Félix da Costa com “armas para lutar pela Fórmula E”

O piloto de 28 anos garantiu não ter de «estar a provar» o seu valor face aos seis anos de passagem pela marca germânica.

(auto.look2010@gmail.com)

O piloto português António Félix da Costa garantiu estar em condições de lutar pelo título de campeão na nova época de Fórmula E, depois da mudança da BMW para a equipa campeã DS Techeetah.

«Numa equipa campeã é claro que existe a pressão (do título), mas vejo isso como uma motivação. Andava à procura das armas. Na BMW tínhamos uma arma boa, mas não a melhor. Na DS Techeetah, o pacote é mais completo, tenho aqui as armas certas para poder lutar pelo campeonato», afirmou.

Em entrevista realizada durante os primeiros treinos oficiais com a nova marca, no circuito Ricardo Tormo, em Valência (Espanha), o piloto, de 28 anos, garantiu não ter de «estar a provar» o seu valor face aos seis anos de passagem pela marca germânica.

Na companhia do actual bicampeão, Jean-Éric Vergne, António Félix da Costa lembrou o passado de ambos na Red Bull e revelou que o francês foi uma das razões para a sua mudança neste Verão.

«Quem engendrou a mudança foi o Jean. Obviamente, seria complicado vir para uma equipa campeã, contra o colega campeão, mas, tendo vindo dele, deu-me muita confiança», frisou, sublinhando a relação «muito boa» entre ambos: «Estamos a trabalhar bem juntos. Ficar à frente dele é sempre importante, mas tenho noção de que estou a entrar na “casa” dele, uma equipa francesa, ele é francês e são os campeões. Por isso, vou fazer as coisas com calma».

Num tempo cada vez mais marcado pela consciência ambiental a nível global, António Félix da Costa enalteceu igualmente o papel que a Fórmula E pode desempenhar nesse âmbito, promovendo a mobilidade eléctrica em detrimento dos combustíveis fósseis.

«Estamos a ver o mundo ir nessa direcção e, para estas marcas, isto é um palco. Não só de marketing, mas também de desenvolvimento das unidades motrizes e da tecnologia. Este campeonato é um “boost” para mostrar que os carros eléctricos estão na moda. Agora há carros elétricos muito bonitos, rápidos e com uma autonomia cada vez maior», notou.

O piloto português disse não ver que o crescimento da Fórmula E possa significar uma desvalorização da Fórmula 1, preferindo a coexistência das duas competições no futuro.

«A Fórmula E está a crescer com naturalidade. Não creio que vá ser igual à Fórmula 1 e não queremos ser iguais. A ideia é muito diferente e creio que há espaço para os dois: a Fórmula 1 vai continuar a ter o carro mais rápido do mundo, com o melhor da aerodinâmica, e este é um palco diferente, para construtoras de carros eléctricos virem aqui melhorar os seus veículos e promoverem-nos», explicou, salientando a competitividade da prova.

O piloto português reconheceu que a Fórmula 1 não está mais nos seus horizontes, depois de ter acalentado a esperança de entrar para o “grande circo” durante alguns anos, e nem a perspectiva de uma curta experiência parece convencer o piloto da DS Techeetah.

«Não vivo a pensar na Fórmula 1. Mesmo com uma chamada para ir lá fazer um fim-de-semana e poder acabar em sétimo ou oitavo, tendo aqui a oportunidade de lutar por ganhar? Acho que continuaria por aqui», confidenciou, assinalando: «Aqui todos os pilotos podem ganhar uma corrida se o carro estiver bem».

Ciente de que a experiência na equipa campeã de Fórmula E pode atrair mais atenções para a modalidade em Portugal, António Félix da Costa mostrou ter o sonho de ver Lisboa integrar o calendário da competição, que conta com 14 corridas em 12 cidades, sendo a capital da Arábia Saudita, Riade, a receber as duas primeiras provas, em 22 e 23 de Novembro.

«Seria muito bom. É um tema sobre o qual sou demasiado pequeno para poder influenciar algo. É claro que eu e os portugueses gostaríamos, penso que faz falta. Pode ser que haja dinheiro para avançar. Investe-se dinheiro no início, mas no final faz-se crescer o turismo. Não sou político, sou piloto, por isso não depende de mim», concluiu.

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