Exclusiva filosofia explicada por Jo Stenuit

Ao longo das informações que compõem o Dossier Kodo – A Alma do Movimento, foi feita uma pequena resenha do que encerra esta exclusiva filosofia de design da Mazda.

(auto.look2010@gmail.com)

Desvendada ao mundo em 2010, já se traduziu, entretanto, em diferentes concept-cars e nas decorrentes viaturas de produção, hoje em comercialização na Rede de Concessionários Mazda, para além terem tido tradução em produtos de outras áreas, do mobiliário à decoração, da moda ao universo da perfumaria, entre outros conceitos, acumulando as mais diversas distinções.

Essa capacidade de dar vitalidade a objectos inanimados, nomeadamente aos automóveis, tornou-se num factor impulsionador dos múltiplos prémios e distinções que têm sido atribuídas ao design Kodo ao longo dos últimos anos, não só ao nível dos concept-cars (a que nos referimos em anteriores edições), como também na grande maioria dos modelos que compõem a gama Mazda.

São exemplos mais representativos deste sucesso, entre outros, o recente reconhecimento dado ao Mazda3 com a atribuição do troféu de ‘World Design Car of the Year 2020’, complementando a idêntica distinção dada ao Mazda MX-5, em 2016, pelos jurados da iniciativa “World Car Awards”, bem como os nada menos do que nove troféus com o selo Red Dot, conceituada organização da temática do design, entregues ao Mazda CX-30 e Mazda MX-30, na edição de 2020, ao Mazda3 em 2019 e ao MX-5 RF em 2017, após a tripla conquista em 2015 alcançada pelo trio MX-5 soft-top, CX-3 e Mazda2 e aos consagrados às anteriores gerações do Mazda3 (2014) e Mazda6 (2013).

Assente no prazer da propriedade como um dos principais pilares da visão de desenvolvimento a longo prazo denominada “Sustainable Zoom-Zoom 2030” da Mazda, o design Kodo permanece, assim, fulcral nos objectivos da Mazda em termos de evolução e melhoria constante como marca estatutária, ao mesmo tempo que eleva a qualidade do design dos seus produtos até ao patamar da arte, na égide do “Mazda Design: Car As Art”.

A ELEGÂNCIA E PUREZA DE UMA ESTÉTICA MINIMALISTA

Num momento em que o Kodo se encontra numa segunda geração, já mais amadurecido e premium, visando um maior prestígio em termos de estilo, através da elegância e do rigor de uma estética minimalista, do tipo “less is more” (nota: até a própria denominação se simplificou de maiúsculas para minúsculas), finalizamos este dossier dedicado à actual filosofia de design com a visão de Jo Stenuit, o actual responsável de design da Mazda para o continente europeu.

Jo Stenuit, responsável de design da Mazda para o continente europeu

«Embora certos princípios de design permaneçam fundamentais na génese do Kodo, a sua constante evolução tem um reflexo perfeito na evolução natural do estilo de modelos como o Mazda3 e CX-30 para o MX-30», refere Jo Stenuit, director de Design da Mazda Europa.

«Os primeiros Veículos Eléctricos do mercado foram projectados adoptando estilos muito futurísticos, numa imagem quase alienígena, desconectada do ser humano. Penso que o objectivo fosse dar a percepção às pessoas de que esses primeiros VE tinham uma mecânica eléctrica. Depois, à medida que os propulsores eléctricos se tornaram mais comuns, esse tipo de design futurista não foi mais necessário», sublinhou.

«Assim sendo, para o MX-30, estamos a expressar a segunda fase do Kodo de um modo mais utilitário, não tanto com base no valor da novidade de um motor eléctrico, mas mais no valor que todo o automóvel representará para os clientes. No entanto, embora o seu design surja como uma abordagem diferente do Kodo, ainda nos focámos nos reflexos à superfície da carroçaria. De certa forma, o MX-30 traduz uma experiência em olhar para os limites do design Kodo, podendo, quem sabe, no futuro, ter influência na evolução desta filosofia».

Enquanto o Mazda MX-30 explora as novas potencialidades do design Kodo, o Mazda3 e o Mazda CX-30 baseiam-se nos actuais sucessos de design da Mazda, mantendo toda a vitalidade inerente à assinatura Kodo, ao mesmo tempo em que apontam a um maior prestígio em termos de estilo, através da elegância e pureza de uma estética minimalista, do tipo “less is more”, em que se abdica de todos os elementos supérfluos.

A APLICAÇÃO DOS CONCEITOS NIPÓNICOS “YOHAKU”, “SORI” E “UTSUROI”

Os três elementos-chave do design Mazda são conhecidos pelos japoneses como “Yohaku” ou “Ma” (a beleza do espaço vazio), “Sori” (curvas com estatuto e equilíbrio) e “Utsuroi” (jogos de luz e sombras), explica Jo Stenuit: «Recorremos aos conceitos “Yohaku” ou “Ma” tanto no exterior quanto no interior do Mazda CX-30. É a base na segunda fase da nossa filosofia Kodo, a criação de projetos emocionais com o menor número de elementos possíveis. Basicamente, voltando às raízes de um bom design automóvel, trata-se de usar, apenas e só, os elementos verdadeiramente essenciais e adaptá-los da melhor maneira possível».

«No exterior do CX-30, o melhor exemplo da aplicação do “Ma” seria a frente do modelo, onde mantivemos um design muito simples, sem adicionar elementos “cool” mas desnecessários. O espaço vazio em seu redor dá maior poder os restantes poucos elementos, criando um melhor foco nos mesmos, como acontece com os faróis dianteiros», sustentou.

«Quanto ao interior, a primeira impressão que pretendemos que os clientes sintam é uma sensação de calma, sem sobrecarga de tecnologias e elementos de design, uma vez mais supérfluos. Foi assim que recriamos o “Ma” no interior. Neste espaço vazio bem ajustado, adicionámos, depois, os elementos de condução com um posicionamento perfeito e ergonómico, de modo a garantir que o condutor possa concentrar-se totalmente na condução», refere Jo Stenuit.

Inspirada nas mais puras tradições da arte japonesa e na beleza do espaço entre os objectos, os alicerces da futura elegância Mazda serão a proporção dinâmica, a silhueta clássica e a manipulação artística da luz, assente numa abordagem exclusivamente prática dos designers e dos artesãos da Mazda.

Fruto da aplicação de centenas de horas de trabalho minucioso, nos domínios da escultura e da pintura de estruturas em argila, tem sido possível aprimorar o equilíbrio perfeito entre tensão e potência, que emana das estruturas musculadas, às curvas elegantes e arrebatadoras e às superfícies côncavas da mais recente geração do design Mazda.

Adoptando superfícies ainda mais lisas e libertas de vincos, permitem-se reflexos de ondulações subtis de luz e de sombras, dando às carroçarias e aos modelos como um todo uma natural e poderosa expressão de vitalidade, criando-se veículos que mesmo quando parados parecem estar em movimento, exibindo a sua alma Kodo.

A criação dessa vitalidade controlada, de uma forma simultaneamente bonita e simples, requer imensos períodos de tempo, de disciplina e de trabalho artesanal, num processo fundamental para se atingir a elegância japonesa da visão de design exclusivo da próxima geração de modelos Mazda, na qual a experiência de posse se vê ainda mais enriquecida pela apresentação de um automóvel como peça de arte.

Introduzido em 2019, o actual Mazda3 foi, assim, o primeiro modelo da nova geração a espelhar a evolução do design Kodo, conceito primeiramente alargado ao SUV compacto CX-30 e, agora, ao novo SUV 100% eléctrico MX-30, a proposta de estreia electrificada da Mazda, que está neste momento em processo de pré-venda nos diferentes mercados, estando a chegada a Portugal das primeiras unidades agendada para o último quadrimestre do presente ano.

À medida que cada automóvel for desvendado, será possível identificar novos elementos do Kodo, como os que encontramos no Mazda MX-30, sendo que a Mazda irá continuar a evoluir essa sua assinatura de design, criando alguns dos mais bonitos automóveis em circulação nas estradas.

«Os futuros produtos irão permitir continuar a evoluir o design Kodo. O MX-30, o Mazda3 e o CX-30 irão ajudar a informar o futuro design da Mazda, tal como os concepts RX-Vision e Vision Coupe. O design é um processo em constante evolução, obrigando as equipas de design de todo o mundo a discussões diárias, de modo a conseguirem melhorar, refinar e esculpir os nossos futuros produtos», conclui Jo Stenuit.

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