Filipe Albuquerque: “mestrado” da afectuosidade

O piloto de Coimbra regressou, 12 anos depois, a acelerar em Coimbra, numa viatura da United Autosports pelos principais pontos de interesse da cidade cativando todos aqueles que tiveram oportunidade de se cruzar consigo, acabando a missão a ultrapassar a Porta Férrea ao volante de um Ligier JSP217 Gibson, selando-a Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra. Talento de Filipe Albuquerque e a cidade de Coimbra a espalhar pelo mundo…

Texto: CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Fotos: JOÃO DA FRANCA, JOÃO BRANCO, JOÃO PEDRO LOPES E AUGUSTO FERREIRA

Filipe Albuquerque partiu do EFAPEL Estádio Cidade de Coimbra e, em acelerações sucessivas, consumou, para muitos, o impensável: chegar à Baixa ao volante de um Ligier JSP217 Gibson, ligando as margens do rio Mondego, utilizando para o efeito as pontes Europa e Rainha Santa. Na margem esquerda gerou-se o deslumbramento, sobretudo para quem vinha do Portugal dos Pequenitos. Uma viatura de competição circulava à “solta” pelas artérias da cidade e, ainda por cima, aquela que fez furor das míticas 24 Horas de Le Mans.

Já na margem direita, a conjuntura ganhou novos contornos de admiração e fascínio. Escoltado por uma dezena de agentes da Polícia de Segurança Pública de Coimbra – Esquadra de Trânsito liderado pelo comissário Joel Araújo – duas viaturas e seis motos –, o piloto de Coimbra aproveitou os “ventos favoráveis” e, impulsionado pelo motor Gibson V8 atmosférico de 4,2 litros, “puxou as rédeas” aos cerca de 600 “cavalos” e levou o “ponteiro” aos 240 km/h. E tudo isto na “cara” de Joaquim António de Aguiar, estátua de pedra à entrada da cidade, de pena na mão esquerda e papel na mão direita, colocado estrategicamente no Largo da Portagem que, apesar da atenção que dá aos transeuntes, não teve tempo de descortinar a “matrícula” do protótipo inglês da United Autosports.

“Mata Frades”, como Joaquim António de Aguiar é popularmente conhecido, “fechou os olhos” à “transgressão” de Filipe Albuquerque que, resguardado pelos briosos e superiormente sabedores agentes da PSP, “tomou de assalto” a Baixa de Coimbra. Entre esplanadas, ainda em “fase de construção”, e centenas de transeuntes, muitos dos quais estrangeiros, o piloto de Coimbra, em pleno empedrado, foi distribuindo sorrisos, cumprimentos e, à semelhança do Presidente da República, nunca negou uma “selfie”.

Os profissionais da Movielight Produções Audiovisuais e Multimédia e os fotógrafos João da Franca (oficial do evento) e João Pedro Lopes (Câmara Municipal de Coimbra), não tiveram mãos a medir no acompanhamento e progressão do Ligier JSP217 Gibson, numa azáfama partilhada por várias dezenas de pessoas que, com máquinas fotográfica em riste ou, simplesmente, telemóveis, procuravam também o melhor ângulo para “disparar”.

HISTÓRIA DE FILIPE ALBUQUERQUE

CONFUNDE-SE COM A PRÓPRIA HISTÓRIA DA CIDADE

Filipe Albuquerque estava mergulhado num clima de enorme fascínio. A partir do interior do protótipo, o piloto conimbricense deslizava pelas artérias mais emblemáticas da Baixa e estava quase a atingir “coração” de Coimbra. Para trás ficaram as ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz e o Ligier JSP217 Gibson fez-se notar na Praça 8 de Maio, mesmo em frente ao Mosteiro de Santa Cruz, fundado em 1131 pela Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, com o apoio de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I, que nele se encontram sepultados.

Esta história, com o carimbo camarário, confunde-se com a própria história da cidade e, a acção, estava com um capítulo quase a terminar, entrando no seu último terço. Restava subir mais uma curta rampa para Filipe Albuquerque “estacionar” o protótipo, onde o esperava Carlos Cidade, vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra e vereador do Pelouro do Desporto, que à entrada do edifício do Município observava atenciosamente a potência da viatura, deixando um rasto de animação pela cidade.

O piloto conimbricense chegou, viu e apeou-se do Ligier JSP217 Gibson, cumprimentando, com um forte abraço, o conterrâneo, trocando palavras amistosas e saciando a “apetite” dos fotógrafos, admiradores e curiosos para mais um conjunto variado de “disparos”.

ALTA VELOCIDADE JUNTO À ESQUADRA DA PSP

Como a missão estava longe de terminar mas a poucos quilómetros de se concretizada, o protótipo que disputou o European Le Mans Series e mostrou o seu ímpeto nas lendárias 24 Horas de Le Mans, fez-se à estrada e em alta velocidade, mesmo com a esquadra da PSP ali ao lado, cruzando a Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes com a Avenida Sá da Bandeira, chegando num ápice à Praça da República.

A missão era captar imagens num dos imensos espaços verdes da cidade a servir de pano de fundo, o Jardim da Sereia, local que Filipe Albuquerque transpôs diversas vezes durante a instituição de condução. Depois de dose dupla, ou seja, com duas passagens pelo local emblemático da cidade, Filipe Albuquerque dirigiu-se para o início da Rua Castro Matoso e deslumbrar junto às Escadas Monumentais, um dos mais importantes monumentos de Coimbra e local privilegiado para os estudantes praxarem os caloiros, ligando a praça D. Dinis à Praça da República.

Ultrapassados os dois pontos essenciais para a história e tradição da cidade, a “viagem” prosseguiu pelo Aqueduto de São Sebastião, popularmente conhecido como os Arcos do Jardim, localizado na calçada Martim de Freitas, em frente ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.

Foi neste local que a equipa mecânica da United Autosports teve de resolver um enigma no Ligier JSP217 Gibson, o qual recusou-se a cooperar. Mas a operação apenas demorou alguns minutos e Filipe Albuquerque estava prestes a encerar o derradeiro capítulo de um exame que começou cedo, mas a tempo de “contracenar” num casamento junto à Capela de São Miguel da Universidade de Coimbra.

PORTA FÉRREA ULTRAPASSADA

COM SUCESSO E BRILHANTISMO

Filipe Albuquerque esperou, pacientemente, à entrada da Porta Férrea. A noiva, da Póvoa de Lomba (Cantanhede), chegou numa limousine branca, acompanhada por uma dezena de amigas trajadas a azul e entrou para se encontrar com o noivo.

Logo a seguir, foi a vez do piloto de Coimbra solenizar a entrada no recinto universitário. Estava pronto a consumar o teste final. Escoltado, como sempre, pelos 10 agentes da Polícia de Segurança Pública e com elevado profissionalismo e sentido de responsabilidade, Filipe Albuquerque carregou agilmente no botão e fez estremecer o motor do Ligier JSP217 Gibson.

O arco triunfal estava ali à sua frente. A noiva atravessou-o de forma gloriosa, resguardada pelas 10 amigas vestidas de azul. Filipe Albuquerque também se apresentou guardado por 10 agentes. A Porta Férrea foi ultrapassada com sucesso e brilhantismo e, à sua espera, a elementos da Estudantina Universitária de Coimbra assinalaram as festividades.

O “aceleração” final foi na Biblioteca Joanina do século XVIII situada no Palácio das Escolas da Universidade de Coimbra, no pátio da Faculdade de Direito, apresentando um estilo marcadamente barroco, sendo reconhecida com uma das mais originais e espectaculares bibliotecas barrocas europeias.

Detentor do título de “Mestre” da afectuosidade, Filipe Albuquerque expressou, neste singular, uma elevada demonstração de carinho através de gestos, palavras e comportamentos. Filipe Albuquerque reforçou o respeito e a estima dos portugueses e dos conimbricenses em particular. Mais do que um embaixador de Coimbra no Mundo, Filipe Albuquerque delineou nesta missão com responsabilidade e profissionalismo, honrando a confiança dos amigos e de uma comunidade que lhe conferiu o “passaporte” para espalhar a sua cidade pelos quatro cantos do mundo.

Mas a iniciativa não se ficou pelo “mestrado” da afectuosidade, levando Filipe Albuquerque a conduzir o Ligier JSP217 Gibson pelos mais diversos locais emblemáticos de Coimbra. Com imagens captadas pela Movielight Produções Audiovisuais e Multimédia para a criação de um vídeo, o piloto de Coimbra teve na sua terra natal a oportunidade de demonstrar as sensações que podem ser vividas nas 24 Horas de Le Mans mas, sobretudo, um pouco da adrenalina que coabita habitualmente em qualquer pista do mundo.

TROUXE O MEU “ESCRITÓRIO”

ÀS RUAS DA MINHA CIDADE

«Foi um grande dia, memorável para mim e penso que também para as pessoas que se cruzaram comigo e, como Coimbra não vai a Le Mans, vem Le Mans a Coimbra, trazendo ao mesmo tempo o meu “escritório” às ruas da minha cidade. Fiquei muito feliz por ter a oportunidade de fazer esta iniciativa. Sou muito acarinhado por todos e foi a forma que encontrámos de retribuir o infindável apoio», referiu Filipe Albuquerque.

«Sou um piloto muito acarinhado na minha cidade e, para mim, fazia todo o sentido esta iniciativa. Para muita gente, estes carros só são vistos através da televisão, mas é curioso que, passados 12 anos, ainda hoje há muita gente que diz que me viu a conduzir um Fórmula 1 em Coimbra. Esta é também a medida correcta de trazer as corridas às pessoas e aos grandes centros urbanos e, em Coimbra, tem um enorme significado, pois esta “operação” possibilita que as pessoas possam sentir o pulsar – sobretudo pelo barulho que proporciona –, de uma viatura conduzida por alguém que se cruza diariamente quando estou em Coimbra», sustentou o piloto conimbricense.

Posteriormente, e já nas proximidades do EFAPEL Estádio Cidade de Coimbra, Filipe Albuquerque acelerou debaixo e muita chuva mas que não retirou um pingo de entusiasmo aos muitos conimbricenses que se associaram a este evento. Tratou-se de uma demonstração no asfalto nas imediações do referido estádio aos comandos do Ligier JSP217 Gibson que, de certa forma, coadjuvou a reunir energia para a equipa da Académica “acelerar” e a contornar os obstáculos para vencer e eliminar o Portimonense e seguir em frente na Taça de Portugal de futebol.

Filipe Albuquerque, que em Coimbra reuniu familiares, amigos, fãs e admiradores, brindou alguns “sortudos” com doses de adrenalina. O experiente piloto e embaixador da Kia em Portugal mostrou-se entusiasmado ao volante de um modelo da marca que integra o troféu monomarca da marca sul-coreana nos circuitos de Braga, Estoril, Portimão e Vila Real, bem como nas míticas rampas da Falperra e Caramulo, integradas nos Campeonatos Nacionais de Velocidade e Montanha.

Um Kia Picanto foi a viatura de serviço, cativando o olhar e o entusiasmo contagiante dos espectadores.

FILIPE ALBUQUERQUE ENTREGA-SE

DE ALMA E CORAÇÃO COM QUEM SE CRUZA

Recorde-se que Filipe Albuquerque, embaixador da KIA e Clube Automóvel do Centro, que conta com os patrocínios da Câmara Municipal de Coimbra, Cision e, Grupo Isidoro – escritórios e actividade em Coimbra, com empresas distribuídas nos concelhos da Lousã, Miranda do Corvo e Figueira da Foz, já evidenciou os seus dotes de condução ao volante do monovolume do World Series Renault em Portugal, Venezuela, Colômbia e Estónia com as cores da Red Bull. O regresso do experiente e afável piloto à sua terá natal em alta velocidade visou recompensar o apoio e carinho que tem recebido em Coimbra vai ficar na memória de muito boa gente e, ainda por cima, ao volante de um Ligier JSP217 Gibson LMP2 da United Autosports.

Em suma, Filipe Albuquerque, mais que uma figura pública, entrega-se de alma e coração a todos aqueles que com ele se cruza, ganhando a confiança das pessoas de forma muito natural. Esta relação não é “estática” e não se esgota. Esta relação é contínua, fruto da sua simpatia, seriedade e resiliência. Não se trata de uma estratégica, mas sim de um a educação iniciada há 34 anos, dando enorme importância às pessoas, porque sem elas jamais haveria o entusiasmo em redor das corridas. São exemplos destes que devem ser seguidos

O piloto de Coimbra ruma agora a Portimão onde vai disputar a última corrida do ano do European Le Mans Series, já no próximo fim-de-semana de 26 e 27 de Outubro.

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