Equipa de “Falcão” quer formar futuros campeões

A formação Miguel Oliveira Fan Racing Team, formada há três anos, permite que os jovens pilotos evoluam e tenham acompanhamento na carreira.

(auto.look2010@gmail.com)

Miguel Oliveira, o primeiro e único português a competir em MotoGP, fundou há três anos uma equipa que permite a jovens pilotos evoluírem, terem acompanhamento e sonharem em seguir os seus passos. Quando acompanhava as provas do piloto e o admirava à distância, Afonso Almeida, de 11 anos, não imaginava que se viria a tornar um dos sete jovens, entre os cinco e os 14 anos, actualmente a competirem pela Miguel Oliveira Fan Racing Team e a receber do próprio “muitas dicas” que o ajudaram a melhorar na pista e a desejar chegar ao mesmo patamar.

«Sempre foi o meu piloto preferido. É um grande privilégio estar na equipa do Miguel Oliveira. Um dia deixou-me ir com ele e depois andou numa moto igual à minha, para me ajudar. A partir desse dia, comecei a ter uma posição diferente, comecei a baixar mais na moto e começou a sair tudo muito melhor. Já me deu muitas dicas para melhorar», salienta o campeão nacional de Moto4/85GP.

A equipa nasceu da vontade de Miguel Oliveira e do pai, Paulo, o director, partilharem a sua experiência com quem quer experimentar a modalidade e, se tiver talento, evoluir numa estrutura que lhe permite competir a custos inferiores, graças aos patrocínios e parcerias.

«Eu fiz o caminho das pedras», frisa, em declarações à agência Lusa, Paulo Oliveira, 49 anos, que lamenta não ter tido um projecto semelhante que lhe tivesse facilitado o percurso. O pai do piloto luso lembra as somas avultadas, superiores a cinco mil euros, que teve de gastar só para Miguel Oliveira poder experimentar fazer uma prova de velocidade e saber se gostava ou não.

As motos da Miguel Oliveira Fan Racing Team são da equipa. Quem mostrar interesse pode ter a experiência. “Aqueles que se destacam têm a oportunidade de continuar connosco», explica Paulo Oliveira, que admite não ser uma modalidade barata.

«O desporto motorizado é um desporto mais caro do que outros», realça, comparando com o material necessário para jogar futebol, na ordem dos 100 euros, valor inferior ao necessário «para um jogo de pneus só num fim-de-semana».

Por temporada, para competir numa categoria média, implica um investimento de 50 a 60 mil euros, estima Paulo Oliveira. Os pais dos jovens pilotos pagam entre 20 a 25 mil euros e a equipa suporta o restante: «Nós reduzimos os custos dos pilotos. O fato, em vez de mil euros, custa um terço. Oferecemos o capacete e são menos 600 euros», contabiliza o pai e agente do mais bem-sucedido piloto nacional.

A Miguel Oliveira Fan Racing Team quer fazer «a promoção do motociclismo» e «um dos objectivos é criar campeões que possam seguir os passos do Miguel». Agora o almadense está “numa bolha”, devido à pandemia, mas antes de aparecer a Covid-19 ajudava a dar formação técnica, a ensinar quando travar ou acelerar, a dar informações sobre como tirar o melhor partido dos circuitos, a alertar para a posição do corpo, inclinações, trajectórias, curvas ou equilíbrio.

«Se as pessoas virem a estrutura, entenderão que é muito profissional, com cuidado em ter bons técnicos, mesmo no competitivo campeonato espanhol, vê-se a diferença na própria “box”», enfatiza Ricardo Almeida, pai de um dos pilotos, que destaca o «ganho em motivação» dos jovens ao fazerem parte da equipa de Miguel Oliveira e a vantagem de terem um apoio que permite aos pais pagarem «um terço do valor global».

Segundo Ricardo Almeida, «as motos da equipa são muito actuais, estão sempre dispostos a melhorar e em todas as corridas faz-se acerto de material». É também dada atenção à escola e, quando as notas baixam, há penalizações.

O pequeno Afonso Almeida tem «o sonho de um dia ser piloto de MotoGP». O pai, Ricardo, diz que «se não houvesse nenhum objectivo, não estaria a ser feito o investimento financeiro e de tempo», embora não aponte até onde chegar.

Paulo Oliveira quer «mostrar o caminho para chegar ao topo», que não teve quem lhe indicasse, e espera que os ensinamentos sirvam no desporto e na vida, «porque a desconcentração paga-se com a queda».

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