Filipe Albuquerque: “Vencer é um vício”

Já em Portugal e depois de vencer as 24 Horas de Le Mans, piloto de Coimbra dedicou a vitória ao pai, falecido há cerca de um mês, enaltecendo também os exemplos de António Félix da Costa e Miguel Oliveira, afirmando que é importante «incentivar os mais novos para chegar longe».

(auto.look2010@gmail.com) – Fotos: JOSÉ SENA GOULÃO

Filipe Albuquerque, da equipa United Autosports e vencedor das 24 Horas de Le Mans em automobilismo, na categoria LMP2, afirmou já ter tido a sua dose de derrotas, apontando a mira a triunfos sempre na próxima corrida.

«Ganhar é viciante. É bom, dá mais confiança. O objectivo é sempre ganhar a próxima corrida. Quero ganhar o campeonato da Europa, quero concretizar o campeonato do Mundo, estou muito próximo, mas falta o próximo. Já sou muito experiente, já tive a minha dose de derrotas, sei que vou perder muitas corridas pela frente, como é claro, mas vou passo a passo», frisou, em conferência de imprensa realizada no auditório do aeroporto de Lisboa, após a sua chegada.

O triunfo valeu ao piloto de Coimbra, que faz equipa com os britânicos Phil Hanson e Paul di Resta, no Oreca número 22, a conquista matemática da Taça do Mundo de Resistência na classe LMP2. Para que o título seja efectivo, basta a Filipe Albuquerque alinhar à partida da última prova, no Bahrain.

Caracterizando a prova como, «por vezes, ingrata e muito difícil», mas só quem a vive «é que começa a perceber o quão de especial Le Mans tem», Filipe Albuquerque diz ser preciso igualmente «ter a estrelinha da sorte», numa corrida que foi «muito disputada até ao final».

«As coisas têm-nos corrido bastante bem nas últimas corridas, esta é a minha quarta vitória no campeonato do Mundo seguida, foi o novo recorde, mas eu só acredito após cruzar a meta. Às vezes, parece que está tudo controlado, mas não está. Esta oportunidade veio uma vez, é raro ter essa oportunidade e conseguir agarrá-la com a vitória», sublinhou.

O português bateu a equipa Jota do outro português em prova, António Félix da Costa. O conimbricense considerou «especial e muito bom» estar com um compatriota no pódio: «Temos andado desencontrados, por causa da nossa diferença de idade. A primeira vez que partilhámos um pódio ele ganhou e eu fiquei em segundo, já saberíamos que íamos ter este momento daqui para a frente e foi espectacular. Já lhe disse que ele já foi campeão este ano, tinha de deixar alguma coisa para mim», brincou.

Filipe Albuquerque juntou este triunfo ao Campeonato de Fórmula E conquistado por António Félix da Costa e à vitória inédita de uma etapa do MotoGP por Miguel Oliveira, realçando que se está a colher o que se semeou «há vários anos».

«Eu comecei no karting, eu e o António fomos colegas de equipa na altura, na equipa que o Pedro Couceiro e o irmão criaram para ajudar os mais novos a encaminhar pelo futuro porque, sendo apoiados, podem brilhar como os outros. Percorri o caminho das pedras e eu e o António, coincidentemente, estamos a ganhar no mesmo ano. O Miguel também não é de hoje, foi de um trabalho de muitos anos, muito investimento. Temos de ajudar, incentivar e fazer acreditar os mais novos que, bem apoiados, conseguimos chegar muito longe», alertou.

Para o futuro, Filipe Albuquerque não baixa os braços e revelou que, durante o voo, esteve a fazer o «relatório para a equipa, a dizer o que é que se pode melhorar», apontando para a conquista do campeonato da Europa de resistência, com a próxima corrida a disputar-se em Monza, Itália.

Uma vitória nas 12 horas de Sebring é outro grande objectivo do piloto luso, que lamentou ter de declinar a sua presença para poder efectivar o título da Taça do Mundo de Resistência, na última prova, no Bahrain.

«Tentei falar com os presidentes de cada campeonato, para ver se conseguiam alterar a data. Acho que vou ter de optar, mas o campeonato do Mundo acaba por ser mais importante. Para já, vou para o Bahrain e vou ter de pedir à minha equipa para me substituírem nas 12 Horas de Sebring este ano», explicou o embaixador do Clube Automóvel do Centro, avisando que, para o ano, tem o objectivo de vencer a prova norte-americana.

O piloto de Coimbra agradeceu à família, agentes e amigos a vitória e, muito emocionado, dedicou o triunfo ao seu pai, falecido há cerca de um mês. Esta foi a segunda vitória portuguesa na mais emblemática das provas de resistência na Europa depois de, em 2012, Pedro Lamy ter vencido a categoria GT AM.

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