Filipe Albuquerque estava “pronto para a guerra”

Piloto de Coimbra da Wayne Taylor Racing venceu as 24 Horas de Daytona, uma das mais míticas provas mundiais de resistência automóvel, dividindo a condução do Acura Acura ARX-05 com os norte-americanos Ricky Taylor e Alexander Rossi e o brasileiro Hélio Castroneves.

(auto.look2010@gmail.com)

Filipe Albuquerque, que este domingo venceu as 24 Horas de Daytona, uma das mais míticas provas mundiais de resistência automóvel, revelou hoje que estava «pronto para a guerra» que seriam as últimas voltas da prova. O piloto de Coimbra admitiu que só ficou «um bocadinho mais relaxado» quando entrou «na última volta com uma vantagem de seis segundos» para o adversário mais próximo.

«Quando entrei na última volta, com uma vantagem de seis segundos, fiquei um bocadinho mais relaxado. Até lá, ainda fiquei muito tenso porque os pilotos que estavam em segundo e em terceiro lugares também estavam muito rápidos. Mantive a concentração. Quando entrei na recta da meta fiquei bastante contente e nem estava a acreditar que íamos ganhar esta corrida, que foi tão difícil para nós», sublinhou Filipe Albuquerque.

O piloto da Wayne Taylor Racing, que se estreava aos comandos do Acura, revelou que a sua equipa tinha «uma ligeira desvantagem em termos de andamento para os Cadillac», por isso, ser o primeiro a ver a bandeirada de xadrez «foi uma sensação de realização e de alívio», até porque acabou de chegar à nova equipa e ganhou «logo à primeira».

«Também foi a primeira vez que o construtor Acura ganhou em Daytona e ter sido pelas minhas mãos é um orgulho», sustentou o conimbricense à Agência Lusa, que festejou no domingo o segundo triunfo à geral nesta mítica corrida, depois de em 2018 ter vencido juntamente com o portuense João Barbosa. Filipe Albuquerque já tinha vencido em Daytona também em 2013, mas na classe GTD.

«Todas as vitórias são saborosas, são todas muito boas, sobretudo neste nível. Estamos a falar dos melhores pilotos, alguns com passagem pela Fórmula 1, Nascar, Indycar. Os melhores do mundo querem fazer parte desta corrida e ganhar nunca é demais. Mas esta tem um sabor especial. Nos últimos tempos foi das mais difíceis, sem dúvida. Não só as últimas duas horas, mas as últimas 12. Por acaso fui eu que cheguei à liderança, mas, a partir daí, tivemos de aguentar o primeiro lugar. Se não foi a mais saborosa, foi muito próximo disso», frisou o piloto de Coimbra, que regressa amanhã, terça-feira, a Portugal.

A corrida em Daytona teve uma ponta final de grande emoção, com o holandês Renger van der Zande (Cadillac) a recuperar seis segundos em poucas voltas, colando-se à traseira do carro do português a menos de meia hora do final.

«Quando o Renger van der Zande se aproximou eu sabia que ele estava mais rápido. Mas uma coisa é estar mais rápido e aproximar-se e outra completamente diferente é conseguir passar-me. Estava decidido a dar luta e a não o deixar passar tão facilmente. Houve uma vez que quase me passou, mas, nas últimas três voltas, antes de ele ter o furo, já tinha abrandado bastante. Sabia que ia depender muito do tipo de trânsito que iríamos apanhar em pista. Ainda faltavam nove voltas e muita coisa iria acontecer. Ele estava às espera que eu cometesse um erro, mas não iria dar-lhe esse prazer. Sabia que tínhamos de ir à guerra e eu estava pronto», sublinhou Filipe Albuquerque, à Agência Lusa.

Vencer logo na estreia pela nova equipa, uma das mais apetecíveis provas nos EUA, foi «um orgulho» para o piloto de 35 anos: «Este triunfo significa para mim muita coisa. Como saí de uma equipa de topo, a Cadillac, onde estive cinco anos, e mudar para outra equipa para a qual havia muitos pilotos para ser contratados, chegar, sem qualquer teste porque a equipa recebeu o carro bastante tarde, ainda por cima ser eu a acabar a corrida, o que não era suposto. Dos quatro pilotos era o que tinha menos experiência com o carro (eles já conhecem o carro há três anos), é um grande orgulho que tenho e uma forma de mostrar o meu valor. Chegar e acabar de uma forma tão renhida deixa-me cheio de orgulho», disse, admitindo que «para o futuro é bom» para a sua carreira.

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