Faleceu a lenda do Dakar Hubert Auriol

O Dakar está de luto. Um dos seus heróis faleceu com 68 anos. O piloto, apelidado de “africano”, venceu a prova por três vezes antes de liderar a prova da Amaury Sport Organisation (ASO), bem como o Africa Race e o China Gran Rally.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

O três vezes vencedor da prova – duas em motos (1981 e 1983), aos comandos de uma BMW, e uma em automóveis (1992), ao volante de um Mitsubishi – e durante nove anos director do Rali Dakar, de 1995 a 2003 –, o francês Hubert Auriol faleceu. Nascido em Adis-Abeba, na Etiópia, a 7 de Junho de 1952, a lenda do Dakar morreu este domingo, vítima de um acidente cardiovascular, após longo combate contra a doença.

O piloto, apelidado de “africano”, marcou a história no todo-o-terreno. A lenda do famoso rally-raid foi protagonista de um “filme” apoteótico, em 1987. Hubert Auriol e Cyril Neveu protagonizam uma luta titânica pelo triunfo nas duas rodas, com o vencedor a ser declarado na véspera do derradeiro dia. Hubert Auriol abandonou com a meta à vista após partir os dois tornozelos, entregando a vitória de bandeja a Cyril Neveu.

Depois de um longo período de recuperação, o francês regressou àquela que viria a ser a “sua” prova de eleição e conquistar os louros do triunfo, mas desta vez ao volante de um Mitsubishi na edição de 1992.

Este título rotulou-o como primeiro piloto a vencer a prova da ASO de motos e automóveis. Esta lista ficou recheada com os cinco títulos de vencedor do Campeonato do Mundo de Rally-Raids, com o seu nome a figurar na galeria de bicampeões – o terceiro – no hall da fama da Federação Internacional do Automóvel (FIA), em 2019.

Além de ter liderado a prova sob a chancela da Amaury Sport Organisation (ASO), Hubert Auriol aventurou-se como director de prova do Africa Race e o China Gran Rally. Em 1987, ano em que sofreu um violento acidente na última participação de moto no Dakar, bateu o recorde da volta ao mundo em avião de hélices, em 88h49m, juntamente com o piloto de Fórmula 1 Henry Pescarolo.

O “africano” foi vítima de «um acidente cardiovascular, na sequência de um longo combate contra uma doença», disse a sua família à agência noticiosa AFP. Na sua autobiografia, publicada em 2019, Hubert Auriol resumiu o seu estado de espírito: “Se é impossível, deve ser interessante”.

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