Daytona é talismã para Filipe Albuquerque

“Provavelmente a corrida mais difícil da minha vida. Andámos todos no limite durante muito tempo para tentar compensar o andamento dos outros, sempre a olhar para os espelhos…”, sublinhou o piloto de Coimbra no final da Rolex 24 Horas de Daytna, corrida que venceu e que gizou mais um feito histórico na sua carreira.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Filipe Albuquerque cruzou a linha de meta na Rolex 24 Horas de Daytona na frente de tudo e de todos pela terceira vez, o primeiro triunfo ao volante do Acura ARX-05 com número 10 da Wayne Taylor Racing. Uma vitória verdadeiramente empolgante, de fio a pavio, com o experiente piloto de Coimbra a iniciar e a terminar a competição da endurance norte-americana, cabendo a Ricky Taylor, Helio Castroneves e Alexander Rossi os restantes turnos.

A pressão foi a nota dominante durante as intensas 24 horas, perante a nudez das bancadas de Daytona, mas a força e determinação do piloto conimbricense e dos companheiros na Wayne Taylor Racing foi como a vitamina e o bálsamo que aniquilou eventuais nervosismos e que despoletou a “fúria” de vencer.

A derradeira parte de condução de Filipe Albuquerque foi presenciada por muito boa gente, via online, a roer as unhas. Um turno frenético impróprio para cardíacos, mas que o piloto de Coimbra, como um “passe vite”, a “esmagar” autenticamente as pretensões dos seus mais directos opositores.

Primeiro teve de suster as investidas de Oliver Jarvis, aos comandos do Mazda RT24-P número 55 – a única viatura da marca nipónica em prova – e, posteriormente e já com abandeira de xadrez praticamente à vista, a aguentar a pressão de Renger Van der Zande ao volante do Cadillac DPi com o número 1 da formação Chip Ganassi Racing. Neste último “tira-teimas”, Filipe Albuquerque apenas observou o holandês a partir dos retrovisores laterais, com o piloto do país das tulipas a terminar na segunda posição.

Tratou-se de mais um feito histórico de Filipe Albuquerque que, desta forma, assinou mais uma obra de excelência para o automobilismo português que, após festejar o triunfo com Ricky Taylor, Helio Castroneves e Alexander Rossi, “vestiu” a bandeira de Portugal para nunca mais a “despiu” do corpo.

Iniciar o ano de 2021 com uma vitória memorável é, sem margem para dúvidas, um bom pretexto para uma época apoteótica do piloto conimbricense, dando sequência aos títulos de Campeão do Mundo de Resistência (WEC) LMP2, Campeão do European Le Mans Series (ELMS) e do triunfo nas 24 Horas de Le Mans, todos registados em 2020.

Embaixador de Portugal, cidade de Coimbra e Clube Automóvel do Centro, Filipe Albuquerque, juntamente com os companheiros de equipa, já comanda o Campeonato Norte Americano de Resistência. Um cenário que ganhou forma muito cedo, mas foi numa altura em que faltavam cerca de 12 horas para o final que o Acura ARX-05 foi conduzido à liderança, mantendo-se praticamente nessa posição até ao agitar da bandeira de xadrez

«Não encontro palavras para descrever a sensação desta vitória. Foi a corrida mais difícil da minha vida, sempre nos limites, para tentar compensar o andamento dos nossos adversários. Não houve margem para erros ou hesitações. Quando consegui chegar a primeiro, todos os “stints”, cerca de 12 horas, foram feitos a olhar pelo retrovisor para controlar os nossos adversários. Todos na equipa fizeram um trabalho notável. Não tivemos descanso mas no final, todo o trabalho deu frutos. Estou muito contente», referiu o piloto português citado pela Make News, a sua assessoria de imprensa. Filipe Albuquerque recordou o ano de 2020 com dois títulos, começando o de 2021 a vencer e o optimismo cresce para as próximas corridas.

«O ano 2020 foi dos melhores da minha carreira e espero que 2021 seja a sua sequência. Vencer Daytona é o sonho de qualquer piloto, já o consegui por duas vezes, esta é a terceira. E agora é trabalhar para o título de Campeão. Depois deste resultado estamos na linha da frente para o conseguir. Já só penso na próxima corrida», sublinhou o piloto de Coimbra que, este ano, parte com o objectivo de ser campeão norte-americano de resistência.

Esta foi a segunda vitória à geral do piloto português, que em 2018 tinha vencido juntamente com o portuense João Barbosa. Filipe Albuquerque já tinha vencido em Daytona também em 2013, mas na classe GTD. Este ano, parte com o objetivo de ser campeão norte-americano de resistência.

João Barbosa, que este domingo foi o segundo classificado da classe LMP3, aos comandos do Ligier número 33 da Sean Creech Motorsport, terminou na 19.ª posição da geral, a três voltas do vencedor. O piloto portuense e os companheiros de equipa, Lance Wilsey, Wayne Boyd e Yann Clairay, ocuparam o lugar intermédio do pódio na referida classe, atrás da equipa Riley, com Spencer Pigot Scott Andrews, Oliver Askew e Gene Robinson em Ligier JSP320 com o número 74.

A próxima corrida do Campeonato são as 12h de Sebring de 17 a 20 de Março.

Classificação final

1.º Albuquerque/Taylor/Rossi/Castroneves (Acura ARX-05)                         807 voltas

2.º Johnson/Kobayashi/Pagenaud/Rockenfeller (Cadillac DPi-V.R)              a 4,704s

3.º Jarvis/Tincknell/Bomarito (Mazda RT24-P)                                                 a 6,562s

4.º Cameron/Pla/Montoya/Allmendinger (Acura ARZ-05)                             a 54,418s

5.º Van der Zande/Magnussen/Dixon (Cadillac DPi-V.R)                                a 1m07,744s

6.º Chatin/Merriman/Tiley/Dalziel (Oreca 07 Gibson)                                    a 20 voltas

7.º Farano/Aubry/Buret/Vaxiviére (Oreca 07 Gibson)                                    a 20 voltas

8.º Nasr/Derani/Conway/Elliott (Cadillac DPi-V.R)                                          a 24 voltas

9.º Mies/Lux/De Francesco/Schiller (Oreca 07 Gibson)                                  a 24 voltas

10.º Ware/Yoluc/Dillion/Muller (Ligier JS217 Gibson)                                    a 29 voltas

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