“É preciso travar a mortandade nas estradas”

José Viterbo, treinador de futebol, dispensa apresentações e, em conversa com autolook.pt, o coordenador técnico e treinador da Académica/Secção de Futebol mostrou-se preocupado com a carnificina nas estradas portuguesas, advertindo para as deficiências ao nível da sinalização e marcação no asfalto, entre outros.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

José Viterbo respira futebol por todos os poros e vivendo-o incondicionalmente há 31 anos consecutivos. O coordenador técnico e treinador da equipa principal da Associação Académica de Coimbra/Secção de Futebol utiliza, diariamente, a sua viatura nas deslocações para os treinos e jogos, além de outros fazeres de índole particular. Com uma carreira contínua no rectângulo de jogo, mais com altas do que em baixas, José Viterbo é, com 58 anos de idade, um treinador genuíno e fiel os seus princípios.

Natural de Lisboa, cidade que o viu nascer a 23 de Março de 1962 mas que Coimbra adoptou desde os seus 4 anos de idade, José Viterbo apadrinha esta modalidade da Segurança Rodoviária autolook.pt, admitindo que, nas estradas portuguesas, a prática de várias asneiras deveriam ser admoestada com o “cartão vermelho”.

«Quando se fala em prevenção rodoviária, o que vem logo à cabeça é a forma como poderemos encontrar a fórmula para evitar os milhares de acidentes nas estradas portuguesas. São milhares de acidentes que provocam dezenas e dezenas de mortos, feridos graves e que, muitos deles, focam irremediavelmente impossibilitados de fazer a sua vida normal. Tudo isto tem a ver com a falta de civismo do condutor quando segue nas estradas, sejam elas auto-estradas, periféricas ou secundárias, porque ultrapassa-se em muito o limite de velocidade. Infelizmente ainda falta muito conhecimento de quem utiliza as estradas para poder viajar em segurança, colocando em risco a sua e a vida de terceiros», referiu José Viterbo.

Para o treinador de futebol, mais habituado a dar a táctica é, no entanto, exímio a censurar a imperfeição de muitas situações que confronta no seu dia-a-dia: «Fundamentalmente, e na minha opinião, este desiderato também tem a ver com o péssimo tracejado das estradas, muitos dos quais completamente desaparecidos nas vias, bem como viaturas de altíssima cilindrada com o volante nas mãos de condutores que não têm as mínimas condições para as conduzir. Outra situação deficiente tem a ver com a sinalização que, em muitas situações, não está de acordo com a qualidade das estradas que os condutores utilizam».

TRACEJADOS POUCO

VISÍVEIS NAS ESTRADAS

Muita das vezes – ou quase sempre –, aponta-se o dedo ao condutor e nunca – ou quase nunca – a quem administra as estradas, que deveria assegurar a manutenção das vias de comunicação…

«Totalmente de acordo. Este também é um problema preocupante que me deixa bastante apreensivo. De facto, muita das vias de comunicação, quer sejam estradas principais ou itinerários secundários, o tracejado, muita das vezes, não se apresenta visível mas sim descontínuo, sinal de que está gasto e a precisar de manutenção, uma operação que deveria ser imediata. Naturalmente que a responsabilidade é de quem faz a sua manutenção, quer do foro das Infraestruturas de Portugal, da Brisa, Ascendi ou de outras operadoras, inclusivamente os municípios que tutelam as vias municipais e locais», conferiu José Viterbo.

Por outro lado, o coordenador técnico e treinador principal da Associação Académica de Coimbra – Secção de Futebol sublinha que «não se pode descurar que a esmagadora maioria dos acidentes ocorrem em estradas não municipais pelo que entendendo que é um assunto que não pode “morrer à nascença” e que, obviamente, deverá ter solução e os responsáveis que governam o país e que dirigem as nossas empresas devem, também, possibilitar que todos os condutores viajem na máxima segurança».

MORTANDADE PARECE

UMA DOENÇA QUE NÃO TEM CURA

De acordo com José Viterbo, «o flagelo da mortandade nas estradas, na sequência dos acidentes, parece ser uma doença que não tem cura». «Estou convencido de que se as pessoas, caso não tenham consciência e deixem de respeitar a sua vida e a vida dos outros, naturalmente que vamos ter graves problemas para resolver este flagelo nas próximas décadas. As viaturas têm cada vez mais tendência a serem mais evoluídas, com cilindrada mais elevada e a preços relativamente acessíveis para muita gente e, quando transitamos numa auto-estrada, em que o limite de velocidade é de 120 km/hora, somos ultrapassados a 200 ou 240 km/hora, que quase não os vemos passar, naturalmente que estamos muito mais perto de acontecer um acidente grave», argumentou o padrinho desta modalidade de Segurança Rodoviária de autolook.pt.

rbt

Hoje em dia, as viaturas têm cilindrada superior a todas aquelas que se verificavam nos últimos anos, havendo quem defenda que a velocidade nas auto-estradas seja superior àquela que vigora há várias décadas. José Viterbo não tem dúvidas de que falta consciência para não infringir as regras do código.

«Nós temos sempre a tendência para castrar porque, infelizmente, não temos consciência para aquilo que é a perigosidade de conduzir a uma velocidade muito elevada. É verdade que, quando se circula com velocidade mais elevada daquela que está conjecturada, a concentração é maior, mas também não deixa de ser uma realidade que, quando se circula mais devagar, geralmente não se vai além da chapa, mas se se bate a 180 ou 200 km/hora, é muito dificilmente sai-se do habitáculo com vida. De qualquer das formas, entendo que, nas auto-estradas, a velocidade máxima deveria aumentar para os 140 km/hora, até pelas actuais características das novas viaturas».

FALTA ILUMINAÇÃO PODE MOTIVAR ADORMECIMENTO NAS AUTO-ESTRADAS

José Viterbo admite, também que «outra situação preocupante é viajar nas auto-estradas no período nocturno». «As auto-estradas têm pouquíssima visibilidade. Quando estou a referir pouca visibilidade não apenas a ver com o nevoeiro, mas sim à iluminação exterior que é muito reduzida. De alguma forma – e até pode parecendo o contrário –, essa situação pode contribuir para o adormecimento ao condutor. Havendo pouca luminosidade exterior, o mesmo acontecendo no interior do habitáculo, a tendência é adormecer. Por vezes levamos o ar condicionado ligado e a viajar em modo “standard” e, não havendo iluminação no perímetro da auto-estrada, ajuda que as pessoas, sem querer, a ter tendência para adormecer».

Naturalmente que «não é fácil alterar de um momento para o outro, e não estou a dizer que é importante colocar candeeiros de 100 em 100 metros, mas colocar, por exemplo, um sistema eléctrico de quilómetro a quilómetro para dar um pouco mais de luz para a quem viaja de noite nas auto-estradas». «Este é um aspecto que poderia ser relativamente melhorado e que, na minha opinião, não deve ser assim tão difícil colocar mais iluminação nas rodovias portuguesas», sublinhou.

SEM CONSCIÊNCIA NÃO HÁ SEGURANÇA

Confrontado com a ideia de como estancar a insegurança nas estradas, José Viterbo foi sublime na resposta: «A consciência de cada um». «Sem margem para dúvidas, a consciência de cada um. Isso é fundamental. Sem consciência não há segurança. A sinalização, a qual deveria estar mais bem preparada e alinhada com aquilo que é a utilização de quem se serve das vias de comunicação para as suas viagens na máxima segurança. O tracejado na estrada tem de estar mais visível. Também é de capital importância haver uma vigilância ainda mais apertada por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR) e Polícia de Segurança Pública (PSP) porque, infelizmente, há muita gente que não cumpre as regras e, quem comete infracções graves tem, forçosamente, de ser severamente penalizado».

O pisca-pisca mais parece um acessório extra de embelezamento de um automóvel porque, cada vez mais, as pessoas não o accionam para assinalar uma manobra. As imprudências no trânsito podem sair caras, não só a nível material como também humano. O Código da Estrada estabelece um conjunto de regras que os condutores devem seguir. Antes de realizar a manobra o condutor deve, previamente, certificar-se que a pode realizar em condições de segurança e sem causar perigo ou entrave para o trânsito. Esta omissão, muita das vezes perigosa, é motivo de irritação…

LEGISLAÇÃO É MUITO

BRANDA E TEM DE SER IMPLACÁVEL

«Para mim, o pisca-pisca não é um acessório de embelezamento, porque cumpro com o que está estabelecido no Código da Estrada mas, infelizmente, há cada vez mais condutores que mudam de direcção e não accionam o sinal de manobra. Por vezes também acontece com as luzes de STOP que não funcionam, mas esta é uma situação que também pode acontecer comigo, dado que uma avaria surge quando menos esperamos», sustentou ainda o treinador de futebol.

Para além disso, «há um aspecto muito importante que tem a ver com a quantidade de pessoas que conduz sob o efeito do álcool». «A legislação é muito branda e tem, forçosamente, de ser implacável. É inadmissível que as pessoas conduzam sob o efeito do álcool. Não há hipótese. Nós temos de ter a noção de que o excesso de álcool mata, provoca claramente decisões erradas e precipitadas, promove acidentes violentíssimos, fomentando momentos de acelerações completamente descontroladas e ultrapassagens mal calculadas».

Em jeito conclusivo no que concerne à Segurança Rodoviária, José Viterbo deixou um conselho a ter em linha de conta: «Estamos perante de um conjunto de factores que, para quem conduz sistematicamente embriagado ou é reincidente neste tipo de situações, jamais poderá haver contemplações de qualquer espécie. Tem de haver uma lei que obrigue este tipo de condutores a tirar de novo a carta de condução, mas que esteja dois ou três anos inibido de conduzir. É verdade que toda a gente erra, toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade, mas quando esta segunda oportunidade já trás várias consequências atrás, a lei não pode ser tão branda de maneira nenhuma».

JOSÉ VITERBO: UM “MILITANTE”

EM TODAS AS FRENTES NA ACADÉMICA

José Viterbo é um treinador de futebol que colecciona “rótulos” dourados de triunfos, alicerçados nos princípios basilares da firmeza de ideias e fiel aos seus princípios. Uma obra de superioridade com 31 anos de duração ininterrupta. No seu currículo constam muitos títulos e, no seu percurso, contam-se várias equipas, entre elas a Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de Futebol, Fátima, Pampilhosa, Sourense, Valonguense, Sanjoanense, Tocha, Eirense, União da Madeira e Associação Académica de Coimbra/Secção de Futebol.

Face ao seu trajecto de três décadas consecutivas, José Viterbo fez amigos por todo o lado e ganhou o direito de utilizar o guião de evolução contínua, consciente e consistente com o objectivo de se tornar exponencialmente melhor nas suas funções.

Confrontado com a missão que actualmente ocupa na Associação Académica de Coimbra/Secção de Futebol, o coordenador técnico e treinador principal daquela estrutura associativa foi frontal, como é seu apanágio, e peremptório na resposta.

«Estou onde quero estar e onde gosto de estar e sei que as pessoas gostam que eu esteja. Quando se juntam estes factores, só podemos dar-nos por satisfeitos. Estamos a desenvolver um trabalho que começa devagarinho a dar frutos. Temos muitos atletas na formação, uma equipa de juniores e outra de seniores com vários estudantes universitários e, como é do conhecimento geral, a visibilidade da Secção de Futebol foi sempre o de jogador-estudante», sustentou.

José Viterbo é um homem feliz, quer na cidade que adoptou como sua, como no clube que aprendeu a idolatrar desde criança. Por isso, é com orgulho que patenteia a riqueza que a Associação Académica de Coimbra/Secção de Futebol usufrui actualmente.

«A equipa de juniores, por exemplo, é dotada de alguns jovens jogadores que transitam para o projecto no escalão superior na próxima época. A equipa de seniores é a mais jovem que milita na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Coimbra, e estamos em condições favoráveis para, na próxima época, caso haja um novo quadro competitivo, assim entenda a estrutura associativa em promover um escalão de Sub-22 ou Sub-23, quase com duas equipas. A Secção de Futebol está dentro daquilo que são as nossas valências, acrescidas com a criação de uma equipa feminina e que pode ser traduzida por desafiar a coragem, começando num ano zero – ou melhor, menos zero –, porque não tínhamos ninguém e já temos 22 atletas inscritas», disse o responsável academista.

DOTAR O ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO COM ILUMINAÇÃO PARA TREINOS NOCTURNOS

Contudo, José Viterbo também não esconde que existem prioridades para que o crescimento da Secção de Futebol permaneça intocável e não sofrer, eventualmente, amargos de boca.

«A Secção de Futebol tem que pensar, cada vez mais, no que diz respeito a espaços desportivos. O Campo de Santa Cruz e o Estádio Universitário são duas valências excelentes e históricas, mas precisamos de mais. Precisamos de rentabilizar, por exemplo, o relvado do Estádio Universitário, criando as condições para que aquele espaço venha a ter iluminação para que seja possível efectuaremos treinos nocturnos e, como a tendência é crescer, nunca se consegue crescer sem espaço para o fazer».

«É de extrema importância que a Secção de Futebol consiga seguir esse caminho e, para isso, é preciso criar condições para que os seus atletas tenham cada vez melhores infra-estruturas para evoluir. Devo referir que a infra-estrutura do Estádio Universitário é fantástica, mas também sabemos que o relvado sintético do Campo de Santa Cruz está a necessitar de ser reabilitado. Era importantíssimo podermos criar as condições para termos miúdos a treinar no relvado do Estádio Universitário à noite», sustentou coordenador técnico e treinador da equipa sénior da Associação Académica de Coimbra/Secção de Futebol.

José Viterbo é um treinador sensato, amigo do amigo, mas também admite que está no futebol com muito gosto, com uma carreira que se orgulha, pese embora alguns episódios que em nada contribuem para o bom cumprimento da modalidade.

ORGULHO NA CARREIRA SEM

RECORRER A EXPEDIENTES MENOS SÉRIOS

«Esta é a carreira possível porque nunca foi necessário recorrer a expedientes menos sérios para conseguir fazer o que fiz e faço no futebol. E quando digo expedientes menos sérios, refiro-me à falta de sensatez de algumas pessoas que, sistematicamente, enveredam por caminhos movediços, sobretudo ao nível de treinadores de futebol, como foi o caso recente do António Pereira. O treinador do Cova da Piedade, que enquanto esteve cerca de um mês internado, entre a vida e a morte a lutar contra a Covid-19, houve uma quantidade de treinadores que se ofereceram para treinar a equipa sem qualquer tipo de respeito para com aquele colega de profissão numa altura que se encontrava numa situação muito delicada. Obviamente que o futebol é uma indústria, mas tem de ter gente séria», revelou José Viterbo.

«Felizmente que nunca precisei disso. Tudo o que fiz no futebol foi através do meu trabalho, dos resultados que obtive – umas vezes melhores e outras vezes nem tanto –, sem nunca atropelar quem quer que fosse. Por isso sou muito feliz com a minha carreira. São 31 anos de carreira consecutivos. Não é fácil estar neste mercado, consecutivamente, durante 31 anos», acrescentou.

«Para completar o histórico na Académica, faltava-me a Secção de Futebol e, a completar o “ramalhete”, assumi, também, o papel de responsável pela equipa Universitária que compete nos campeonatos nacionais da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU). Portanto, dentro da Associação Académica de Coimbra treinei em todos os escalões – algo que não é fácil de ser repetível –, estando envolvido em todas as dinâmicas do futebol, em que pelas minhas mãos, entre muitos outros, passaram o Vítor Bruno, actual treinador adjunto de Sérgio Conceição no FC Porto, o Zé Castro, o João Morais. O tempo passa tão depressa que, ainda hoje, recordo com saudade quando os levava a casa ou às explicações, na altura com 9 ou 10 anos de idade. Como tinha disponibilidade para o fazer e os pais trabalhavam, o meu carro estava, permanentemente, quase sempre cheio de miúdos, mas algo que me deu muito gozo de fazer, porque eu sei que, para eles, foi um tempo bom, um tempo de alegria, fantasia, boa disposição e de grande paixão e que, muito provavelmente, foram tempos que os ajudaram a fidelizar o emblema», revelou o coordenador técnico e treinador principal da Associação Académica de Coimbra – Secção de Futebol.

“LIGA DA CAMPEÕES” É SAIR E ENTRAR NOS CLUBES ONDE TRABALHEI

«Foram caminhos que não foram estudados mas que, de alguma forma, foram feitos porque teriam de ser assim, ou seja, sem qualquer estudo prévio. Também, graças a Deus, que o futebol permitiu-me criar alicerces para enraizar a amizade e conceber bons amigos, outros conhecida, mas pessoas que tenho muita estima e que também têm por mim. Um dia, quando partir, espero fazê-lo com absoluta consciência e manter-me, acima de tudo, fiel a todos os princípios, sempre dentro dos parâmetros de respeito, bem como respeitar os meus colegas e pessoas que possam ter uma opinião contrária da minha sem, no entanto, deixar de manifestar as minhas razões relativamente às opiniões diferente de forma educada, correcta e frontal como sempre o fiz», admitiu José Viterbo.

Para o treinador de futebol, «muito provavelmente, são estes os padrões de fidelidade os segredos de estar no futebol 31 anos no activo». «Não é fácil ter estado 15 anos consecutivos na mesma colectividade, quatro ou cinco anos seguidos em outros clubes, e depois de ter saído ter sido convidado para regressar. Portanto é sinal de que, não ganhando a Liga dos Campeões, tenho outras Ligas da Campeões já ganhas, que é a forma consegui sair e entrar nos clubes onde trabalhei».

EM COIMBRA O DESPORTO NÃO É SÓ FUTEBOL

José Viterbo revelou, ainda que, em Coimbra, «o Desporto não é só futebol». «O Desporto é andebol, é rugby, é voleibol, é natação, é ténis, é hóquei em patins, enfim, um conjunto de outras modalidades que fazem a alegria de muita gente. Coimbra tem tudo para ser muito mais competitiva nestas e noutras modalidades, mas, ou por falta de verbas, ou por outros condicionalismos, não o tem conseguido, até porque não é fácil ombrearmos com equipas e clubes com orçamentos superiores na ordem dos três, quatro ou 10 relativamente aos nossos».

Perante esta discrepância de orçamentos, o treinador de futebol deu o exemplo da Secção de Basquetebol da Associação Académica na Liga Profissional: «O modelo optado pelo basquetebol da Académica é brutal. Há que realçar a coragem dos dirigentes, treinadores e atletas de assumir um projecto no principal escalão do basquetebol português, porque o orçamento é, manifestamente, o mais baixo de todas as equipas. As notas e as moedas não ganham jogos. O que ganham jogos é a capacidade que os clubes têm para pagar aos melhores atletas, sabendo de antemão de que, no basquetebol, dois ou três atletas norte-americanos fazem toda a diferença. A Académica também pode ter atletas dois ou três norte-americanos – e não estou a falar de norte-americanos de refugo, longe disso –, mas se tivesse um orçamento que fosse o dobro ou o triplo, naturalmente que poderia ter outros atletas do lado de lá do Atlântico mais cotados. Os norte-americanos mais qualificados ajudam, naturalmente, a promover a modalidade e a desenvolver condições para potenciar jogadores que jogam ao lado deles diariamente. Em suma, o retorno só existe quando há dinheiro e qualidade e, quando não há dinheiro e qualidade, não há retorno».

CENTRO DE ESTÁGIO PARA ATRAIR QUALIDADE E MAIS GENTE A COIMBRA

Coimbra, com a Universidade como referência inultrapassável, da qual surgem movimentos estudantis, de cariz político, cultural e social, o desporto, todavia, está longe dos padrões exigidos, até porque estamos perante um território central do país, em que os portugueses poderiam convergir para a cidade caso tivesse um Centro de Estágio e Centros de Alto Rendimento de qualidade. Uma fórmula de trazer mais gente a Coimbra e ajudar o comércio local…

«Já ouvi falar que está previsto um Centro de Estádio para Coimbra e, caso venha a ser concretizada essa infra-estrutura, naturalmente que podia muito bem ajudar e contribuir para a implementação e desenvolvimento de todas as modalidades de Coimbra, além de poder trazer muita gente ao nosso território. Por exemplo, o Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho e o Centro de Alto Rendimento de Sangalhos, em Anadia, são exemplos de excelência, de onde saem grandes campeões, nacionais, mundiais e olímpicos. Por isso, o Centro de Estágio seria bem-vindo, um investimento que poderia ser aplicado na região Centro, num território geograficamente acessível e de grande qualidade ambiental, para podermos trazer para Coimbra grandes eventos desportivos. Coimbra tem trazido, nos últimos anos, eventos de grande qualidade de pavilhão, o que é de louvar. Quanto mais elevado for o nível competitivo das nossas modalidades, Coimbra ficará, com toda a certeza, mais próxima de ter muitos mais campeões».

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *