Associação Speedy Forever venera Paulo Gonçalves

Piloto já tinha em mente avançar com uma associação focada em projectos e actividades de âmbito social naquele concelho, onde nasceu.

(auto.look2010@gmail.com) – Fotos. PAULO RIBEIRO

O motociclista Paulo Gonçalves, que morreu devido a um acidente no Rali Dakar 2020, inspirou a Associação Speedy Forever, que foi ontem lançada em Esposende, no dia em que faria 43 anos. O piloto já tinha em mente avançar com uma associação focada em projetos e atividades de âmbito social naquele concelho, onde nasceu. De acordo com os seus amigos, ao longo dos seus quase 30 anos de carreira «abraçou imensas causas solidárias e foi padrinho de diversas instituições» ligadas a essa área.

Uma dessas instituições é a AMAR 21, que se dedica a pessoas com trissomia 21 e outras perturbações neurológicas, com a qual Paulo Gonçalves mantinha uma ligação próxima e de que era visita regular, segundo disse uma das suas responsáveis.

Os pais, a mulher, os dois filhos e outros familiares do piloto, amigos, conhecidos e admiradores reuniram-se numa sessão com algumas lágrimas e muita saudade de Paulo Gonçalves e este foi recordado tanto pelos seus feitos desportivos como pelas suas qualidades humanas.

O cunhado e também piloto Joaquim Rodrigues Jr. disse que Paulo Gonçalves era «uma pessoa cinco estrelas e um guerreiro» pela sua combatividade competitiva e continua a ser «uma lenda do Dakar».

«Começámos a treinar juntos, em Barcelos, e fomos grandes adversários. Levou-me ao limite. Foi o maior guerreiro que eu conheci e foi ele que me ensinou a arte dos ralis», resumiu Joaquim Rodrigues Jr., que participou no Dakar deste ano e ganhou mesmo uma etapa.

O piloto ficou conhecido como Speedy (veloz em inglês) e o anúncio da Associação Speedy Forever foi feito na rede social Facebook pelo seu irmão, Jorge Gonçalves, que o descreve como «um cidadão da terra, com um coração do tamanho do mundo».

A apresentação da nova associação decorreu no Fórum Municipal Rodrigues Sampaio e contou com testemunhos de pilotos portugueses e estrangeiros e dos canoístas olímpicos Joaquim Ribeiro e Teresa Portela, que são naturais de Esposende e eram amigos de Paulo Gonçalves.

O primeiro testemunho formal foi da filha do malogrado piloto, Erica. «Os heróis não morrem e o meu pai era um herói», disse a jovem, reforçando depois que o pai «gostava muito de corridas» e pensava também criar uma associação como a que ontem foi lançada em sua homenagem, no concelho onde nasceu.

A Câmara Municipal de Esposende tenciona homenagear o piloto, dedicando-lhe «um monumento» e um livro e dando o seu nome a uma nova avenida. Paulo Gonçalves morreu no dia 12 de Janeiro de 2020, na Arábia Saudita, vítima de uma queda ao volante da sua moto ao quilómetro 276 da sétima etapa do Rali. Era natural de Gemeses, em Esposende, onde nasceu em 5 de Fevereiro de 1979.

Foi um dos principais embaixadores portugueses no motociclismo, graças, sobretudo, ao título mundial de ralis cross-country conquistado em 2013 e ao segundo lugar no Dakar 2015. Conhecido no meio por “Speedy” Gonçalves, o multifacetado piloto conquistou títulos nas várias modalidades que disputou.

Em 2015, conseguiu o seu melhor resultado no Dakar, ao terminar em segundo, com uma especial ganha, apenas atrás do espanhol Marc Coma. Os anos seguintes não foram felizes: em 2016, abandonou à 11.ª etapa, quando já contava com uma vitória em especiais; terminou em sexto em 2017, depois de ter liderado metade da corrida; e, em 2018, nem sequer chegou a arrancar devido a lesão. Em 2019, abandonou na quinta etapa, após violenta queda.

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