“Ganhar em Portugal é uma tradição a manter”

Tiago Monteiro, o único português em pista, fará as “honras” da casa e é um dos favoritos à vitória, depois de um arranque de época logo a vencer.

(auto.look2010@gmail.com)

A Taça do Mundo de Carros de Turismo está de regresso a Portugal. O Circuito do Estoril recebe a 3.ª e 4.ª ronda da temporada do FIA WTCR e a expectativa é grande entre os fãs nacionais. Numa pista onde já foi bem-sucedido no passado e a correr no seu país, onde habitualmente soma sucessos, Tiago Monteiro está mais motivado que nunca para conseguir os resultados necessários que lhe permitam conquistar o título que tem escapado.

O Eurosport entrevistou o piloto da Honda em exclusivo antes do arranque de um fim-de-semana que promete muita velocidade e adrenalina. As corridas do WTCR no Estoril vão ser disputadas este domingo, a primeira, com 13 voltas, a partir das 12h00, e a segunda, com 15, às 15h00, ambas com transmissão em directo no Eurosport 2 e comentários de Vítor Sousa.

AUTOSPORT – A vitória no início da temporada é um bom presságio?

TIAGO MONTEIRO – Ganhar a primeira corrida da temporada é bom. Obviamente dá a entender que estamos fortes e dá uma motivação extra para todos. Não que precise de mais motivação, mas é sempre bom começar assim. Por outro lado, a Nordschleife não é uma pista muito normal. É bastante atípica. Não é uma referência. Não dá para comparar às outras pistas. Podemos estar muito fortes na Nordschleife e isso não quer dizer que estejamos fortes noutras ou vice-versa. Mas, dá sempre para entender que não estamos muito mal e os “updates” que tivemos este ano resultaram muito bem.

EUROSPORT – Ganhar em Portugal é uma tradição a manter?

TIAGO MONTEIRO – Ganhar em Portugal é uma tradição a manter! Espero que sim. Eu já ganhei no Estoril, no WTCC, no Algarve também. No WTCR já ganhei duas vezes em Vila Real, mas aí era realmente porque não só eu gosto muito de circuitos citadinos, e costumo estar forte sempre desde o início, mas também as características do nosso carro que eram perfeitas para percursos citadinos. Os Honda sempre foram fortes. Eu ganhei várias vezes em Marraquexe, ganhei em Macau e ganhei em Vila Real. Nos circuitos mais agressivos, com ressaltos, pisos irregulares e chicanes agressivas, o nosso carro era sempre muito bom. O Estoril é uma pista mais tradicional, algo que não era o nosso forte no ano passado, mas vamos ver se com as alterações o carro fica melhor.

EUROSPORT – Que recordações guarda do Circuito do Estoril?

TIAGO MONTEIRO – Tenho muitas memórias do Estoril. Algumas das primeiras corridas que fiz ou o primeiro teste de Fórmula 3000 que foi no Estoril. As primeiras corridas de ‘Endurance’ foram no Estoril. As duas últimas vitórias lá na World Series em 2004 e depois umas das minhas primeiras vitórias no WTCC. Foi a segunda ou terceira. Aconteceu no Estoril com uma grande ultrapassagem por fora. Nunca mais me vou esquecer disso. Tenho muitas boas memórias. Gosto muito. Mas, lá está. É daquelas pistas onde o piloto não faz assim tanta diferença como noutras. É mais importante ter um bom carro.

EUROSPORT – Como é ser pai de um rapaz que quer fazer carreira no desporto motorizado? Pai sofre?

TIAGO MONTEIRO – Sim, o pai sofre obviamente quando tem um filho que enverga nesta direção, nesta modalidade. Agora percebo melhor o que os meus pais sofreram. Eu acho que ele já tem muita sorte de ter um talento de base. Sem isso seria mais difícil, tanto para ele como para os pais. Mas, ele já demonstrou ter muito talento com apenas 11 anos. E isso já é uma grande vantagem. Agora, o tempo dirá o que ele será capaz de fazer e o que é que ele quererá fazer no futuro. Mas, por enquanto, está a divertir-se muito. Está a gostar. Está a viver esta fase da vida dele de uma forma muito empenhada, quase profissional, e é muito interessante poder partilhar esta paixão juntos, como eu partilhei com o meu pai. Agora o que o vai acontecer daqui para a frente? Só o tempo dirá. Irei fazer o meu melhor possível para ele, como qualquer pai…mas sofremos muito de fora realmente.

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