21.º Portugal de Lés-a-Lés: aventura e maresia

Felgueiras-Figueira da Foz, Figueira da Foz-Arruda dos Vinhos e Arruda dos Vinhos-Lagos são as três etapas que, de 9 a 12 de Junho 2019, prometem muita emoção, num percurso trilhado pela inovação, 1.200 quilómetros junto no Litoral e, quase todo, junto à costa.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt) com PAULO RIBEIRO – Fotos: JOSÉ MOURA

Exposição de motos na apresentação do evento

Um tsunami ou maremoto é uma série de ondas de água causada pelo deslocamento de um grande volume de um corpo de água, como um oceano ou um grande lago. Este domingo, na Figueira da Foz, um verdadeiro tsunami, mas de motos, “inundou” as principais artérias da cidade. O domingo primaveril, convidativo a tirar as máquinas da garagem, foi um bom pretexto para centenas de mototuristas inteirarem-se de mais uma edição do Portugal Lés-a-Lés.

Foram muitas as surpresas que marcaram a apresentação oficial da iniciativa, desvendado que foi o percurso que, de 9 a 12 de Junho, vai ligar Felgueiras a Lagos. Vão ser cerca de 35 horas, totalmente dedicadas ao mar e aos rios, com três etapas equilibradas e com cerca de uma dezenas de horas por ligação.

Ernesto Brochado

A cidade algarvia de Lagos foi uma das novidades reveladas na cerimónia que decorreu na Figueira da Foz, que também acolherá o final de uma etapa, a primeira, com ligação desde Felgueiras.

«Num percurso quase integralmente desenhado junto ao Oceano Atlântico, o maior momento de admiração foi o anúncio de Arruda dos Vinhos como ponto final da segunda etapa. Afastada da costa, é certo, mas verdadeira porta de entrada rumo à descoberta do estuário do Tejo na edição 2019 da grande aventura que, quando não andar junto ao mar, estará a descobrir rios e ribeiros, espelhando não só a missão de dar a conhecer os recantos mais discretos do país como a preocupação ambiental da Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal», afirmou Ernesto Brochado.

 

 

João Ataíde

«Nós somos o melhor país do mundo. Saúdo todos os mototuristas, a estrutura federativa e os seus membros, pois são iniciativas deste género que ajudam a valorizar o país», começou por referir o anfitrião da apresentação do mais costeiro Lés-a-Lés de sempre, João Ataíde.

O presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz não escondeu grande satisfação, «tal como todos os figueirenses, em receber a grande caravana e mostrar o muito que a Figueira da Foz tem de interessante e que é, realmente, muito».

João Ataíde destacou ainda a preocupação da organização «dar enorme destaque aos rios, às linhas de água e ao mar», em que a biodiversidade, ou diversidade biológica, pode ser definida «como a variabilidade entre os seres vivos de todas as origens, a terrestre, a marinha e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte».

Essa variabilidade aparece apenas como resultado da natureza em si, sem sofrer intervenção humana, com João Ataíde a recordar «a catástrofe recente provocada pela tempestade Leslie que dizimou as nossas matas e a da Boa Viagem em particular».

O presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz prometeu aos participantes na 21.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés, que após a chegada da primeira etapa e antes da partida para a segunda tirada, «terão uma noite de grande animação e grande alegria».

Promessas de uma recepção condizente com a animação esperada no final da segunda etapa, no dia 10 de Junho, o mesmo acontecendo no dia seguinte, em Arruda dos Vinhos, em que o presidente da autarquia, André Rijo, garantiu que «vai crescer para acolher, com amizade e carinho, todo o enorme pelotão do Portugal de Lés-a-Lés».

Garantias sublinhadas por outras entidades directamente envolvidas no evento, como a Câmara Municipal de Felgueiras e do Motoclube Felroad, representado pelo seu presidente Luís Mendes, ou a Câmara Municipal de Esposende que, através do se vereador do pelouro do Desporto, Rui Losa, desvendou que «a recepção em terras esposendenses será de molde a deixar todos os participantes com vontade de voltar para descobrir, ao pormenor, todas as maravilhas do concelho».

Numa cerimónia dinâmica e muito envolvente, presença notada dos patrocinadores e apoiantes do Portugal de Lés-a-Lés, da BMW à BP, passando pela Dunlop, Touratech, Agência Abreu e NEXX, que proporcionou momento de enorme expectativa, com o sorteio de um capacete modular, o NEXX Villitur, entre os muito presentes no salão do hotel figueirense. O feliz contemplado, que já pode alinhar na próxima edição do Portugal de Lés-a-Lés mais bem apetrechado e “armadilhado”, dá-se pelo nome de Francisco Silva.

Este evento mototurístico, que é o maior da Europa, cumprindo cerca de 2,5 milhões de quilómetros – sem contar com as deslocações para o local de partida e o regresso a casa –, tem grandes preocupações ambientais. Depois do contributo para reflorestação das áreas ardidas em 2016 e 2017 com distribuição de árvores autóctones e forte campanha de sensibilização efectuada em 2017 e 2018, a edição de 2019 será palco da divulgação do Projecto Rios+. Iniciativa que aposta na chama de atenção das populações mas, sobretudo, das autarquias, proprietários e empresas locais para a preservação e requalificação das linhas de água.

Ocasião também, num domingo verdadeiramente primaveril, para garantir um lugar na heterogénea caravana, com as primeiras inscrições efectuadas logo após a apresentação no Grande Hotel da Figueira. Momento aproveitado por mais de meio milhar de motociclistas que, assim, garantiram o arranque para cada uma das etapas na dianteira do pelotão que, por questões de segurança e qualidade do evento, será limitado a 2000 mototuristas.

Quanto aos restantes, deverão aguardar pela abertura das inscrições online, a partir do dia 1 de Março no site da FMP (www.fmp.pt) ou presencialmente na sede da federação – Largo Vitorino Damásio 3C Pavilhão 1, 1200-871 LISBOA – entre as 10h00 e as 17h00 de segunda a sexta-feira.

As inscrições, que estarão abertas até 26 de Maio, com valor idêntico ao de 2018, de 200 euros incluindo já uma anuidade (25 euros) do Cartão de Motociclista, indispensável para a participação, enquanto os sócios dos motoclubes federados pagarão 195 euros. Já para aqueles que tiverem o cartão válido à data do evento o custo de inscrição é de 175 euros. Cartão que, sublinhe-se, entre muitas outras vantagens, garante descontos em combustíveis e um seguro com diversos benefícios, feito bem à medida das necessidades específicas dos motociclistas.

Manuel Marinheiro, presidente da FMP

MANUEL MARINHEIRO AUSENTE POR DOENÇA

O presidente da Federação Motociclismo de Portugal (FMP), Manuel Marinheiro, primou pela ausência na apresentação do 21.º Portugal Lés-a-Lés por motivos de doença, mas foi fortemente aplaudido pelos membros da “família” das duas rodas.

Quando o comunicador e apresentador da iniciativa, o jornalista Paulo Ribeiro, anunciou que Manuel Marinheiro estava ausente devido a doença mas que se encontrava a ver a cerimónia de apresentação através das redes sociais, os mototuristas aplaudiram o presidente da FMP, desejando-lhe rápidas melhoras. Natural da Figueira da Foz, Manuel Marinheiro, advogado de profissão, é um enorme entusiasta do Portugal Lés-a-Lés. A sua ausência na terra natal motivou uma “injecção” de alento para rápida recuperação.

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