“Dakar: hora de balanço e futuro… imprevisível

Terminada a edição 2019 do “Dakar” é hora de balanço e de projectar o futuro, um futuro cada vez mais difícil e imprevisível como explicou Etienne Lavigne, o director da prova, quando interrogado quanto ao próximo destino da prova.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

Etienne Lavigne tem feito vários contactos para levar o “Dakar” para outras paragens

Os rumores da possibilidade da prova regressar a África, desta vez ao sul do continente, ou de viajar para o Médio Oriente, são permanentes e o director da prova não escondeu as preocupações.

Etienne Lavigne reconhece que «a situação da América do Sul mudou de forma dramática e negativa nos últimos anos, e se, até 2017, havia países com condições para nos receber, as difíceis condições económicas que Argentina, Chile ou Peru atravessam, fazem com que os dirigentes políticos tenham dificuldade em justificar o apoio à prova, uma vez que a sua exposição mediática não é suficiente para quem tem de decidir apoiar, quando tem de reduzir as despesas».

Etienne Lavigne

Para o director da prova, a permanência no Peru não está posta de lado porque «falta explorar o norte do país, que é muito interessante, e podia ser construída uma ligação entre Lima e Bogotá, o que esteve para suceder este ano, mas que não houve tempo para concretizar, mas precisamos de tempo para o fazer e não o tivemos desta vez, porque sabemos que há sítios que podem proporcionar etapas espectaculares».

Em relação ao futuro, Etienne Lavigne não esconde que «temos de montar, rapidamente, uma estratégia e saber se têm interesse na nossa presença, pois se isso não acontecer temos de ver para onde vamos», mas não adiantou qual seria a hipótese mais provável.

Toby Price (KTM)

OS VENCEDORES

Toby Price (KTM), nas motos, Nasser Al-Attiyah/Mathieu Baumel (Toyota Hilux), nos automóveis, Francisco Lopez/Alvado Leon (Can-Am), nos SxS, Eduard Nikolaev/Evgenii Iakovlev/Vladimir Rybakov (Kamaz), nos camiões, e argentino Nicolas Cavigliasso (Yamaha) nos Quads, assinaram o seu nome na lista de vencedores da 41.ª edição do Rali Dakar. Nas motos, o australiano Toby Price manteve a invencibilidade da KTM, que data de 2001, mas nunca como este ano a vitória da marca austríaca esteve tão em dúvida.

Com mudanças de comandante quase de dia para dia, a Honda, pelo espanhol Joan Barreda Bort (Honda), começou por ser a primeira a colocar em causa o domínio da KTM, mas seria a Husqvarna, por intermédio do chileno Pablo Quinanilla, a manter até ao último dia a hipótese de colocar ponto final no domínio da marca austríaca.

Só que a queda do chileno, no início do derradeiro Sector Selectivo, permitiu ao australiano, que tinha sido aquele, que entre os homens da KTM, melhor soube gerir o dia-a-dia menos erros cometeu, sagrar-se vencedor da prova.

Nasser Al-Attiyah e Matthieu e Baumel ofereceram a vitória à Toyota

Nos automóveis passou-se algo de semelhante, com o qatari Nasser Al-Attiyah a ser o que soube evitar as “armadilhas” do traçado e vencer mesmo, não tendo sido o mais rápido na maior parte dos Sector Selectivo, dando à marca japonesa o primeiro triunfo na prova e alcançado o terceiro com três marcas diferentes: VW em 2011, Mini em 2015, Toyota em 2019.

Pelo que se viu, pelo ritmo que imprimiram, sempre que não tiveram problemas, alguns deles provocados por excesso de fogosidade, o espanhol Carlos Sainz (MiniJCW) e o francês Sébastien Loeb (Peugeot 3008 DKR) podiam ter discutido a vitória, com o francês a ser o que venceu mais SS e a terminar no pódio, enquanto o espanhol ficou num discreto 13.º lugar, a quase 10 horas do vencedor.

O “Senhor Dakar”, o francês Stéphane Peterhansel (MINI JCW) cometeu alguns erros, pouco habituais, e perdeu o contacto com os homens da frene, acabando por desistir no penúltimo dia, como consequência de uma “queda” mais violenta de uma duma, que obrigou David Castera, o seu navegador, a ser evacuado para o hospital.

O qatari nunca cometeu excessos e soube aproveitar os erros dos adversários para, a pouco-e-pouco, ir angariando uma vantagem que, na parte final, o colocou ao abrigo de qualquer ameaça. Para a Toyota foi a vitória que perseguia há muito, depois de ter estado à beira de a alcançar em anos anteriores.

Francisco Lopez e Alvaro Quintanilla venceram SxS num Can-Am

Nos SxS, o chileno Francisco Lopez e espanhol Gerard Guell (Can-Am) foram os protagonistas, depois do favorito, o brasileiro Ricardo Varela (Can-Am) ter perdido muito tempo, mas a recuperar até chegar ao pódio, enquanto o espanhol acabava por, também ele, perder tempo nos derradeiros dias e salvar o segundo lugar por menos de dois minutos.

Nos “pesos pesados” assistiu-se como era de esperar a um duelo entre os Kamaz, com os russos Eduard Nikolaev/Evgenii Iakovlev/Vladimir Rybakov a levarem melhor sobre os seus compatriotas, enquanto nos “quads”, o argentino Nicolas Cavigliasso (Yamaha) manteve a superioridade do país das pampas.

 

 

Boris Garafulic e Filipe Palmeiro (MINI All4 Racing)

OS PORTUGUESES

Nos automóveis, Portugal estava presente, apenas, por Filipe Palmeiro, que navegava o chileno Boris Garafulic (MINI All4 Racing), tal como sucedeu em anos anteriores, e que acabaram no oitavo lugar.

Na fase inicial integraram o lote dos 10 mais rápidos, mas as seis horas perdidas no sexto dia, no regresso a San Juan de Marcona, relegaram-nos para o 19.º lugar da geral para recuperarem até ao oitavo lugar final, depois de uma parte final sempre em progressão.

Era nas motos, e em particular em Paulo Gonçalves (Honda), que estavam depositadas as esperanças de um bom resultado, mesmo sabendo-se que não estava nas melhores condições físicas, em consequência de recente operação, para a extracção do baço, que chegou a colocar em causa a presença na prova.

Joaquim Rodrigues Jr. (Hero)

Com um começo cauteloso “Speedy” Gonçalves foi ganhando ritmo e já estava em oitavo da geral, ao fim de quatro Sector Selectivo, quando uma queda o levou ao hospital e ao abandono, algo que sucederia mais tarde a Mário Patrão (KTM), António Maio (Yamaha), que estava a ter uma excelente estreia, e David Megre (KTM), que abandonou com a meta à vista.

Assim acabou por ser Joaquim Rodrigues (Hero), em 17.º, o melhor dos “motards” lusos, seguido pelo luso-germânico Sebastian Buhler (Yamaha), em 10.º, com Fausto Mota a colocar a Husqvarna no 29.º lugar. Já Miguel Caetano (KTM), que fez a prova sem assistência, dentro do verdadeiro espírito do “Dakar”, a ser 69.ºe a conseguir o feito de concluir a prova.

Nos SxS, que parecem ter cada vez mais aderentes, muito por causa dos menores custos, Pedro Mello Breyner (Yamaha), apesar de ter sido 18.º, conseguiu “vingar” a frustração do ano passado, em que desistiu na fase inicial, enquanto Miguel Jordão (Can-Am) foi sétimo e Ricardo Jordão (Can-Am) ficou à entrada do “top ten”, o que ser um bom indicativo para a próxima edição, já que ambos experimentaram, pela primeira vez, a dureza da competição.

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