Aí está o WRC 2019!

Falta menos de uma semana para o começar o WRC 2019. Tanak é o maior candidato ao título, embora no final possamos ter mais do mesmo: Ogier campeão!

 

Tanak é o maior candidato ao título

A época de 2019 avizinha-se como uma das melhores de sempre do mundial de ralis, pela qualidade do plantel e pelo equilíbrio existente. Mesmo se no início deste milénio existiram campeonatos com mais marcas envolvidas, a verdade é que poucas vezes pudemos apreciar um equilíbrio como o actual. Se a isso acrescentarmos o facto de Hyundai e Toyota apostarem na presença de 3 carros, é fácil antecipar 5 ou 6 pilotos com reais capacidades de vencer.

Em termos de máquinas o equilíbrio é evidente e onde o apoio das marcas, ou a falta dele, se manifesta é no alinhamento das equipas. Toyota e Hyundai, fortemente apoiadas pelas casas mãe, não olharam a meios e dispõem de equipas fortíssimas. A Citroën apresenta-se com o campeão Ogier, mas tem a desvantagem de alinhar com apenas 2 pilotos. Na M-Sport, à falta de um apoio mais forte por parte da Ford, Malcom Wilson fez o que tão bem sabe fazer: dar lugar aos novos. Existissem mais gestores e federações com a visão de Mr. Wilson e muito mais pilotos poderiam sonhar com o WRC.

A Citroën deverá voltar à ribalta, agora que se decidiu pela contratação de Ogier. O C3 WRC teve um início de vida complicado, parecendo que muitos dos erros cometidos por Meeke e companhia em 2017 ficaram a dever-se às dificuldades em guiar o carro francês nos limites. Ainda assim, Meeke venceu por duas vezes em 2017, o que contrasta com os resultados paupérrimos conseguidos em 2018, quando foi notória a melhoria do carro francês. Uma gestão de equipa difícil de entender, com constante rotação de pilotos, não ajudou à obtenção de resultados e apenas na Catalunha um senhor chamado Loeb conseguiu mostrar que o C3 respira saúde. As evoluções já visíveis nos testes de pré-temporada e a dedicação e talento de Ogier deverão ser suficientes para que a marca do double chevron lute pelas vitórias e pelos dois títulos em disputa.

Ogier continua a ser o melhor piloto da actualidade e por isso é natural candidato a mais um título.

O apoio ao francês virá de Esapekka Lappi, piloto de enorme talento, mas que teve uma época de 2018 demasiado apática, para quem venceu à 3ª prova com um WRC! Se conseguir adaptar-se à equipa, o que nem sempre é fácil a pilotos estrangeiros em equipas francesas, e perceber que os ralis começam à sexta feira e não ao sábado, então o finlandês será um caso sério, pois é rapidíssimo e conduz com uma frieza incrível.

A Hyundai conta com uma equipa forte e tem no i20 WRC um aliado de peso, mesmo se já não evidencia a superioridade manifestada no início de 2017.

A contratação do pluri-campeão Loeb foi a maior surpresa da pré-temporada, mas não é fácil antecipar como Neuville lidará com essa situação. Loeb já avisou que tem por missão ajudar o belga a lutar pelo título, mas não é de esperar que o francês levante o pé quando tiver possibilidades de vencer, o que poderá fragilizar Neuville, que tem na instabilidade emocional o seu ponto fraco. O belga perdeu o título de 2018 por culpa própria e as prestações de 2017 e 2018 foram inversas: em 2017 começou o ano a errar, mas depois fez pela vida no que restou da temporada, perdendo o título na Alemanha com quando os i20 revelaram uma fragilidade inesperada; em 2018 teve um início de época fortíssimo, mas depois fez muito pouco para quem pretendia ser campeão. Mérito de Ogier, mas também demérito de Neuville. Será novamente candidato ao título, mas arrisca-se a ser um eterno número dois, como aconteceu com Hirvonen na era Loeb.

Loeb será a cabeça de cartaz nas provas que participar, mas com um calendário apertado no início do ano, em que passa do calor do Dakar sul americano para o frio do Monte Carlo, não poderá exigir-se muito ao francês, especialmente nas duas primeiras provas, pois não deverá ter tempo para fazer mão ao i20. Ainda assim, a experiência e o conhecimento das estradas monegascas deverão ser suficientes para acompanhar a concorrência.

Mikkelsen terá que provar o que vale, se quiser continuar a ter lugar no WRC. Independentemente das causas, o que é facto é que em 2018 as prestações do norueguês ficaram muito aquém do desejado. A ala feminina agradece a presença do norueguês no campeonato, mas numa altura em que existem mais pilotos com talento do que lugares disponíveis, não voltará a ter nova oportunidade se não recuperar a forma que revelou na VW.

Sordo é uma aposta segura. Se a Hyundai não repetiu em 2018 o título de marcas conquistado em 2017, em nada se deveu ao regular piloto espanhol. Estranhamente mais rápido em terra do que em asfalto, deverá continuar a ter um lugar importante no desenvolvimento do i20 e na obtenção de pontos para a estrutura coreana.

A M-Sport será a alternativa de ouro para pilotos talentosos. Sem um apoio forte da Ford ou de um patrocinador que lhe permita pagar a um piloto de primeira linha, Malcom Wilson voltará a dar oportunidade a jovens rápidos, mas baratos, como tão bem sabe fazer. A velocidade e irreverência de Suninen e o calculismo de Evans poderão causar algumas surpresas, já que o Fiesta não é inferior à concorrência. Da parte de Tiedmand não é de esperar milagres, pois conduzir um WRC no limite requer, pelo menos, um ano de habituação.

Evans é um piloto rápido e regular (bem diferente do pai, neste aspecto), mas só é super rápido a espaços e, por isso, dificilmente alguma vez venha a ser candidato ao título. Ainda assim, deverá ser capaz de dar alguns pódios à M-Sport e, quem sabe, lutar por uma ou outra vitória.

Suninen é extremamente veloz. Depois de uma mão cheia de exibições de encher o olho em 2017, onde venceu uma especial logo na estreia, conseguiu o primeiro pódio em 2018 (por sinal, em Portugal). Soube aprender sem cometer muitos erros, o que é importante, pelo que 2019 deverá ser o ano da afirmação e, quem sabe, da primeira vitória. Ainda precisará de evoluir no asfalto, a superfície onde se sente menos à vontade.

Tiedmand arriscou em não continuar com a Skoda para evoluir para a categoria principal. Fa-lo-á à custa de apoios pessoais e de Mr. Wilson, se não quem! Para já conta com um programa de 8 provas. Não será nenhuma surpresa um bom resultado na sua Suécia natal onde, aliás, já fez boas exibições no passado ao volante de WRC, mas o maior desafio virá depois, pois sendo certo que o conhecimento das provas que foi adquirindo nos últimos anos ao volante do Fabia R5 é importante, o salto para os WRC revela-se, por vezes, demasiado difícil. Os WRC actuais e o ritmo dos pilotos mais rápidos parecem levar aos limites as capacidades humanas, pelo que são poucos os que conseguem dar o salto para a categoria principal com sucesso. É que uma coisa é conseguir andar rápido numa especial e outra bem diferente é fazê-lo ao longo de um rally e, mais difícil ainda, ao longo de todo o campeonato! É essa a diferença entre os campeões e os outros. Que o digam Meeke e Latvala, por exemplo.

A Toyota, campeã de marcas em título, tem a equipa mais homogénea, mas também um Yaris pouco fiável.

Tanak é, provavelmente, o piloto mais rápido do WRC e como tal o maior candidato ao título. Não fossem as desistências que em 2018 ficaram a dever-se mais às fragilidades do Yaris do que a erros do estónio, e o título já poderia ter sido uma realidade. Detentor de uma velocidade como poucos, soube aproveitar a aposta de Malcom Wilson, que confiou no estónio ao longo de inúmeras épocas. Muitos outros poderão lamentar-se de não ter tido o mesmo número de oportunidades.

Latvala está bastante mais regular do que no passado, mas parece não conseguir lutar consistentemente pelas vitórias. É um dos pilotos mais espectaculares do mundial e os adeptos agradecem, mas deverá ser o escudeiro de Tanak.

Quanto a Meeke, deverá partilhar com Latvala os adeptos e o espetáculo, mas também algumas horas de bate chapas. É candidato natural às vitórias em todas as provas, mas não será de estranhar se alternar vitórias com erros grosseiros, pelo que dificilmente será um candidato ao título. A época de 2019 será decisiva para o inglês, pois é o segundo mais velho em actividade e em 2020 perfilam-se “new kids on the block”: Rovanpera já tem contrato assinado com a Toyota!

Com poucos lugares de fábrica disponíveis, serão vários os pilotos a recorrer a planos “B”, como Mads Ostberg e Hayden Paddon e outros ainda sem planos, como Craig Breen.

De Breen pouco se sabe. 2018 poderia ter sido um bom ano para o irlandês, como se viu na Suécia, mas a péssima política de gestão da Citroën foi-lhe madrasta e como não tem as mãos nem a experiência de Loeb, não conseguiu lutar pelos lugares da frente na meia dúzia de provas em que participou. Resta esperar que consiga reunir apoios que lhe permitam relançar a carreira, porque não com a M-Sport?

Ostberg é um piloto regular, mas que, ao contrário de outros, não poderá lamentar-se da falta de oportunidades. É rápido, mas não suficientemente rápido. A espaços consegue prestações fantásticas, mas na maioria das vezes limita-se a lutar por um lugar no top 5, o que é manifestamente pouco para ter “direito” um lugar de fábrica. Assim, em 2019 dedicar-se-á ao WRC2 Pro, com um Citroën C3 R5. É um candidato natural às vitórias, pois é fácil um bom piloto do WRC tornar-se um excelente piloto numa categoria inferior, não é verdade Mikkelsen?

Paddon não alinhará no WRC em 2019. Com a entrada de Loeb da Hyundai, o “kiwi” ficou sem lugar na equipa oficial, mas continuará a alinhar na sua terra ao volante de um i20 super vitaminado. A verdade é que o Paddon nunca mais foi o mesmo, depois do malfadado acidente do Monte Carlo 2017. É um piloto espetacular e com uma velocidade incrível, mas aquele infeliz acidente marcou-o para sempre. Consequências da irresponsabilidade de alguns espectadores, que ainda se assiste em muitas provas!

Por fim, os jovens. Rovanpera já assegurou o seu futuro com a Toyota para 2020 continuando, por agora, a aprendizagem ao volante do Fabia R5. Greensmith e Takamoto tentarão já em 2019 começar a mostrar aquilo que valem ao volante de WRC, o primeiro com o apoio da M-Sport e o segundo com a protecção da Toyota. Enquanto isso, Veiby e companhia deverão a continuar a fazer pela vida, para sonharem com um lugar de fábrica no futuro.

 

Este texto não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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