Dakar 2020: areia, areia e… mais areia

Aqueles que lamentavam que o “Dakar”, nos 13 anos passados no continente sul-americano, tivesse pouca areia, este ano não podem queixar-se porque a transferência da prova para a Arábia Saudita vai fazer com que haja areia, areia, areia e … mais areia.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

O facto de ser uma prova nova para todos, o Dakar 2020 pode baralhar as previsões, pois, ao contrário do que sucedeu nas últimas edições, a navegação passa a assumir um papel mais relevante para a obtenção dos resultados finais, tanto mais que, na maior parte dos casos, o caderno de itinerários, que desta vez é a cores para facilitar a vida aos navegadores, só será entregue à partida de cada etapa, impedindo que as equipas de apoio recorram à tecnologia para descobrirem os melhores caminhos para chegar aos controlos.

Após a passagem de ano, as centenas de envolvidos na edição 2020 da mítica prova criada, em 1979, por Thierry Sabine, rumam a Jeddah, cidade saudita situada na costa do Mar Vermelho, para as verificações, que decorrem sexta e sábado, a antecederem a partida que acontecerá no domingo.

Doze dias depois, após um percurso de 7.856 km, dos quais 5.097 são cumpridos em Sectores Selectivos, a prova termina em Qiddiyah, cidade situada na proximidade da capital saudita, Riyadh, onde os 350 concorrentes, 170 em motos, 133 em automóveis e SSV e 47 em camiões querem chegar no que será um feito para todos os que o conseguirem fazer.

Apesar da tentativa de proporcionar maior equilíbrio entre os concorrentes, os favoritos continuam a ser aqueles que têm mais experiência da prova, com Portugal a poder ter pela primeira vez um representante no pódio dos automóveis, uma vez que Paulo Fiúza vai navegar o francês Stéphane Peterhansel (John Cooper Works Buggy), o “Senhor Dakar”, como consequência das 13 vitórias (sete em automóveis e seis em motos), sendo o piloto com mais vitórias nas duas categorias.

Vencedor o ano passado o qatari Nasser Al-Attiyah (Toyota Hilux) parte desejoso de repetir o feito, mas poderá ter de contar com dificuldades acrescidas, uma vez que a relação entre os dois países não é melhor e o simpático príncipe do Qatar terá recebido sugestões para não alinhar na prova.

O sul-africano Giniel de Villiers (Toyota Hilux), vencedor em 2009, é um sério candidato, pelo menos, a um dos lugares do pódio, onde já esteve oito vezes, em 16 participações.

Do lado da X-Raid, equipa que faz correr os JCW Buggy, o segundo candidato à vitória era o espanhol Carlos Sainz (John Cooper Works Buggy), que ganhou em 2010 e 2018, mas está de fora devido a uma lesão, havendo, por isso, a curiosidade de ver se a tracção total dos Toyota supera as duas rodas motrizes dos Mini ou se sucede o contrário.

Outro espanhol, Nani Roma (Borgward BX7 Evo) que, tal como Stéphane Peterhansel, venceu nos automóveis (2014) e nas motos (2004), estreia o Borgward e tem como companheiro de equipa a dupla portuguesa Ricardo Porém e Manuel Porém.

Ricardo Porém, campeão de Portugal em 2014 e 2017, troca o SSV utilizado o ano passado, quando foi 11º, por um Borgward e o piloto não esconde que «um lugar no “top ten” é possível».

A presença portuguesa nos automóveis completa-se com Filipe Palmeiro a navegar o lituano Benediktas Vanagas (Toyota Hilux), que será o “pronto socorro” dos dois carros da equipa oficial.

Enorme curiosidade ao redor daquilo que o espanhol Fernando Alonso (Toyota Hilux) poderá fazer na estreia na prova, naquela que é a sua mais importante saída das pistas (F1 e WEC), para o que conta com a navegação do seu compatriota Marc Coma, vencedor por cinco vezes (2006, 2009, 2011, 2014 e 2015) nas duas rodas, que pode com a experiência da navegação ajudar Fernando Alonso naquele que é o maior desafio da sua carreira.

PAULO GONÇALVES “ATACA” O PÓDIO COM UMA HERO

Ao contrário do que sucede nos automóveis, um português no pódio das motos não será inédito, uma vez que Paulo Gonçalves (Hero) já o fez ao ser segundo em 2015.

Campeão do mundo de Todo-o-Terreno FIA, em 2013, Paulo Gonçalves, quer “vingar” o abandono do ano passado, quando caiu no quinto dia, e é um dos sérios candidatos ao pódio, sendo o “ponta-de-lança” da Hero, que integra, ainda, Joaquim Rodrigues e o luso-alemão Sebastian Buhler.

E se nos automóveis tudo aponta para um duelo Toyota-Mini, nas duas rodas o número de marcas envolvidas sobe para sete e será entre elas que tudo será decidido.

KTM (Toby Price, vencedor o ano passado, Mathias Walkner, Sam Sunderland e Luciano Benavides), Yamaha (Adrien Van Beveren, Xavier de Soultrait, Franco Caimi e Jamye McCanney), Husqvarna (Pablo Quintanilla e Andrew Short), Honda (Kevin Benvides, Ricky Brabec, Joan Barreda Bort, Jose Ignacio Cornejo e Aaron Maré), Sherco (Michael Metge, Johnny Aubert e Lorenzo Santolino), Hero (Paulo Gonçalves, Joaquim Rodrigues e Sebastian Buhler) e Gasgas (Laia Sanz) são as marcas presentes a nível oficial e será dos seus pilotos que sairá o vencedor e aquele que ocuparão os lugares do pódio, a menos que algo de muito imprevisto ocorra.

Mas a presença da Portugal, nas duas rodas, não se esgota nos homens da Hero, uma vez que Mário Patrão (KTM), Fausto Mota (Husqvarna e António Maio (Yamaha) completam o lote de pilotos lusos no lote dos “motards”.

Nos SSV, Portugal estará representado por Pedro Bianchi Prata, que vai navegar o sul-africano Conrad Rautenbach (Zephyr), que em 2007 e 2009 participou no Vodafone Rali de Portugal, tendo sido 34.º na primeira presença, ao volante de um Citroen C2 S1600, e abandonado na segunda quando conduziu um Citroen C4 WRC).

Nos “pesos pesados”, onde a Kamaz parte como favorita, com o russo Eduard Nikolaev a ser o mais sério candidato ao triunfo, Portugal está presente com Bruno Sousa, José Martins e Armando Loureiro, com o primeiro e o terceiro a serem os mecânicos de serviço da equipa, no primeiro caso comandada pelo alemão Mathias Behringer (MAN) e no segundo pelo andorrenho Jordi Ginesta (MAN), e o segundo a desempenhar a função de navegador, no Iveco tripulado pelo espanhol Frances Ester Fernandez, que serve de apoio a Nasser Al-Attiyah e Fernando Alonso.

O PERCURSO

Destaque para o facto de na paragem em Shubaytah não haver assistência, por ser uma etapa maratona, o que pode, na ponta final da prova, provocar alterações significativas na classificação, uma vez que as equipas de assistência permanecerão em Haradh.

DIA ETAPA TOTAL SS
       
5 Djeddah – Al Wajh 752 319
6 Al Wajh – Neom 401 367
7 Neom – Neom 489 404
8 Neom – Al-‘Ula 676 453
9 Al-‘Ula – Hail 563 353
10 Hail – Riyad 830 478
11 Descanso    
12 Riyad – Wadi Al-Dawasir 751 546
13 Wadi Al-Dawasir – Wadi Al-Dawasir 713 474
14 Wadi Al-Dawasir – Haradh 891 415
15 Haradh – Shubaytah 608 534
16 Shubaytah – Haradh 744 379
17 Harad – Qiddiya 447 374

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