Domínio madeirense no primeiro dia

No futebol “jogar em casa” é sempre vantajoso, o que nem sempre sucede nos ralis, mas a actual edição do Rali Vinho Madeira está a demonstrar que o perfeito conhecimento do terreno que se pisa contribui para a obtenção de um bom resultado.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

Nas últimas três edições a prova foi ganha pelo campeão madeirense, Alexandre Camacho (Citroen C3 R5) e tudo aponta para que o mesmo sucede pela quarta vez consecutiva, tal a superioridade que as duplas locais têm exercido, como o demonstra o facto de ocuparem os três degraus do pódio.

Vencedor do Rali da Calheta, prova que abriu a temporada madeirense e onde estiverem presentes as principais duplas continentais, Miguel Nunes (Skoda Fabia R5 Evo) dominou, de forma clara, a primeira passagem pelas quatro especiais do dia e chegou ao Parque de Assistência, a meio do dia, com 7,6” de avanço sobre Pedro Paixão (Skoda Fabia R5) e 12,2” sobre Alexandre Camacho, tendo da parte da tarde aumentado o seu avanço sobre Pedro Paixão para 9,0”, mas visto Alexandre Camacho reduzir a desvantagem para 10,2”.

Nada está decidido, mas ficou a sensação que na segunda passagem pelas quatro especiais do dia, Miguel Nunes “levantou o pé”, o que permitiu os triunfos de Bruno Magalhães (Hyundai i20 R5), Pedro Paixão e Alexandre Camacho, mas na última prova de classificação Miguel Nunes “puxou dos galões” e voltou a ser o mais rápido, dando aos adversários uma clara indicação que ainda tem alguns “trunfos na manga”.

Pedro Paixão, segundo na Calheta, ocupa idêntica posição, enquanto Alexandre Camacho, que não passou da segunda especial, na prova de abertura, está a revelar uma cada vez maior adaptação ao novo carro e amanhã terá oportunidade de discutir a vitória, que, se acontecer, será a quarta consecutiva.

Bruno Magalhães (Hyundai i20 R5) tem sido de forma consistente o melhor dos pilotos continentais, já venceu uma especial, a segunda passagem pelo Campo de Golf e já contabilizou 2,17 pontos fruto de ter sido o mais rápido em sete provas de classificação, com José Pedro Fontes (Citroen C3 R5) a ser o melhor continental na outra (Palheiro Ferreiro 1).

Com 28,8” de avanço sobre o piloto da marca francesa, Bruno Magalhães tem tudo a seu favor para somar o máximo de pontos para o Campeonato de Portugal e reduzir a desvantagem para Armindo Araújo (Skoda Fabia R5 Evo) o comandante do campeonato, depois de ter vencido as duas primeiras provas (Serras de Fafe e Felgueiras e Castelo Branco).

Esse é o objectivo de Bruno Magalhães que não esconde a satisfação «por ser o primeiro do Campeonato de Portugal e por ter sido o mais rápido em sete das oito especiais, o que é importante por causa dos pontos a mais», mas reconhece que «em termos de geral é impensável pensar em discutir a vitória e por isso amanhã o objectivo é repetir o que fizemos hoje»

Esperava-se mais do espanhol Jose Maria Lopez (Citroen C3 R5), pela segunda vez nas estradas da ilha que era apontado como potencial vencedor, por não ter de fazer uma prova táctica e a pensar nos pontos.

Mas também ele não consegue superar o superior conhecimento dos pilotos locais e limita-se a discutir o quarto lugar com Bruno Magalhães e João Silva (Skoda Fabia R5 Evo), mais um madeirense, mas que tem contra si o facto de estar de regresso à competição depois de um ano fora das estradas.

José Pedro Fontes é sétimo, à frente de um discreto Armindo Araújo (Skoda Fabia R5 Evo) que parece estar a reagir mal ao despiste na Calheta, tendo estado sempre longe das primeiras posições nas especiais e limitando-se a ser o terceiro dos continentais com o pensamento nos pontos que pode arrecadar para o campeonato.

Para o comandante do campeonato «as mudanças que fizemos no carro, depois da Calheta não resultaram, mas para amanhã vamos fazer algumas alterações e esperamos que resultem»

Discreta, igualmente a prova do campeão nacional, Ricardo Teodósio (Skoda Fabia R5 Evo) que, depois de dois “sustos”, da parte da manhã, ficou com a confiança abalada e, tal como Pedro Meireles (VW Polo GTi R5), que fecha o “top ten”, tem-se limitado a cumprir o percurso.

O veterano Vítor Sá (Citroen DS3 R3T Max), depois de alguns anos de ausência, mostra que quem sabe não esquece e comanda entre os carros de duas rodas motrizes, com 1’22,7” de avanço sobre Pedro Almeida (Peugeot 208 Rally4).

Amanhã, os concorrentes vão enfrentar mais uma dupla passagem por quatro especiais: Câmara de Lobos (10,32 km – 10h41 e 14h55), Ponta do Sol (8,00 km – 11h26 e 15h40), Ponta do Pargo (10,45 km – 12h09 e 16h23) e Rosário (11,37 km – 13h04 e 17h18), com a segunda passagem por esta última a funcionar como “Power Stage”.

Classificação geral, após oito especiais

1.º, Miguel Nunes/João Paulo (Skoda Fabia R5 Evo), 50’16,2”;

2.º, Pedro Paixão/Luís Rodrigues (Skoda Fabia R5), a 9,0”;

3.º, Alexandre Camacho/Pedro Calado (Citroen C3 R5), a 10,2”;

4.º, Bruno Magalhães/Carlos Magalhães (Hyundai i20 R5), a 19,8”

5.º, Jose Maria Lopez/Borja Rozada (Citroen C3 R5), a 21,3”

6.º, João Silva/Vítor Calado (Skoda Fabia R5 Evo), a 23,1”

7.º, José Pedro Fontes/Inês Ponte (Citroen C3 R5), a 42,6”

8.º, Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia R5 Evo), a 52,6”

9.º, Ricardo Teodósio/José Teixeira (Skoda Fabia R5 Evo), a 1’09,9”

10.º, Pedro Meireles/Mário Castro (BW Polo GTi R5), a 1’21,1”

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