Denunciados comentários sexistas no Dakar

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) e a Amaury Sport Organisation (ASO) já condenaram os comportamentos de Ales Loprais e Petr Pokora.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Aliyyah e Yasmeen Koloc querem disputar o Dakar em 2023

A Federativa Internacional do Automóvel emitiu hoje um comunicado a condenar «energicamente os comentários racistas e sexistas dirigidos à piloto de camiões Aliyyah Koloc e à sua irmã Yasmeen, por um piloto e um mecânico de uma equipa concorrente durante o Rali Dakar. Em causa estão as palavras de Ales Loprais e Petr Pokora sobre as filhas de Martin Koloc, piloto duas vezes campeão europeu.

«Estou a ficar “duro” pela terceira vez. Olha, a preta de Roudnice está a ir para a direita», comentou Ales Loprais, ao qual Petr Pokora respondeu: «Bem… Essa não é má, é aceitável. A outra não», afirmaram estes participantes no Rali Dakar nas vésperas da sexta etapa da prova de todo-o-terreno mais desafiadora do mundo.

Nascidas no Dubai, as gémeas têm apenas 16 anos e fazem parte de um projecto chamado “Dakar Sistaz”, com a missão de disputar o Dakar em 2023, quando os 18 anos exigidos pelo regulamento.

«O Dakar, prova em que menos queríamos que isso acontecesse, recordou-nos o facto de que ainda vivemos num mundo em que mulheres são vistas apenas como objectos sexuais e não como seres humanos. Viemos ao Rali Dakar para ver o que nos espera. Queremos participar, queremos competir de forma justa e queremos melhorar e aprender. Além da experiência, também temos a sensação de que alguns participantes podem-nos ver como meros pedaços de carne. O facto de sermos menores não nos salvou do comentário de Loprais», disseram as irmãs.

Entretanto Ales Loprais já pediu desculpas, no entanto deverá ser castigado pelas palavras proferidas. O Automóvel Clube da República Checa já veio a público sublinhar que não irá tolerar mais este tipo de comportamento: «Qualquer alusão sexista ou racista é totalmente inaceitável e isso também se aplica a um atleta profissional. Recusamo-nos a tolerar retórica semelhante».

«Continuamos a investir nos recursos e experiências no desenvolvimento de iniciativas para inspirar e fomentar a participação de mulheres nos desportos motorizados. A aderência aos princípios éticos e a promoção de uma cultura diversa e inclusiva no nosso desporto são de enorme importância para a FIA e a Comissão de Mulheres no Desporto Motorizado da FIA», pode ler-se ainda na nota de imprensa da estrutura federativa internacional.

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