Chaves para abrir uma aventura excepcional

A 23.ª edição Portugal de Lés-a-Lés que liga Chaves a Faro, com paragem obrigatória em S. Pedro do Sul e Abrantes, está agendada de 2 a 5 de Junho 2021. Num traçado que homenageia a mítica Estrada Nacional 2, a caravana parte à descoberta da História em sereno Passeio de Abertura.

 

(auto.look2010@gmail.com)

Enquanto decorrem a muito bom ritmo as inscrições para a 23.ª edição Portugal de Lés-a-Lés – até 15 de Maio, se não esgotarem entretanto – a Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal última pormenores da grande aventura que, de 2 a 5 de Junho, vai ligar Chaves a Faro com passagem por S. Pedro do Sul e Abrantes.

Um traçado que homenageia a mítica N2, mas que vai mostrar muito mais do que a estrada que integra o Plano Rodoviário Nacional desde 1945, ao longo de mais de 1.000 quilómetros de aventura e descoberta.

Quatro dias para descobrir património e história, gastronomia e tradições, numa realização apoiada pela Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2, e que começa em local emblemático e extremamente saudável. Afinal as águas quentes da Termas de Chaves, únicas na Península Ibérica devido à temperatura híper termal (73º C) e pelo facto de serem bicarbonatadas, sódicas, meso mineralizadas e gasocarbónicas, prometem melhorias significativas no tratamento de problemas músculo-esqueléticos, do aparelho digestivo e respiratório, mas também para as mais modernas maleitas ligadas ao stress, cansaço ou ansiedade.

Ali mesmo, na margem do Rio Tâmega, será feita a recepção aos participantes e cumpridas as formalidades do check-in, verificações técnicas e documentais bem como a entrega de todos os materiais. E será, também ali, o ponto de partida para o Passeio de Abertura, atravessando o ex-libris flaviense, a ponte de Trajano, rumo a miradouros e locais para perceber da geografia da região, da proximidade a Espanha e do isolamento de aldeias, lugares e povoados.

Tempo para subir, tranquilamente, ao Miradouro de S. Lourenço e ao Castelo de Monforte de Rio Livre em plena serra da Brunheira, relíquia central de um concelho extinto há cerca de 170 anos. Pelo meio, surpreendente descoberta de aldeias com casario típico como Faiões, Santo Estevão, Avelelas e Oucidres, a possibilidade de comprovar o estranho fenómeno da Pedra Bulideira e de raiar a fronteira espanhola.

NA ROTA DO CONTRABANDO

E DA CUMPLICIDADE LUSO-GALAICA

As fortes ligações com “nuestros hermanos” estão bem patentes no sotaque espanholado dos habitantes de aldeias como Vilarelho da Raia ou Cambedo, meio portuguesas, meio galegas, que eram, até há poucos anos, literalmente cortadas ao meio pela fronteira e que, durante os difíceis tempos da “outra senhora”, eram pontos bem conhecidos da “Rota do Contrabando”.

Bem tentavam os guardas fronteiriços, dos dois lados da barricada, desfeitear os contrabandistas, cujas “estórias” contam sucessos e insucessos neste verdadeiro jogo do gato e do rato, onde até as crianças faziam parte do elenco.

Traços indeléveis na história da Aquae Flaviae que recebe os motociclistas com o calor que só os transmontanos conseguem transmitir, com ruas abertas exclusivamente para as duas rodas. Momento de perceber o enorme potencial turístico daquele que foi um importante centro urbano da província romana da Galécia com o olhar sobre a curiosa e bem conservada zona do antigo bairro da Canelha das Longras ou o Forte de São Neutel que, juntamente com o Forte de São Francisco, foram decisivos defesa, a norte da cidade, da fronteira com a Galiza.

Mas há mais em Chaves, do Museu Nadir Afonso à antiga estação terminal ferroviária da Linha do Corgo (concluída precisamente há um século, mas agora desmontada), atravessando ruas típicas onde as varandas de madeira oferecem um colorido único no final dos 96,3 km deste Passeio de Abertura.

Com as motos estacionadas na Praça de Camões, mesmo diante dos Paços do Concelho, altura para apreciar a Igreja Matriz, o pelourinho, o Museu Municipal, o Castelo e até os… pastéis de Chaves!

Claro que a cidade transmontana tem mais, muito mais para oferecer e, por isso mesmo, a descoberta continuará na madrugada seguinte, no arranque para uma aventura que será “Muito mais que a N2”. Na descoberta de castelos e praias fluviais, campos de batalha e miradouros, centros históricos e muitos monumentos ao longo da antiga espinha dorsal do sistema rodoviário nacional.

Grande maratona para o pelotão limitado a 2.000 participantes, devendo as inscrições – feitas exclusivamente no site www.lesa-les.com – esgotar bem antes da data-limite de 15 de Maio!

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