Arábia Saudita é a nova paragem do Rali Dakar

Dakar deixa América do Sul. A organização fecha acordo para levar a mítica prova de todo-o-terreno para Arábia Saudita por cinco anos, com Riade a ser o ponto de partida para a edição de 2020.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Aquele que é considerado o maior e mais importante rali do mundo de todo-o-terreno já tem um novo destino e ruma, a partir do próximo ano, para a Arábia Saudita. O ano de 2020 começa com muita areia, depois de 11 edições da prova da ASO ter sido disputada em vários países da América do Sul.

Com a competição a mudar, de malas e bagagens, de continente, era expectável que a prova fosse parar a um país do Oriente Médio pela “fortuna” que a organização pudesse arrecadar. A Arábia Saudita foi o escolhido como única sede.

Recorde-se que o Rali Dakar, que foi disputado na América do Sul entre 2009 e 2019, saiu das suas origens por conta de ameaças terroristas na Mauritânia, em 2008, que tinha Lisboa como ponto de partida. Agora, e para os próximos cinco anos, a francesa Amaury Sport Organisation (ASO) encaminhou a mais dura prova de todo-o-terreno do mundo para a Arábia Saudita.

Obviamente que esta mudança estava a ser equacionada há já alguns anos não muito distantes, sendo um dos maiores factores a falta de apoios dos governos onde a prova estava a ser organizada desde 2009, cuja prova, este ano, a ser 100 por cento realizada em território peruano, o que traduz na perfeição o estigma da mudança.

Por outro lado, a ASO viu na Arábia Saudita um país capaz de “açambarcar” a caravana para a tão proclamada mudança. Recorde-se que, em Janeiro, Etienne Lavigne, então director-geral do Dakar, havia dito que não havia hipótese de a prova ser novamente realizada em um único país e considerou até mesmo um retorno da competição à África, com o Qatar, China e Arábia Saudita sendo outros destinos especulados.

Pouco depois, o francês deixou o cargo e foi substituído por David Castera, que competiu no Dakar de 2019 como navegador do multicampeão Stéphane Peterhansel. As mudanças na direcção da prova da ASO já surtiram efeito, com o Rali Dakar a ser realizado no país próximo do de Nasser Al-Attiyah, o campeão em título.

«Estamos muito felizes por ter o Dakar na nossa região. Posso estar na Arábia Saudita em 30 minutos», afirmou o príncipe do Qatar, sublinhando que «amamos a América do Sul, as pessoas, os países incríveis que eles têm, mas nós temos de respeitar as decisões dos organizadores».

«Quando mudamos de África para a América do Sul não ficamos felizes. Queríamos continuar em África, mas rapidamente adaptamo-nos à América do Sul, sendo agora exactamente a mesma coisa que vai acontecer com o Oriente Médio, porque também é um grande mercado», confidenciou Nasser Al-Attiyah, avançando que a prova pode vir a passar por Omã, Jordânia e Egipto.

Para já, sabe-se que o acordo é para cinco anos, embora a ASO ainda não tenha confirmada a mudança, embora o anúncio deverá ser efectuado no espaço de poucas semanas.

 

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