Ecovia do Mondego aposta na valorização do Interior

Ecovia do Mondego pretende dar resposta à mobilidade crescente de todos e esbater assimetrias, propiciando aos cidadãos uma maior fruição das zonas ribeirinhas. Trata-se de um equipamento que permitirá alavancar a atractividade do território e dar um grande impulso ao turismo e à economia local.

(auto.look2010@gmail.com)

A valorização turística com ganhos para a economia e a qualidade de vida no Interior foram enaltecidos, em Mortágua, na cerimónia de consignação da Ecovia do Mondego, uma via ciclável que terá 40 quilómetros de extensão.

Com início na estação ferroviária de Santa Comba Dão, na linha da Beira Alta, no distrito de Viseu, a Ecovia do Mondego vai prolongar-se até aos limites do concelho de Penacova, já no distrito de Coimbra, após atravessar os municípios de Mortágua e Vila Nova de Poiares. O secretário de Estado do Desporto e da Juventude, João Paulo Rebelo, salientou que se trata de um investimento de 1,5 milhões de euros que «ajudará a alavancar o turismo» no Interior da região Centro, «com ganhos para a economia» nacional.

João Paulo Rebelo, que interveio na cerimónia da assinatura do auto de consignação da empreitada da nova ciclovia, um prolongamento da Ecopista do Dão, realçou, em declarações à agência Lusa, que a obra insere-se «numa lógica de rede» que valoriza este destino turístico na área “cycling & walking”, ligada à fruição da natureza e da paisagem.

Nos próximos 10 anos, a estratégia do Governo aponta para a existência em Portugal de mais de sete mil quilómetros de vias cicláveis, enquanto actualmente o país dispõe de pouco mais de dois mil quilómetros dessas infra-estruturas públicas, que reforçam a atractividade turística dos territórios, a qualidade ambiental e a qualidade de vida dos cidadãos em geral.

«A valorização turística deste eixo estruturante, que se desenvolve ao longo dos territórios do interior das regiões de Coimbra e Viseu Dão Lafões, potenciará o surgimento de novas actividades económicas ligadas ao turismo e ao desenvolvimento de novos serviços turísticos com base no património natural e cultural existente e na valorização dos produtos endógenos», segundo a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, dona da obra, em parceria com a CIM Viseu Dão Lafões e os municípios de Mortágua, Penacova, Vila Nova de Poiares e Santa Comba Dão.

Para o presidente da CIM da Região de Coimbra, José Carlos Alexandrino, a Ecovia do Mondego «vem dar resposta à mobilidade crescente de todos e esbater assimetrias», propiciando aos cidadãos «uma maior fruição das zonas ribeirinhas».

«Este é, sem dúvida, um equipamento que permitirá alavancar a atractividade do nosso território e dar um grande impulso ao turismo e à economia local», sublinhou na ocasião o também presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

Por sua vez, o presidente da Entidade Regional de Turismo de Centro, Pedro Machado, disse que este investimento vem reforçar «a aposta nos mercados internacionais», designadamente da América do Norte, América Latina e Europa, que mais se têm desenvolvido na área “cycling & walking”.

Tal aposta permite «uma transversalidade com outros produtos turísticos», desde logo no interior, podendo ainda contribuir para a retoma da economia após a pandemia da Covid-19.

«Esta obra reforça o posicionamento da região Centro nos mercados turísticos, ao nível nacional e internacional», acentuou Pedro Machado.

Depois da cerimónia do lançamento da primeira pedra da Ecovia do Mondego, intervieram também o presidente da Câmara de Mortágua, José Júlio Norte, e o secretário executivo da CIM da Região de Coimbra, Jorge Brito, a quem coube apresentar o projecto.

José Júlio Norte começou o discurso com uma saudação aos convidados e ao secretário de Estado do Desporto, dando as boas-vindas «a Mortágua e ao paraíso da Aguieira», partilhando com todos «um sonho que os profetas da desgraça sempre consideraram uma utopia, mas como somos homens determinados e persistentes, cá estamos a dar inicio às obras da Ecovia do Mondego com um total de 40 km e um investimento de 1,5 milhões de euros, que vai interligar a Ecopista do Dão até à futura Ciclovia do Mondego, ligando Viseu à Figueira da Foz».

«Vamos valorizar o turismo, o lazer, o e desporto e potenciar o surgimento de novas actividades económicas», sublinhou o autarca mortaguense, referindo que o território a que preside tem «um património natural riquíssimo que temos que explorar». «Como disse na sexta-feira o ministro do Ambiente, no Buçaco, a valorização do capital natural é nossa obrigação e é o melhor que podemos e devemos fazer», e nós cá estamos a dar o nosso contributo para que seja uma realidade».

Para José Júlio Norte, «a Ecovia do Mondego é, sem dúvida, a melhor forma de o potenciar e demonstrar toda a pujança deste Interior adormecido e muitas vezes maltratado (a nossa auto-estrada Viseu – Coimbra) pelos vários governos, mas nós não desistimos e temos muito para dar a este país».

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