COMPLICAR EM VEZ DE DESCOMPLICAR

Recomenda o bom senso que os regulamentos sejam claros e perceptíveis por todos quantos desejem entende-los e aplicá-los, para evitar dúvidas e interpretações erradas, como tantas vezes sucede, como por exemplo no futebol, onde as discussões sobre as decisões dos árbitros são uma constante.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

Infelizmente, no caso dos automóveis e do karting, a FPAK, apesar de alertada, em devido tempo, decidiu fazer um regulamento desportivo para 2020 mais complicado do que o de 2019, o que vai obrigar os amantes da modalidade a um redobrado esforço para entenderem as classificações dos campeonatos, mal as provas terminem, ao contrário do que sucede nas restantes modalidades onde, conhecido o resultado final, é fácil definir a classificação.

A FPAK mantêm a obrigatoriedade de inscrição nos campeonatos, algo que devia ter abolido e quem participasse pontuava, e de indicação das provas em que se quer pontuar.

Ou seja os amantes do automobilismo e do karting vão ter de saber se o participante está inscrito no campeonato e se indicou a prova para pontuar se quiserem saber qual a classificação do respectivo campeonato quando a prova termina.

A complicação continua, nos ralis, com a manutenção dos cinco pontos a dividir pelo número de provas de classificação, situação que só se verificará se o número de classificativas for de 10 (0,5 pontos ao vencedor de cada especial)

Caso contrário o valor será sempre superior a cinco, como o próprio exemplo demonstra: para uma prova com 12 troços cronometrados cada vitória vale 0,42 pontos. Multiplicando os 0,42 pontos por 12, o total é de 5,04.

Pior será se houver duas equipas a fazerem o mesmo tempo, uma vez que o regulamento diz: «no caso de existirem vencedores exequo (à décima) serão atribuídos os mesmos pontos a esses vencedores»

Ou seja partindo do exemplo do regulamento os cinco pontos podem transformar-se em 5,46 pontos.

A FPAK abre a participação nas provas do Campeonato de Portugal de Ralis aos condutores FIA/WRC, com carros da categoria RC1, mas «não sendo elegíveis para a obtenção de pontos absolutos e/ou pontos extra», o que é aceitável, e ainda «e/ou entrarem na classificação final do rali nem os seus tempos serem publicamente anunciados», o que é incompreensível.

Num rali ganha quem cumpre as classificativas em menos tempo e esta é uma forma da entidade federativa adulterar a verdade desportiva e contribuir para que a comunicação social continue a citar como vencedores aqueles que o não foram.

Inexplicável continua a ser o facto do Vodafone Rali de Portugal ser encurtado em termos de campeonato e o mesmo não suceder nos Açores e na Madeira, provas cuja extensão das especiais e quase o dobro do das restantes provas continentais.

Mas nem tudo é mau. Saúde-se o regresso do Campeonato de Marcas, cuja última edição data de 2012, e o aparecimento do Campeonato Júnior, para condutores com menos de 27 anos a 1 de Janeiro de 2021, com este último a desenrolar-se nas provas continentais com excepção do Vodafone Rali de Portugal.

Nos ralis, se é aceitável a entrada do Rali Alto Tâmega, organizado pelo Clube Aventura do Minho, em certa medida sucessor do Estrela e Vigorosa Sport, que organizou o Rali da Montanha e o Circuito de Vila do Conde, que é o 24.º clube a organizar provas para o Campeonato de Portugal, elevando o número de competições para 10, é estranho que, com o argumento da redução de custos, os pilotos escolham oito provas para participar e dessas sete para pontuar.

Ou seja é o aumentar da confusão em termos de pontuações e pode levar a que poucas vezes os candidatos ao título entrem em confronto directo, ao contrário do que era desejável.

A opção federativa é a confissão de que 10 é um número de provas elevado e que na realidade oito seria o número ideal de competições para o campeonato.

A FPAK devia ter tido a coragem de cortar, reduzindo o Campeonato de Portugal a oito provas, contando todos os resultados, o que permitiria aos clubes promoverem as suas provas sabendo que iam contar com as melhores equipas nacionais, ficando a sensação que a direcção federativa não quer correr riscos no próximo acto eleitoral.

Positivo o facto da prova organizada pelo Clube Automóvel de Amarante, este ano designada Rali Terras d’Aboboreira, trocar de tipo de piso, passando ao asfalto para a terra, o que permite ao clube amarantino aproveitar as fantásticas especiais existentes à volta da cidade.

No Todo-o-Terreno o campeonato aumenta de cinco para sete provas com o Automóvel Clube de Portugal (ACP) a realizar uma segunda prova e o Clube de Promoção de Karting e Automobilismo (CPKA) a estrear-se como organizador.

E se é aceitável que o ACP, dada a qualidade do seu trabalho, faça uma segunda prova, é estranho que o CPKA entre directamente no calendário, sem organizar uma prova candidata.

É certo que a mesma esteve para acontecer o ano passado, mas a verdade é que em consequência dos incêndios a mesma não teve lugar e, como tal, a qualidade do seu trabalho não pode ser avaliado.

Com esta decisão a FPAK abre a porta a que outros clubes queiram beneficiar da mesma possibilidade, ficando sem moral para impedir que o mesmo suceda.

Com regulamentos deste seria bom que pilotos, marcas e patrocinadores estivessem de acordo para participarem nas provas sem se inscreverem nos respectivos campeonatos.

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