Ardor dos pilotos no gelo do Rali do Ártico

A segunda ronda do WRC, o Rali do Ártico, leva as equipas a acelerar no desconhecido a naquele que é a única prova disputada na neve em toda a temporada. Na finlandesa região de Rovaniemi, as temperaturas podem atingir -30 °C. Face à redução das horas do dia, algumas etapas vão desenrolar-se no meio da escuridão…

PEDRO RORIZ E CARLOS SOUSA (auto.look2010@gmail.com)

Se o ano passado foi a Itália a ser palco de duas provas do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), este ano cabe à Finlândia assumir o mesmo papel, com o Rali do Ártico a integrar, pela primeira vez o calendário do “Mundial”, que voltará ao país em Julho, para mais uma edição do Rali da Finlândia, durante muitos anos denominado Rali dos 1000 Lagos.

A pandemia da Covid-19, que pelo segundo ano consecutivo levou à anulação do Rali da Suécia, e as alterações climáticas, que, nos últimos anos, fizeram desaparecer a neve e o gelo das florestais suecas, levaram os responsáveis do WRC a recorrerem ao Rali do Artico.

A prova é organizada pela mesma equipa que coloca na estrada o Rali da Finlândia – uma garantia da qualidade da organização –, que teve a sua primeira edição em 1966, tendo na lista de vencedores nomes como os de Marcus Gronholm (3), Lasse Lampi (2), Ari Vatanen (2), Simo Lampinen (1), Esapekka Lappi (1), Tommi Makinen (1), Hannu Mikkola (1), Harri Rovampera (1), Timo Salonen (1), Dani Sordo (1) e Henri Toivonen (1), com o espanhol Dani Sordo e o sueco Thomas Radstrom a serem os únicos não finlandeses a triunfarem.

Vencedor em Monte Carlo, Sébastien Ogier (Toyota Yaris WRC/Toyota Gazoo Racing WRT) chega a Rovaniemi no comando do campeonato para enfrentar uma prova desconhecida, o que pode provocar surpresas e permitir ao jovem finlandês Kalle Rovampera (Toyota Yaris WRC/Toyota Gazoo Racing WRT), que “joga em casa” inscrever o nome na lista de vencedores dos ralis do Campeonato do Mundo.

Os seus compatriotas Teemu Suninen (Ford Fiesta WRC/M-Sport Ford WRT) e Janne Tuohino (Ford Fiesta WRC/Jan Pro) não dispõem de “argumentos”, já que a M-Sport está com pensamento em 2022, para pensar na discussão da vitória, com o primeiro a ter a responsabilidade acrescida de ter de “limpar” a má imagem deixada em Monte Carlo, onde saiu da estrada, na parte final da especial de abertura, quando estava a caminho de ser o primeiro comandante da prova monegasca.

A prova reúne 13 WRC e marcará a estreia do sueco Oliver Solberg (Hyundai i20 Coupé WRC/Hyundai 2C Competition) ao volante de um WRC, o regresso do irlandês Craig Breen (Hyundai i20 Coupé WRC/Hyundai Shell Mobis WRT) à equipa oficial da marca sul-coreana, em substituição do espanhol Dani Sordo que esteve em acção em Monte Carlo, e assinalará o regresso à competição do italiano Lorenzo Bertelli (Ford Fiesta WRC/M-Sport Ford WRT), ausente das estradas desde o Rali do Chile do ano passado.

Na luta pela vitória estarão, também, o inglês Elfyn Evans (Toyota Yaris WRC /Toyota Gazoo Racing WRT), o belga Thierry Neuville (Hyundai i20 Coupé WRC/Hyundai Shell Mobis WRT) e o estónio Ott Tanak (Hyundai i20 Coupé WRC/Hyundai Shell Mobis WRT), candidatos à sucessão do francês na lista de campeões mundiais e desejosos de “vingar” a derrota sofrida em Monte Carlo.

 

Dominador da prova monegasca, entre os RC2, o norueguês Andreas Mikkelsen (Skoda Fabia EVo/Toksport WRT), que não esconde que tem por objectivo a conquista do respectivo título, que deseja que seja a porta para o regresso ao volante de um WRC, parte como “o homem a bater”, com os finlandeses Jari Huttunen (Hyundai i20 R5/Hyundai Motorsport N) e Esapekka Lappi (VW Polo GTi R5/Movisport SRL), que está de regresso à competição depois de ter sido despedido da M-Sport, a perfilarem-se como os seus mais directos opositores.

A ESTRADA

A prova finlandesa, centrada na cidade de Rovaniemi, situada no Circulo Polar Artico, que é considerada como o local onde reside o Pai Natal, decidir-se-á em 10 especiais, que na realidade são cinco percorridas duas vezes, divididas pelos três dias de competição.

No primeiro dia, sexta-feira, os concorrentes cumprem uma dupla passagem por Sarriojarvi (31,05 km), a mais extensa classificativa da prova que, pela sua extensão, pode provocar diferenças de tempo significativas.

Já o sábado está reservado a uma dupla passagem pelas provas de classificação de Mustalampi (24,43 km), Kaihuavaara (19,91 km) e Siikakama (27,68 km).

Finalmente, no domingo, a prova termina com duas passagens pela especial de Aittajarvi (22,47 km), a segunda a funcionar como “Power Stage”, que pela sua extensão pode provocar alterações na classificação.

CLASSIFICAÇÕES DOS “MUNDIAIS”

PILOTOS – 1.º Sébastien Ogier, 30 pontos; 2.º Elfyn Evans, 21; 3.º Thierry Neuville, 17 4.º Kalle Rovampera, 16; 5.º Dani Sordo, 11; 6.º Takamoto Katsuta, 8; 7.º Andreas Mikkelsen, 6; 8.º Gus Greensmith, 4; 9.º Adrien Fourmaux, 2; 10.º Eric Camilli, 1.

NAVEGADORES – 1.º Julien Ingrassia, 30 pontos; 2.º Scott Martin, 21; 3.º Martijn Wydaeghe, 17; 4.º Jonne Halttunen, 16; 5.º Carlos Del Barrio, 11; 6.º Daniel Barritt, 8; 7.º Ola Floene, 6; 8.º Elliott Edmondson, 4; 9.º Renaud Jamoul, 2; 10.º François-Xavier Buresi, 1.

PILOTOS – 1.º Toyota Gazoo Racing WRT, 52 pontos; 2.º Hyundai Shell Mobis WRT, 30; 3.º M-Sport Ford WRT, 10; 4.º Hyundai 2C Competition, 8.

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