“Cimeira do petisco” algarvio e alentejano em Góis

Uma amizade criada nos negócios é melhor do que negócios criados na amizade. Vem tudo isto a propósito de um encontro “patrocinado” por Esteves “Sem Abrigo”, do Góis Moto Clube, e de Marco Serra, José Sampaio (ambos de Tavira) e Manuel Francisco (Beja). Entre dois dedos de conversa e uma Sagres na mão, “nasceu” a cimeira do petisco algarvio e alentejano no segundo dia da 26 Concentração Internacional de Motos de Góis.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Esteves “Sem Abrigo”, José Sampaio, Manuel Francisco e Marco Serra

Góis tem muitos encantos e histórias mil para contar. Banhada pelo Ceira, um rio de montanha que nasce na Serra do Açor, perto do Piódão, a vila goiense está literalmente transformada numa enorme potência. Uma grandeza física, de símbolo P. Sim, pode ser este o símbolo que define como a razão entre a energia produzida, transferida ou transformada e o intervalo de tempo em que ocorreu essa transferência.

Pode, mas não é, porque a grandeza de que estas linhas procuram transportar é de símbolo A. A de Algarve e A de Alentejo. O “nome” desta “unidade” surge quando dois algarvios de Tavira e um alentejano de Beja se cruzam num dos muitos espaços da Sagres que imperam na 26.ª Concentração de Internacional de Motos de Góis.

 

Um encontro às primeiras horas da noite “patrocinado” por Esteves, também conhecido mundialmente por “Sem Abrigo”, um dirigente do Góis Moto Clube que dispensa apresentações pelo seu fervor “partidário” da estrutura organizativa da Concentração Internacional de Motos de Góis que tem muito para dar. Um encontro de enorme valor, sobretudo por ser uma história verídica e momentânea, protagonizada por um conjunto de pessoas de fibra que selaram o momento com um brinde de copo cheio de cerveja.

“Sagres, a sede que se deseja”, como disse o poeta feito publicitário José Carlos Ary dos Santos aquando da primeira campanha publicitária da marca em 1963. Longe vai esse tempo. Hoje, 55 anos depois, “Sagres, a sede que se deseja” para acompanhar a “Muxama de Atum”, as “Ovas de Polvo”, “Tirones”, petiscos provenientes de Tavira, e “Queijo de Cabra”, originário de Beja.

A “Muxama de Atum”, feita de peças lombares de atum, seco e salgado, de consistência rígida e textura suave, apresenta dimensões variáveis, chegando a Góis pela mão de José Sampaio, um motard que visita a concentração executada pelo Góis Moto Clube pelo segundo ano consecutivo. Um petisco que, hoje em dia, o seu consumo é um aperitivo de excelência, cortado em fatias muito fininhas. Fatias tão fininhas que, o petisco, acabou por ser confundido por presunto.

Ainda de Tavira, Marco Serra, que se estreou na Concentração Internacional de Motos de Góis em 2001 e que já vai na sexta participação, transportou na sai moto as “Ovas de Polvo” e as “Tirones” de fazer crescer água na boca e produzir mais um lote de amigos na companhia de uma deliciosa Sagres.

O cheiro a maresia e o paladar do mar, bem junto ao rio Ceira, vincaram a sua presença nas ovas de polvo, que são secas através de práticas de grande sabedoria. Esta iguaria é comida de várias maneiras, mas as mais usadas passa por ser assada no carvão, ou colocada directamente na torradeira para ficar um pouco mole.

Já as “Tirones”, não é mais que peixe escalado que se estende na salmoura e esticado como o bacalhau. Este petisco devora-se seco mas não dispensa uma Sagres, porque o sal está entranhado e, nada melhor, apurar com a tão apetecível cerveja.

Finalmente, o “Queijo de Cabra” de Beja. Manuel Francisco, que regressou a Góis pela segunda vez Góis – a primeira foi em 2002 – foi quem o carregou na sua moto e, no desfile de sabores e saberes, esta iguaria é muito apreciadas e presença constante na mesa alentejana. O queijo de cabra alentejano não ficou atrás dos acepipes algarvios, mas todos foram apreciados ao balcão da Sagres.

Esteves “Sem Abrigo”, José Sampaio, Manuel Francisco e Marco Serra estreitaram laços de amizade no segundo dia da 26.ª Concentração Internacional de Motos de Góis. Entre petiscos tradicionais de Tavira e Beja e, naturalmente, cerveja Sagres, a reunião foi extraordinária e decorreu num tom fraternal de encontro entre amigos. Melhor que isso: encontro de irmãos, como só a Concentração Internacional de Motos de Góis sabe ocasionar, apadrinhado por um “Sem Abrigo” de coração cheio.

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