“Dakar das Arábias” em contagem decrescente

Está tudo a postos para o arranque da 42.ª edição do Rali Dakar de todo-o-terreno, que começa às primeiras horas deste domingo na Arábia Saudita. O experiente português Paulo Gonçalves é o primeiro luso a entrar em cena.

PEDRO RORIZ E CARLOS SOUSA (auto.look2010@gmail.com)

Cumpridas as formalidades, as sempre exaustivas verificações documentais e técnicas, que decorreram esta sexta-feira e sábado – o fim-de-semana para os árabes –, e a partida simbólica, presenciada por milhares de espectadores, que teve lugar este sábado à noite, em Jeddah, homens e máquinas preparam-se para, a partir de amanhã, domingo, enfrentarem o percurso traçado para o “Dakar 2020” no qual a areia irá ser uma constante.

Ao contrário do que costumava suceder, em que no primeiro dia o Sector Selectivo era curto, para permitir o acerto das máquinas, desta vez o arranque tem lugar com uma prova de 319 km, representando quase metade do percurso total do dia (752 km), que levará a caravana até Al Wajh.

O percurso do Sector Selectivo integra 28 % de piso de areia, 35 % de piso de terra, 6 % de piso de asfalto, 25 % de piso de pedra e 5 % de dunas, para uma primeira habituação ao que vem a seguir, sendo necessário que os navegadores tenham muita atenção para não ser surpreendidos pelas “armadilhas” do terreno.

Como curiosidade refira-se que, com o objectivo de uma mais rápida adaptação à diferença horário, houve quem antecipasse a chegada a Jeddah, como sucedeu com a peruana Fernanda Kanno, enquanto a maioria apenas chegou na quinta-feira, depois de festejar a passagem de ano no seu país natal.

A partir deste domingo serão os homens a definir aquilo que vai ser o primeiro “Dakar” no Médio Oriente, num traçado desconhecido e que pode provocar surpresas.

PAULO GONÇALVES MOTIVADO NA “ARMADA” HERO

O piloto Paulo Gonçalves (Hero) será o primeiro português a partir para esta novo ciclo da prova da francesa Amaury Sport Organisation (ASO), embora seja o espanhol Joan Pedrero (KTM) o primeiro homem a receber ordem de partida, quando forem 4h20 deste domingo em Portugal Continental. O português Paulo Gonçalves (Hero) é o 16.º a arrancar, mas o primeiro português na estrada, a partir das 4h36m30s. O último luso a entrar em acção é o mecânico Armando Loureiro, no camião MAN conduzido pelo andorrano Jordi Giniesta, arrancando às 9h23.

Ainda nas motos, participam ainda Joaquim Rodrigues Jr. (Hero), Mário Patrão (KTM), António Maio (Yamaha), Fausto Mota (Husqvarna), inscrito como espanhol, e o luso-germânico Sebastian Bühler (Hero), radicado em Portugal desde criança.

Nos automóveis participa o antigo campeão nacional Ricardo Porém, navegado pelo irmão Manuel, além dos navegadores Filipe Palmeiro e Paulo Fiúza, que acompanham o lituano Benediktas Vanagas e o francês Stéphane Peterhansel, respectivamente.

Nos SSV, o piloto de Marco de Canaveses, Pedro Bianchi Prata, surge na Arábia saudita para navegar o zimbabueano Conrad Rautembach (PH Sport), enquanto nos camiões participam os mecânicos Bruno Sousa, José Martins e Armando Loureiro.

Refira-se que nesta 42.ª edição da prova foram admitidos 342 veículos à partida dos 377 inicialmente inscritos. Ao todo, serão 144 motos, 83 automóveis, 46 SSV, 46 camiões e 23 quads a enfrentarem os 7.856 quilómetros que compõe o percurso deste ano, mais de cinco mil deles ao cronómetro, com 70% em deserto.

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