A arte do Zen no Nissan ARIYA

A designer Kyehyun Ahn, proveniente da Coreia do Sul para o Japão, afastou-se da forma e aproximou-se da cor, infundiu a filosofia Zen no Nissan ARIYA…

(auto.look2010@gmail.com)

O ARIYA não só reformula o que um veículo eléctrico pode ser, como também o que as pessoas devem sentir enquanto o conduzem. Tudo, desde os bancos de gravidade zero até aos ecrãs de informação horizontais duplos, foi concebido a pensar no conforto e na ergonomia. Mas quando se tratou de suscitar uma sensação de tranquilidade interior, foi tarefa da designer de cores, Kyehyun Ahn, encontrar a combinação perfeita entre cores e materiais.

A designer veio da Coreia para o Japão há quatro anos, mas estudou a influência Zen no design muito antes da sua chegada: «Enquanto estudava design na faculdade, afastei-me da forma e aproximei-me da cor para ver como esta influencia o humor de uma forma intuitiva, quase subliminar», explica Kyehun Ahn.

«O ARIYA foi a minha primeira oportunidade de explorar uma abordagem Zen, não só em relação à cor, mas também à forma de se coordenar com os materiais interiores». Este caminho foi uma progressão natural, uma vez que Kyehyun Ahn abraçou a linguagem de design do ADN japonês (J-DNA) recentemente estabelecida pela Nissan. Kyehyun Ahn estava ávida por integrar conceitos como Ma, Iki, Kabuku ou Omotenashi no seu próprio trabalho no ARIYA.

Esta viagem levou Kyehyun Ahn a experimentar combinações únicas de cores que inicialmente levantaram algumas dúvidas dentro da sua equipa: «Tendo a escolher a cor principal de uma imagem de origem, como um render inicial, e depois acrescento o inesperado com uma cor complementar para criar uma história interessante».

Foi assim que combinou a pele azul-cinza do ARIYA com toques de cobre – cores consideradas polos opostos. Viu no cobre uma espécie de “estímulo” para aumentar o impacto visual. Alguns colegas «não aceitaram muito bem a combinação no imediato, mas eu estava confiante de que traria algo muito único e belo para o interior, por isso continuei a insistir»; sublinhou.

A sua tenacidade valeu a pena quando amigos e colegas viram o produto acabado no Verão passado, na apresentação global: «Foi irreal para mim», recorda Ahn, acrescentando que o seu «entusiasmo e o feedback online continua a encher-me de entusiasmo e orgulho».

As pessoas que não são da área podem apreciar o resultado final, mas provavelmente não compreendem totalmente a quantidade de trabalho depositado na seleção de cores. Kyehyun Ahn e a equipa mais abrangente não só estudaram uma variedade de cores e materiais, como também qual seria o aspeto do espaço do habitáculo à luz natural.

«Verificamos sempre as selecções de cores no exterior ao sol, mesmo em diferentes alturas do dia. Uma cor pode mudar significativamente entre as 10h00 e as 14h00», explica Kyehyun Ahn. Foram necessárias várias rondas de aperfeiçoamentos antes de serem feitas as seleções finais.

Esta minuciosidade levou por vezes os designers a alterar completamente os seus pressupostos sobre uma cor. Tomemos por exemplo o intrincado padrão Kumiko encontrado em várias zonas na parte inferior do interior, incluindo as portas.

«Inicialmente, tínhamos escolhido uma cor mais clara para acentuar a sensação de um interior mais espaçoso. Mas isso tornou o padrão Kumiko visualmente excessivo». Acabaram por optar pelo preto, o que não só resolveu esta questão, como também acrescentou uma sensação mais sofisticada.

A ideia de um interior “excessivo” contrariava a filosofia Zen que Kyehyun Ahn e a equipa procuravam para o ARIYA. «Através da eliminação da desordem, um interior tipo Zen pode proporcionar uma espécie de “conforto perfeito” ao eu físico e interior», explica Kyehyun Ahn.

Os botões táteis escondidos atrás da madeira do painel de instrumentos são também um grande exemplo disso, integrando de forma perfeita estes pontos de toque directo na sensação minimalista do habitáculo.

À medida que os veículos se adaptam a novos tipos de grupos motopropulsores e a níveis elevados de apoio ao condutor, o esforço por detrás da sensação Zen do próprio interior tornar-se-á ainda mais importante. Será primordial não sobrecarregar o condutor e os ocupantes com um nível de tecnologia cada vez maior, permitindo uma funcionalidade e um controlo intuitivo sem desordem. Esta mentalidade minimalista será fundamental à medida que avançamos para uma nova era de mobilidade.

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