Autoeuropa retoma produção esta terça-feira

Os trabalhadores da Autoeuropa regressaram esta segunda-feira ao trabalho para se inteirarem dos novos procedimentos face à pandemia de Covid-19, mas a produção de automóveis só recomeça hoje, terça-feira, revelou o coordenador da Comissão de Trabalhadores.

(auto.look2010@gmail.com) – Fotos: MÁRIO CRUZ / LUSA

«Esta semana vamos ter apenas dois turnos (cerca de 2.300 trabalhadores distribuídos pelo primeiro e segundo turnos – 7h00/15h30 e 15h30/23h50). Na próxima semana, fazemos a rotação e virão outros dois turnos. No entanto, nas próximas duas semanas estes turnos serão de apenas seis horas», disse Fausto Dionísio.

«O primeiro dia de retorno ao trabalho serviu para todos os trabalhadores receberem “kits” de higiene e segurança e tomar conhecimento de todos os procedimentos a realizar neste tempo da Covid-19. Não foi um dia de produção, foi um dia de actualizar todos os conhecimentos e procedimentos a executar durante, pelo menos, o próximo mês», acrescentou o representante dos trabalhadores, pouco depois de terminar o primeiro turno desta segunda-feira, dia em que a Autoeuropa retomou a actividade.

O coordenador da CT da Autoeuropa reconhece que a empresa está a fazer um esforço para salvaguardar a saúde dos trabalhadores nos postos de trabalho, mas também nos transportes, dado que triplicou o número de autocarros em alguns percursos, mas admite que, apesar disso, há sempre o receio de contágio pelo novo coronavírus que provocou a pandemia de Covid-19.

«Nenhum de nós está tranquilo neste momento, mas a empresa tem feito um esforço para que os trabalhadores se sintam minimamente seguros para voltar ao trabalho. Nós, Comissão de Trabalhadores, demos algumas sugestões que foram tidas em conta, como por exemplo, aumentar o número de máscaras, higienização dos postos de trabalho e casas de banho», disse.

As preocupações do coordenador da Comissão de Trabalhadores face à ameaça da Covid-19 são partilhadas pelo dirigente do STASA – Sindicato dos Trabalhadores do Sector Automóvel, que admite algum nervosismo neste regresso ao trabalho, e alerta para o despedimento de trabalhadores temporários da empresa Volkswagen Service, prestadora de serviços à Autoeuropa.

«Foi um regresso com algum nervosismo após uma paragem de seis semanas, apesar de todas as normas de segurança que a empresa adoptou, que são positivas e que nos dão mais tranquilidade, há sempre o receio de, no meio de tanta gente – estamos a falar num grupo de 5.600 trabalhadores directos na Autoeuropa — se apanhar o vírus», disse João Silva, que prometeu lutar pela reintegração dos trabalhadores despedidos da Volkswagen Service.

«Na semana passada, todos os trabalhadores de trabalhos temporários de muitas empresas, mormente da Volkswagen Service, que estavam aqui há mais de doze meses, receberam cartas de rescisão de contrato. Estamos a acompanhar a situação destes trabalhadores. Esperemos que eles (Volkswagen Service) voltem atrás com essa decisão das cartas de rescisão que, segundo a análise da nossa advogada (do sindicato), são ilegais», sublinhou.

De acordo com a calendarização estabelecida pela Autoeuropa, a partir do dia 13 de Maio deverá começar a funcionar o terceiro turno de trabalho, prevendo-se que a fábrica de automóveis de Palmela retome a laboração contínua a partir do mês de Junho.

Certo é que, pelo menos nas próximas semanas, o refeitório da Autoeuropa, tal como acontece em todas as fábricas da Volkswagen, irá permanecer fechado, pelo que todos os trabalhadores irão receber uma refeição constituída por sandes, água, sumo, bolachas, barra de cereais e uma peça de fruta, entregue no posto de trabalho.

A Volkswagen decidiu suspender a produção na fábrica de automóveis da Autoeuropa, em Palmela, no distrito de Setúbal, devido à pandemia da Covid-19 no dia 17 de Março, mas a empresa já estava parada desde o dia anterior, dado que muitos trabalhadores foram obrigados a faltar ao trabalho para ficarem com os filhos devido ao encerramento das escolas.

A fábrica de automóveis do grupo Volkswagen em Palmela decidiu recorrer ao “lay-off” a partir de 20 de Abril, mas garantiu a totalidade das remunerações.

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