Chuva e pneus condicionam F1 em Spa

A clássica instabilidade das condições atmosféricas na zona das Ardenas, no final do mês de Agosto, e o asfalto mais abrasivo da temporada, o que complica a escolha de pneus podem condicionar o desfecho da corrida de Spa-Francorchams, um dos mais belos e desafiantes traçados mundiais.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

Se em termos de condições atmosféricas as equipas nada podem fazer e terão de adaptar-se ao que acontecer, podendo esse acontecer estar em alteração permanente, já no que diz respeito aos pneus, da Pirelli disponibiliza, tal como sucedeu para a segunda corrida em Silverstone, os C2 (mais duros), C3 e C4, onde as altas temperaturas penalizaram a Mercedes, que, desta vez, pode beneficiar do facto de as previsões apontarem para os 17º em lugar do 30º verificados no traçado inglês.

Face ao domínio que tem exercido, o inglês Lewis Hamilton (Mercedes) chega ao traçado belga como principal favorito à quinta vitória do ano, em sete corridas, e 89.ª da carreira, o que o colocará a dois triunfos de igualar o “record” do alemão Michael Schumacher, vencedor de 91 Grandes Prémios.

O seu colega de equipa, o finlandês Valtteri Bottas (Mercedes), tudo fará para o secundar ou, se o conseguir, superar, mas a maior ameaça deverá voltar a vir do holandês Max Verstappen (Red Bull/Honda), único a conseguir impedir o pleno vitorioso da Mercedes ao triunfar na segunda corrida em Silverstone, a que junta três segundos lugares, na Hungria, na primeira corrida em Silverstone e em Espanha.

Face ao descalabro da Ferrari, quinta no “Mundial” de Construtores, atrás da Racing Point e da Mc/Laren, tudo aponta para que seja os pilotos destas duas equipas, o canadiano Lance Stroll e o mexicano Sérgio Perez, no primeiro caso, e o espanhol Carlos Sainz e o inglês Lando Norris, a lutar pelos lugares atrás do terceto que tem dominado a temporada, com o inglês Alexander Albon (Red Bull/Honda) e o monegasco Charles Leclerc (Ferrari), que tem “salvo da honra” de Maranello a puderem entrar nessa luta.

Num ano diferente, a mais recente surpresa deriva do facto da Renault ter decidido retirar o apelo que tinha feito, em conjunto com Ferrari, McLaren e Williams, contra as condutas de arrefecimento dos travões do Racing Point, por as quatro considerarem que a penalização (400 000 € de multa e 15 pontos) devia ser mais elevada.

Face às suas ligações à Mercedes, fornecedora de motores, McLaren e Williams retiraram não o concretizaram, com a marca francesa a fazê-lo agora, por considerar que as alterações previstas, para o próximo ano, para impedir as equipas de copiarem carros da concorrência são suficientes, enquanto a marca italiana mantêm o recurso, o mesmo sucedendo com a Racing Point, mas esta contra a penalização que lhe foi aplicada.

Classificações dos “Mundiais”

PILOTOS – 1.º, Lewis Hamilton, 132 pontos; 2.º, Max Verstappen, 95; 3.º, Valtteri Bottas, 89; 4.º, Charles Leclerc, 45; 5.º, Lance Stroll, 40; 6.º, Alexander Albon, 40; 7.º, Lando Norris, 39; 8.º Sérgio Perez, 32; 9.º, Carlos Sainz, 23; 10.º, Daniel Ricciardo, 20; 11.º, Sebastian Vettel, 16; 12.º, Esteban Ocon, 16; 13.º, Pierre Gasly, 14; 14.º, Nico Hulkenbergm 6; 15.º, Antonio Giovinazzi, 2; 16.º, Daniil Kvyat, 2; 17.º, Kevin Magnussen, 1

CONSTRUTORES – 1.º, Mercedes-AMG Petronas F1 Team, 221 pontos; 2.º, Aston Martin Red Bull Racing, 135; 3.º, BWT Racing Point F1 Team, 63; 4.º, McLaren F1 Team, 62; 5.º, Scuderia Ferrari, 61; 6.º, Renault DP World F1 Team, 36; 7.º, Scuderia Alpha Tauri Honda, 16; 8.º, Alfa Romeo Racing ORLEN, 2; 9.º, Haas F1 Team, 1

Mais quatro corridas

O Campeonato do Mundo de F1 vai ter um total de 17 corridas, depois do calendário ter começado com oito, mas os esforços desenvolvidos pela Liberty levaram que às 13 corridas já conhecidas, mais quatro (Turquia, Bahrain, por duas vezes, e Abu Dhabi) fossem integradas no calendário.

Até agora a disciplina máxima do desporto automóvel cumpriu seis corridas, com as duas primeiras a terem lugar na Áustria (Red Bull Ring), a que se seguiu a deslocação à Hungria (Hungaroring), duas passagens por Inglaterra (Silverstone), para esta fase terminar em Espanha (Barcelona).

Este fim-de-semana a F1 vai estar na Bélgica (Spa) e daí segue para Itália – Monza, a 6 de Setembro, e Mugello, uma novidade, a 13 de Setembro – antes de rumar à Rússia (Sochi a 27 de Setembro) e à Alemanha (Nurburgring – 11 de Outubro) antes de aterrar em Portugal (Portimão – 25 de Outubro).

Do Algarve regressa a Itália (Imola – 1 de Novembro), naquela que era a última data conhecida, com Turquia (Istambul – 15 de Novembro), Bahrain (Shakhir – 27 de Novembro e 6 de Dezembro, com versões diferentes) e Abu Dhabi (Yas Marina – 13 de Dezembro) a fecharem uma temporada que esteve em risco, mas que acaba por ser melhor do que aquilo que era expectável.

Futuro assegurado

Finalmente, e após longas discussões, que levaram a avanços e recuos as 10 equipas assinaram o Acordo da Concórdia, que vai reger a F1 de 2021 a 2025.

Um dos pontos que gerou maior controvérsia foi o do tecto orçamental, que visa proporcionar mais dinheiro às equipas menos abonadas do ponto de vista financeiro, para lhes permitir evoluir e aproximarem-se das posições da frente aumentando o equilíbrio da competição.

Acordadas estão as linhas gerais do novo regulamento desportivo, que entrará em vigor em 2022, esperando-se que a conjugação dos dois factores permita aumentar o número de equipas vencedoras que, nos últimos anos, tem estado reduzidas à Mercedes, Ferrari e Red Bull, com as duas últimas a conseguirem, de vez em quando, suplantar os “flechas pretos”.

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