“Epic Drive”: engenharia Mazda levada ao limite

A paixão pela condução da Mazda está enraizada no desenvolvimento centrado no ser humano que abrange todas as suas viaturas. O conceito “Epic Drive” está presente desde os primórdios da criação da empresa, neles se destacando diversos atributos-chave, como a fiabilidade e robustez.

(auto.look2010@gmail.com)

Com um século de história, a Mazda tem sempre apostado numa filosofia de engenharia inovadora, integrada num um longo processo de transformação da então Toyo Cork Kogyo Co., Ltd., fabricante de produtos de cortiça, para outra entidade sem a referência “Cork” (perdida em 1921), seguindo-se, em 1984, a reconversão em Mazda Motor Corporation, empresa independente de produção de veículos, de abrangência global.

Esta abordagem apostada em enfrentar e ultrapassar constantes desafios teve início logo no primeiro veículo Mazda, um pequeno camião aberto de três rodas denominado Mazda-Go. Tendo mudado a sua produção da cortiça para máquinas-ferramentas em 1921, o novo presidente da empresa, Jujiro Matsuda, percebeu que a sua empresa tinha a capacidade de produzir um produto que respondesse ao então recente “boom” verificado no mercado dos triciclos motorizados, para transporte de pessoas e bens, decorrente da retoma económica japonesa.

Aquele que é o primeiro veículo motorizado alguma vez produzido pela Toyo Kogyo já incorporava as características de inovação automóvel Mazda, pois ao contrário de muitos dos seus concorrentes, o Mazda-Go contava com um diferencial traseiro inovador e…marcha-atrás.

Se há algo de que a Mazda nunca receou foi de colocar em desta que essas suas capacidades de engenharia, apresentando diversos conceitos e produtos Mazda ao público, colocando-os à prova em iniciativas desafiantes, pioneiras e ambiciosas, provando a sua real validade, hoje amplamente (re)conhecidas sob o conceito de “Epic Drive”.

DE KAGOSHIMA A TÓQUIO: MAZDA-GO

NOS PRIMÓRDIOS DAS “EPIC DRIVE”

Introduzido no mercado em Outubro de 1931, o Mazda-Go “DA”contava com um motor de um cilindro refrigerado a ar, de origem própria, com uma cilindrada de 482cc, produzindo 9,4cv, sendo a sua denominação Mazda decorrente da conjugação do apelido Matsuda, do seu presidente, com Ahura Mazda, a deusa persa da luz, sabedoria, harmonia e inteligência. Rapidamente se tornando num verdadeiro best-seller, o Mazda-Go veio a contar outras variantes mais potentes, com as referências “DB”, “DC” e “KC”.

Exemplo inicial da vontade da Mazda em abraçar um desafio ambicioso, foram 5 os Mazda-Go (“KC” e “DC”) que, em 1936, partiram no que se pode considerar hoje como uma tourné e promocional pelo país. Arrancando de Kagoshima, localidade perto da ponta mais a sul do principal arquipélago de ilhas do Japão, a expedição permitiu demonstrar a durabilidade deste veículo de três rodas, cujas unidades cumpriram um percurso com cerca de 2.700 km, de poeira, lama e trilhas demolidoras, com muita pedra solta, chegando a Tóquio 25 dias depois. A publicidade decorrente aumentou significativamente as vendas e elevou o perfil da empresa, cimentando a vontade da empresa automóvel de Hiroshima de repetir estes impulsos heróicos para promoção dos seus produtos.

MAZDA COSMO 110S NA PRIMEIRA

INCURSÃO NAS COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS

Trinta anos depois da pioneira expedição do Mazda-Go, de 1936, a agora bem mais sólida empresa ToyoKogyo optou por outro desafio, abraçando um dos mais temíveis e mais difíceis eventos de automobilismo do mundo à época, a “Marathon De LeRoute”.

Objectivo: promover o seu novo e, uma vez mais, inovador modelo desportivo, o Mazda Cosmo 110S. Lançado em 1967, tornou-se no primeiro modelo de produção do mundo com um motor rotativo, de duplo rotor, cuja denominação é decorrente do fascínio pela corrida espacial do final dos anos 60.

Pretendendo promovera qualidade e resistência dos automóveis Mazda nos seus mercados de exportação, nomeadamente o europeu, este elegante coupé desportivo viria a mostrar-se e às suas capacidades neste evento criado pela reformulação do lendário “Leige-Rome-LeigeAlpine Rally”, que entretanto se teve de afastar das estradas públicas, transportando-se para palcos mais exigentes, que colocavam maiores desafios ao homem e às máquinas.

Foi esta prova que marcou a primeira incursão da Mazda em competições internacionais. Para testar a resistência e a fiabilidade do motor rotativo, a Mazda inscreveu dois Cosmo na “Maratona de la Route” de 1968 – um alucinante rali de 84 horas, realizado ao longo 28 km do circuito de Nürburgring-Nordschleif, na Alemanha, também conhecido como o temível “Inferno Verde”.

Se uma das viaturas abandonou, por despiste, o segundo Cosmo 110S viria a terminar no 4.º lugar, vendo-se apenas batido por dois Porsche 911 oficiais e um Lancia Fulvia, também de fábrica, à época vistos como dois dos melhores carros desportivos da Europa.

A Mazda, o seu motor rotativo e o deslumbrante Cosmo 110S deixaram, assim, bem vincada a sua marca, num esforço épico que se tornou no primeiro capítulo da sua longa presença no automobilismo mundial e que, anos mais tarde, em 1991, elevaria a Mazda ao estatuto de vitoriosa em Le Mans com o Mazda 787B, equipado com a sua mecânica não convencional.

DO JAPÃO ATÉ À ALEMANHA: TRÊS “EPIC DRIVES” MEMORÁVEIS

Numa época em que a Mazda reforçava a sua presença e estatuto a nível global, fruto dos sucessos acumulados nos anos 60 e 70 do século passado, ficariam para a história dois outros eventos realizados com produtos exactamente iguais aos que saiam das suas fábricas, em que se colocavam à prova as suas reais capacidades.

Recorde-se a viagem de 15.000 km, cumprida em 1977, por dois Mazda 323 da primeira geração, hatchbacks que saíram de Hiroshima, rumando até à cidade de Frankfurt, para se apresentarem ao mundo no salão automóvel desse ano.

Surpreendentemente, numa altura em que todo o planeta vivia no auge da “Guerra Fria”, os dois Mazda 323 atravessaram a então União Soviética, suplantando a dureza das estradas, em muito más condições e atravessando locais recônditos do país, praticamente sem sofrer quaisquer avarias, uma real conquista que sublinhou a fiabilidade do novo pequeno familiar imediatamente antes do arranque das suas vendas.

Esta “Epic Drive”, uma incrível e memorável jornada, proporcionou uma enorme cobertura por parte da imprensa, num processo que a Mazda haveria de repetir, no futuro, para promoção dos seus produtos.

A primeira delas teve eco em 1990, quando seis modelos Mazda (dos modelos 626, 323 e Vans E2200) partiram, uma vez mais, de Hiroshima, desta feita rumando até a sede da Mazda Europa, em Leverkusen, então através dos países que formavam uma União Soviética em dissolução. Mais tarde, em 2013 e sob o título de “Mazda Route3 – Hiroshima to Frankfurt Challenger Tour 2013”, foram vários os Mazda3, de terceira geração, que repetiram grande parte do percurso de 1977, agora atravessando a Rússia, Bielorrússia, Polónia e Alemanha.

Cruzaram-se, assim, dois continentes e nove fusos horários, visitando-se cerca de 30 cidades sendo outra particularidade desta última “Epic Drive” o facto de jornalistas de diferentes países – incluindo Portugal – terem cumprido diferentes secções do extenso percurso ao volante dos então novos Mazda3, em vésperas da sua apresentação mundial no Salão de Frankfurt desse ano.

AÇORES, SIBÉRIA, ISLÂNDIA, NORD-KAP, CAZAQUISTÃO… OS PALCOS DAS “EPIC DRIVE” DA MAZDA

Inspirando-se nessas desafiantes aventuras, passeios memoráveis e testes em estradas públicas a modelos do seu longo passado, a Mazda concebeu um novo conceito de “Epic Drive”, hoje muito direccionado à imprensa, permitindo-se que os mais conceituados jornalistas, nacionais e internacionais, possam viver novas experiências, por percursos inéditos, repletos de desafios, observando cenários incríveis e aventuras únicas, ao volante dos diferentes modelos Mazda.

Destaque-se o “Epic Drive” de 2017, em que o mais urbano Mazda2 foi levado até aos Açores, para ser conduzido nas imediações da Lagoa das Sete Cidades, apreciando-se a beleza intrínseca da vulcânica ilha de S. Miguel, ano em que também se explorou, desta feita ao volante do SUV CX-3, as maravilhas da engenharia rodoviária norueguesa, pelos seus inúmeros túneis, pontes e passagens de montanha.

Já o roadster MX-5 viu-se em dois ambientes quase impensáveis, sendo colocado em situações mais extremas, numa viagem à longínqua e gelada Islândia (em 2016), em pleno inverno e sob temperaturas de 30 graus negativos, para no ano passado subir ao Nord-Kapp, na Noruega, ponto mais a norte da Europa e igualmente gelado, na “MX-5/ArticExperience”.

Mais à vontade em ambientes inóspitos, o SUV CX-5 já por duas vezes andou sob o gelo, a primeira das quais em 2018, atravessando o Lago Baikal, na Sibéria, aqui com a particularidade da Mazda ter sido o primeiro fabricante automóvel a receber permissão para rolar sob aquele que é o maior lago gelado do mundo, fazendo-o num percurso específico, desenhado sob a sua superfície, para em 2019 ser a estrela maior da“CX-5/Lapland Experience”, colocando-se de novo à prova o sistema i-AWD da Mazda, num conjunto de experiências que servem para colocar em destaque a excelência da engenharia Mazda, centrada no condutor segundo o conceito “Human Centric Design”, que hoje lhe serve de reconhecimento, por toda a indústria, em termos de desenvolvimento dos seus automóveis.

Para meados de Março estava agendado novo “Epic Drive”, contemplando uma visita à beleza estéril da remota Ásia Central, tendo como palco o Cazaquistão, programa que entretanto se viu adiado em virtude da pandemia da Covid-19 que se abateu no planeta, mas de que a Mazda não irá abdicar, retomando-o quando se resolverem uma série de questões, nomeadamente em termos de viagens e estadias, hoje ainda impossíveis de prever.

Tudo se resume à paixão da Mazda para com a condução e a sua associação aos constantes desafios colocados ao homem e às máquinas, interna e externamente. Uma filosofia que é hoje tão forte como o era em 1936, quando um grupo de pioneiros partiu numa viagem destinada a demonstrar a fiabilidade e robustez dos produtos Mazda…

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