Arganil recebe Rali de Portugal condicionado

Apesar da passagem do Vodafone Rali de Portugal em Arganil permitir público, o sector económico, sobretudo o da restauração, «vai levar pancada», salienta o presidente da Câmara.

(auto.look2010@gmail.com)

O município de Arganil vai assistir sexta-feira à passagem do Vodafone Rali de Portugal, mas o facto de ter recuado no desconfinamento tem impactos negativos na imagem do concelho e na economia local, particularmente na restauração.

O presidente da Câmara, Luís Paulo Costa, lamentou que se tenha transmitido uma imagem do concelho situado no interior do distrito de Coimbra que, «objectivamente, não tem nenhuma relação com aquilo que é a realidade».

«No há nenhuma situação de risco generalizada (de casos da covid-19), como em determinada altura passou para a opinião pública, e isso foi um dano colateral para a imagem do concelho com uma comunicação que deveria ter sido gerida de outra forma», disse o autarca social-democrata.

Apesar da passagem do Vodafone Rali de Portugal em Arganil permitir público, o sector económico, sobretudo o da restauração, «vai levar pancada», salienta o presidente da Câmara, que lembra as condicionantes impostas pelo retrocesso no processo de desconfinamento, nomeadamente as restrições de lotação e de horário dos estabelecimentos.

«Em anos normais, alguns estabelecimentos funcionavam durante toda a noite», realça. Segundo Luís Paulo Costa, o Conselho de Ministros desta quinta-feira deverá colocar Arganil na última fase de desconfinamento, devido à redução significativa de casos da Covid-19, mas o seu efeito prático já não chega a tempo do Vodafone Rali de Portugal.

À data de hoje, o concelho de Arganil regista 34 casos activos, mas a expectativa do presidente da Câmara é que nesta quinta-feira o número baixe para cerca de 20. O autarca voltou a contestar os critérios da Direcção-Geral de Saúde, que, em seu entender, deveriam ser cruzados com a densidade demográfica e também com o índice de transmissibilidade.

«Do ponto de vista do indicador dos 240 casos por 100 mil habitantes, em Arganil já estamos acima deste indicador com 26 casos e o concelho de Lisboa só fica acima deste indicador com mais de 1.222. Vejam a disparidade, com a circunstância de que Lisboa tem uma terça parte da área de Arganil, logo mais concentração e maior densidade demográfica», sublinhou.

Para minimizar os impactos ambientais da passagem do Rali por Arganil, o município em parceria com a ERSUC – Resíduos Sólidos do Centro, instalou um número significativo de ecopontos para separação de plástico e metal (amarelo), vidro (verde), papel e cartão (azul) ao longo do troço, em especial nas zonas destinadas ao público.

Após a prova, os resíduos recolhidos serão pesados e convertidos num valor monetário (80 euros/tonelada para papel/cartão e 220 euros/tonelada para plástico/metal), que vai reverter para a unidade de Arganil da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM).

«O grande desafio em tempos de pandemia passa por apelar aos adeptos que vão palmilhar a Serra do Açor que coloquem as máscaras (forte elemento poluidor) nos caixotes dos indiferenciados, espalhados pelos locais que vão acolher o público», refere o município.

O presidente da autarquia conta, «tal como em 2019, com o comportamento exemplar dos fãs que vão rumar à serra, deixando-a, tanto quanto possível, livre de resíduos», para que, no final, “fique apenas o rasto dos pneus no percurso do rally”.

Em 2019, o modelo ambiental utilizado valeu ao Vodafone Rali de Portugal a certificação ambiental máxima por parte da FIA, sendo considerado exemplo a seguir por outros eventos e actividades desportivas de todo o mundo, pelo Comité Olímpico Internacional.

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