Cápsula do Tempo Guarda 2050 lança alerta climático

Segundo o meteorologista Manel Costa Alves, que esteve na cidade mais alta de Portugal, «nos últimos anos já tivemos suficientes exemplos dos efeitos provocados pelas alterações criadas na composição da atmosfera através do aumento de gases com efeito estufa».

(auto.look2010@gmail.com)

“A Terra e o Tempo não esquecem o que lhes fazemos” foi o tema que enriqueceu a cidade da Guarda, no aniversário da Cápsula do Tempo Guarda 2050. Pela voz do meteorologista Manuel Costa Alves, ficou a reflexão: há que mudar de rumo nos comportamentos e nas emissões de CO2, sob pena da Humanidade sofrer cada vez mais ondas de calor já nos próximos anos.

O evento decorreu no Solar do Vinho da Beira Interior, em anfiteatro ao ar livre, uma forma diferente de marcar o tema. Manel Costa Alves referiu que «nos últimos anos já tivemos suficientes exemplos dos efeitos provocados pelas alterações criadas na composição da atmosfera através do aumento de gases com efeito estufa».

«O efeito estufa provoca o aquecimento global e esse aquecimento produz o degelo do Ártico, dos glaciares continentais na Gronelândia, na Antárctica e a subida do nível do mar. Portanto a acção humana gera um funcionamento da atmosfera para o qual não está preparada», acrescentou.

Um comportamento que, segundo o especialista, regressa ao ser humano com consequências: «Por exemplo, à beira-mar, teremos que gastar recursos tremendos para nos defendermos da agressão que a subida do nível do mar vai fazer. Por outro lado, na nossa zona de clima mediterrânico, vamos ter problemas acrescidos, com menor disponibilidade de água, mortalidades provocadas pela exposição ao excesso de calor e incêndios florestais», sublinhou Manuel Costa Alves.

Apesar de se conhecerem os efeitos na atmosfera desde os anos 90, Manuel Costa Alves salienta que «estamos sempre a aumentar os gases de efeito estufa». «O ano com maior emissão foi no ano passado. Teremos que diminuir as emissões de gases com efeito estufa. Em cada uma das actividades deve ser feito um balanço da pegada ecológica e da pegada de carbono que as nossas actividades produzem. É um desafio tremendo que o mundo todo terá que enfrentar».

O meteorologista admite que a minimização e inversão da situação depende, sobretudo, dos grandes grupos económicos e dos governantes, uma vez que a acção isolada como cidadãos não chega: «Podemos fazer muita coisa se formos todos a fazer essas muitas coisas. Não chega apenas a preocupação, que ainda bem que existe, mas no todo é uma pequena percentagem».

Para o ano de abertura da Cápsula do Tempo, o meteorologista referiu: «Temo que em 2050 tenhamos um padrão climático pior do que temos agora. Vamos ter dificuldade em retroceder no caminho das emissões de gases de efeito estufa e portanto presumo que teremos já um número significativo de ondas de calor. As que tínhamos recenseadas eram de 1981 e 91. Desde 2003 já temos sete anos com ondas de calor mortíferas».

Após a conferência, o arquitecto guardense António Saraiva apresentou mais uma chávena SPAL da colecção Cápsula do Tempo, de design exclusivo, e alusivo ao tema Clima. Na sua criação, o autor refere que «a chávena tem alusões a alguns factores meteorológicos como o vento e o sol e ainda a existência de um chapéu-de-chuva como objecto referencial ao clima».

«Por sua vez, o pires possui uma decoração que de alguma forma se evidencia e que se pretende que seja um registo que ficará na história da Cápsula do Tempo e que não é mais que um registo de curvas sinóticas do dia 1 de Julho de 2013».

A chávena pode ser adquirida junto do Clube Escape Livre. Este ano, também o Centro Comercial La Vie da Guarda quis aliar-se ao projecto, adicionando mais um elemento colorido e alusivo ao tema, um cata-vento. Com o apoio da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, os presentes puderam ainda provar alguns vinhos da região.

As comemorações tiveram início na Encosta do Tempo, junto à Torre de Menagem, com o presidente do Instituto Politécnico da Guarda, Joaquim Brigas, a cinzelar simbolicamente a pedra do ano 2019 no Passeio do Tempo. Depois, na Encosta do Tempo, com a habitual vista privilegiada para a serra da Estrela, as entidades presentes plantaram a sexta árvore desde 2013, este ano um azevinho.

O QUE É A CÁPSULA DO TEMPO

A Cápsula do Tempo Guarda 2050 foi uma das acções que assinalou os 40 anos do Programa Escape Livre, o mais antigo programa de rádio sobre o mundo automóvel em Portugal, a emitir na Rádio Altitude.

A cápsula foi enterrada no dia 1 de Julho de 2013, junto à Torre de Menagem, e preserva os testemunhos, fotos e objectos de 40 personalidades de diversas áreas profissionais, sobre o presente e o futuro da Guarda e da região. A sua abertura deverá acontecer a 1 de Julho de 2050. Até lá, é objectivo assinalar cada aniversário com diversas iniciativas que promovam o debate e divulguem a região.

São actuais parceiros no projecto o Clube Escape Livre, o Instituto Politécnico da Guarda, a Rádio Altitude, a Transportes Bernardo Marques, a SPAL, a ROAMER e, institucionalmente, a Câmara Municipal da Guarda e a Freguesia da Guarda.

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