Bruno Martins na cauda automóvel e três dias sem dormir

O piloto da Marinha Grande, num Can-Am, cumpriu o dia de descanso do Dakar na última posição dos automóveis, após três dias sem dormir, mantendo o “sonho” de terminar a prova, na quarta-feira.

(auto.look2010@gmail.com)

«Chegámos ao bivouac hoje (sábado) às 5h00 locais (10h00 em Portugal Continenetal), quando estava quase a nascer o sol. Há três dias que não dormíamos», contou o piloto da Marinha Grande, que na manhã deste sábado era 80.º classificado entre os 80 automóveis ainda em prova, já depois de sete horas de sono. Bruno Martins reconheceu que o repouso não foi o suficiente, mas apenas o essencial: «Não pôde ser mais para não me habituar mal. É o problema de ser mochileiro».

Bruno Martins faz dupla com o mecânico Rui Ferreira, no “buggy” da equipa BBR, tendo por missão servir de assistência rápida em pista de quatro outros concorrentes da formação francesa.

«Tivemos de parar para ajudar os outros pilotos da equipa e fomos ficando para trás. Depois disso também acabámos por ter problemas mecânicos, na direcção e no motor», explicou o piloto de 37 anos, ao telefone, a partir de Arequipa, no Peru, onde a caravana da prova passa o dia de descanso antes dos quatro dias finais do rali.

Um atraso levou a outro, e a algum descontrolo alimentar, mas não ao desânimo: «Apesar dos problemas, conseguimos chegar sempre ao acampamento uma hora antes de termos de partir outra vez. Tínhamos tempo apenas para tratar do “road book” (livro com indicações do percurso a seguir), comer alguma coisa e arrancar. Se bem que, com o passar dos dias e o cansaço acumulado, às vezes até nos esquecíamos de comer. Só queríamos era chegar ao acampamento», referiu Bruno Martins.

Campeão nacional de todo-o-terreno da categoria SxS em 2017, o empresário da Marinha Grande concretiza «o sonho de disputar esta prova». «Tive dificuldade em reunir apoios e já nem contava poder vir, quando surgiu o convite da estrutura francesa. Se Deus quiser, vou chegar a Lima e dar por concluído este sonho», sublinhou.

Apesar de desejar há muito tempo participar no Dakar, «não imaginava» que tivesse de enfrentar tantas dificuldades.

«Há problemas que não dão para controlar. Espero que agora não haja mais avarias entre os carros da equipa para podermos andar normalmente. Depois de pararmos para ajudar os outros pilotos, ficámos no fim da linha e atrás de muitos camiões, pelo que encontrávamos o percurso devastado», explicou. As três noites anteriores foram passadas «no deserto, a conduzir, depois de resolver os problemas mecânicos».

Entre as dunas «não há café nem bebidas energéticas», pelo que o sono se vence «com a adrenalina e a grande vontade de terminar», naquela que acaba por ser «uma corrida à parte», por «andar tão atrás».

A caravana do rali Dakar de todo-o-terreno cumpriu este sábado o dia de descanso antes de enfrentar as quatro derradeiras etapas.

O catari Nasser Al-Attiyah (Toyota) lidera nos automóveis, com 24m42s de vantagem sobre o francês Stéphane Peterhansel (MINI), recordista com 13 vitórias na prova, seis em quatro rodas e sete em automóveis. Filipe Palmeiro, navegador do russo Boris Garafulic (MINI), é o melhor português, na nona posição.

Nas duas rodas lidera o norte-americano Ricky Brabec (Honda), com 59 segundos de vantagem sobre o britânico Sam Sunderland (KTM), vencedor em 2017 e que soma já dois minutos de penalização.

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