ficasse no topo do bolo», sustentou o jovem que trabalha na Telepizza mas que está de malas e bagagens para a Ropre, empresa de fabricação de plástico na Covilhã.

Já o pai mostrou-se «muito agradado» com tudo o que rodeou a Guarda Racing Days, manifestando, todavia, «o forte desejo de andar ao lado do piloto Manuel Correia, no Mitsubishi azul».

Em vários anos de desporto automóvel, não faltam, de facto histórias emotivas para que possa ser entendido o desporto automóvel e a razão pela qual existem cada vez mais “arrebatados” pelo conjunto de modalidades desportivas com motores. O desporto automóvel é, efectivamente, muito mais que histórias. É uma realidade que, infelizmente, ainda hoje tem um obstáculo de betão para captar mais gente. A Guarda Racing Days é uma competição de sucesso que poderá muito bem ser reproduzida noutras cidades.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *