Faltou energia a António Félix das Costa

Português liderou toda a corrida mas acabou sem potência nos últimos metros e teve de abrandar substancialmente o andamento, caindo diversas posições. Um desentendimento com a Direcção de Prova provocou a desclassificação do piloto luso.

PEDRO RORIZ E CARLOS SOUSA (auto.look2010@gmail.com)

Final dramático na primeira corrida do fim-de-semana em Valência, com o português António Félix da Costa (DS Techeetah) a perder a vitória à entrada da derradeira volta, por ter ficado sem energia, o que o obrigou a “arrastar-se” até à meta para terminar em sétimo.

O aparecimento da chuva, depois de qualificação, fez com que a partida fosse dada atrás do “Safety Car”, com o português a largar da “pole position” como consequência da desclassificação do belga Stoffel Vandoorne (Mercedes), o mais rápido na “Super Pole”, por ter utilizado pneus não marcados, um erro inexplicável para uma equipa com o prestígio da Mercedes.

Quando a corrida começou, António Félix da Costa manteve a primeira posição, situação que se verificaria após as outras duas entradas do “Safety Car”, uma vez que o asfalto molhado do traçado do Circuito Ricardo Tormo causava dificuldades aos pilotos.

A primeira, logo na volta de abertura, em consequência de um “toque” entre o alemão André Lotterer (Porsche) e o suíço Sébastein Buemi (Nissan), a segunda, na 10.ª volta, quando o alemão Max Gunther (BMW) saiu da pista, no desentendimento com o inglês Alex Lynn (Mahindra), que lutavam pelo derradeiro lugar do pódio.

Um cenário que implicou que o português perdesse os cerca de cinco segundos que tinha sobre o futuro vencedor, a terceira, em consequência da saída de pista do brasileiro Sérgio Sette Câmara (Penske), e a quarta depois de um “toque” entre André Lotterer e o argentino Eduardo Mortara (Venturi), com o “Safety Car” a regressar às boxes a duas voltas do fim.

Forçado a completar a última volta a um ritmo reduzido, António Félix da Costa teve de se contentar com um 7.º lugar… antes de se ver desclassificado por exceder a quota de energia permitida.

«Este não é, obviamente, o tipo de final que um fã de desportos motorizados quer ver, independentemente do nome do vencedor. Admito que sofri um duro golpe, difícil de engolir. Foi um dia perfeito. Seja em pista seca ou à chuva, conseguimos alcançar tudo na perfeição antes de iniciarmos esta última volta, pelo que sim, dói muito. Mas amanhã é mais um dia e teremos nova oportunidade de marcar pontos. É esse o objectivo», lamentou António Félix da Costa.

Na Fórmula E, a presença do “Safety Car” leva a direcção de prova a reduzir a quantidade de energia disponível, o que no caso do traçado valenciano, por ser um circuito convencional, pode ter sido em quantidade excessiva, acabando por penalizar de forma significativa alguns dos pilotos, uma vez que foram vários aqueles que não conseguiram ver a bandeira de xadrez, com o português a conseguir “salvar” o sétimo lugar.

Impressionante foi a cavalgada dos Mercedes, em particular de Stoffel Vandoorne, que largou de último e terminou em terceiro, atrás do holandês Nick De Vries (Mercedes), que alcançou a segunda vitória do ano, depois de ter saído de sétimo, por ter sido penalizado em cinco lugares, por causa do acidente que provocou em Roma, e do suíço Nico Muller (Penske), que arrancou de 22.º e acabou no lugar intermédio do pódio.

CLASSIFICAÇÕES

CORRIDA – 1.º, Nyck De Vries (Mercedes), 48’20,547”; 2.º, Nico Muller (Penske), a 13,128”; 3.º, Stoffel Vandoorne (Mercedes) a 24,886”; 4.º, Nick Cassidy (Virgin), a 36,903”; 5.º René Rast (Audi), a 51,650”; 6.º, Robin Frijns (Virgin), a 52,985”; 7.º, António Félix da Costa (DS Techeetah), a 1’09,538”; 8.º, Alex Lynn (Mahindra), a 1’33.405”; 9.º, Sam Bird (Jaguar), a 1’36,009”; 10.º, Lucas Di Grassi (Audi), a 2’11,946”. Classificaram-se mais dois pilotos.

CAMPEONATO

Pilotos – 1.º, Nyck De Vries, 57 pontos ; 2.º, Stoffel Vandoorne, 48; 3.º, Sam Bird, 45; 4.º, Robin Frijns, 43; 5.º, Mitch Evans, 39; 6.º, Pascal Wehrlein, 32; 7.º, René Rats, 31; 8.º, Edoardo Mortara, 30; 9.º, Nico Muller, 30; 10.º, António Félix da Costa, 30; 11.º, Jean-Eric Vergne, 25; 12.º, Alexander Sims, 24; 13.º, Nick Cassidy, 15 ; 14.º, Oliver Rowland, 15; 15.º, Sérgio Sette Câmara, 12; 16.º, Maximilian Gunther, 12 ; 17.º, Sébastien Buemi, 11; 18.º, Alex Lynn, 9; 19.º, Oliver Turvey, 9; 20.º, Lucas Di Grassi, 7; 21.º, Tom Blomqvist ; 5 ; 22º, Norman Nato, 1.

Equipas – 1.º, Mercedes-EQ Formula E Team, 105 pontos; 2.º, Jaguar Racing, 84; 3.º, Envision Virgin Racing, 58; 4.º DS Techeetah, 55; 5.º, Dragon/Penske Autosport, 42; 6.º, Audi Sport ABT Schaeffler, 38; 7.º, Mahindra Racing, 33; 8.º, TAG Heuer Porsche Formula E Team, 32; 9.º, Rokti Venturi Racing, 31; 10.º, Nissan e-Dams, 26; 11.º, Nio 333 FE Team, 14; 12.º, BMW i Andretti Motorsport, 12.

Próxima prova – Valência, a 25 de Abril.

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