Ayrton Senna: o “mago” morreu há 25 anos

Na quarta-feira, dia 1 de maio, cumpre-se um quarto de século desde a morte do piloto brasileiro Ayrton Senna, num fim-de-semana “negro” para o automobilismo mundial e que “mudou” a forma como Portugal via a Fórmula 1.

(auto.look2010@gmail.com)

O Grande Prémio de São Marino de 1994 marcou para sempre o automobilismo mundial. «Num único fim-de-semana, perderam-se dois pilotos. Foram dias muito difíceis para todos», recordou, em declarações à Agência Lusa, o português Pedro Lamy, que participou nessa prova do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 aos comandos de um Lotus-Mugen Honda.

«Aconteceu de tudo. Diversos acidentes em pista, nas boxes. Parece que Deus se pronunciou nesse fim-de-semana para avisar que era preciso mais cuidado», sublinha Pedro Lamy, 25 anos depois daquele que é considerado uns dos fins-de-semana “mais negros” da história da Fórmula 1.

Cerca de 25 horas antes do acidente de Ayrton Senna já tinha morrido o austríaco Roland Ratzenberger, que, aos 31 anos, disputava o seu terceiro grande prémio, quando o seu Simtek-Ford embateu a 315 km/h contra um muro de betão na curva Villeneuve, após perder uma parte da asa dianteira.

Na sexta-feira, na primeira sessão de qualificação, o Jordan-Hart do brasileiro Rubens Barrichello descolou na Variante Baixa, a cerca de 200 km/h, embateu nas redes de protecção e capotou três vezes, deixando o piloto brasileiro inconsciente e impedido de alinhar na corrida, devido aos ferimentos sofridos, entre os quais uma fractura no nariz.

A própria corrida também começou mal, pois, na largada, Pedro Lamy não conseguiu evitar que o seu Lotus-Mugen Honda embatesse violentamente na traseira do Benetton-Ford do finlandês J.J. Lehto, que ficara parado, e a colisão lançou uma roda para as bancadas, o que provocou ferimentos em quatro pessoas.

O acidente do português ditou a entrada em pista do “safety car”, que controlou o ritmo do pelotão até à sexta volta, pelo que Senna realizava a sua primeira volta lançada quando se despistou.

Mais tarde, perto do final da corrida, o drama voltou a acontecer, mas desta vez nas “boxes”: depois de reabastecer e trocar de pneus, o italiano Michelle Alboreto preparava-se para regressar à pista, quando se soltou uma roda do seu Minardi-Ford, num incidente de que resultaram ferimentos em três mecânicos da Ferrari e num da Lotus.

O dramático Grande Prémio de São Marino de 1994 marcou uma viragem histórica na Fórmula 1, pois não só obrigou a Federação Internacional do Automóvel (FIA) a alterar de forma radical as regras de segurança, como acabou por ser o momento da sucessão entre Ayrton Senna e o alemão Michael Schumacher, vencedor dessa prova.

Pedro Lamy, que na altura tinha 22 anos, lembra um «ambiente muito pesado» nas horas seguintes: «Só tive a confirmação da morte do Senna quando fui ao hospital, no final do dia. Já havia alguns comentários, mas ninguém queria acreditar», revela o piloto, que correu no Mundial de F1 de 1993 a 1996.

O piloto de Alenquer diz que esse fim-de-semana e, sobretudo, a morte de Senna «mudou a forma como se via a Fórmula 1 em Portugal». «Passou a ser diferente. O Ayrton Senna era um piloto diferente, era apelidado de “Mago”. Tinha uma magia dentro dele, era o melhor. Ele próprio repetia várias vezes que tinha nascido para ser o melhor», lembra Pedro Lamy.

Senna disputou 162 grandes prémios desde a sua estreia na Fórmula 1, em 1984 com um Toleman-Hart, e ainda tem vários registos notáveis: é o quinto piloto com mais vitórias (41, a primeira delas no Estoril) e terceiro com mais “pole positions” (65).

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